quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Soneto pra mulher de mil caras










Me disseram que tu andas dizendo
Que fui eu que te dei aquele anel
Qu’eu vivia aos teus pés me debatendo
E que tu me fazias de pastel

Me faz pasmo saber deste papel
E dos outros que aos poucos vou sabendo...
Não percebes que assim por trás do véu
Tuas caras estão aparecendo?

Não percebes, meu bem, que sendo infame
Vais fazendo da vida um arame
Deformado, que não se endireita?

Tome tento, querida, se oriente
Veja bem o que plantas no presente
Que já já chega a hora da colheita!

Belo Jardim, 16/01/2013.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A grosso modo - Quadra












Faz pena um amor tão belo
Tu não dares pra quem queira,
É como ver um castelo
Se acabando na poeira!

Timbaúba, 03/01/2013.

Terreno Baldio - Quadra
















Meu coração insensato,
Boçal, malandro e vadio
Tem ajuntado mais mato
Do que terreno baldio!

Timbaúba, 02/01/2013.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O ar de Timbaúba
















Parece que Timbaúba
Tem um tipo de feitiço
Que adentra no me quengo,
Se aloja no toutiço
E, fazendo rebuliço,
De um jeito bom me afeta...
Timbaúba me completa,
Me agua, me aduba
E o ar de Timbaúba
Me inspira a ser Poeta!

Timbaúba, 19/12/2012.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Já me vejo












Já me vejo te girando
Num abraço de torar
Fitando o sol faiscando
No brilho do teu olhar
O nosso mundo rodando
E a gente nunca parar!

Já me vejo te tomando
Vida a dentro, mundo a fora
Nenhum dos dois se lembrando
Do que não nos foi outrora
Dois passarinhos voando
Numa infinita aurora!

Já me vejo do teu lado
Até a hora do fim
Depois de uma vida inteira
Só com dez no boletim
A vida toda vivida
Na melhor versão de mim!

Dublin, 13/12/2012.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fiz dois vixes e morri













Ela viu mas não notou
Que ali quando eu a vi
Meu peito se defuntou
Fiz dois “vixes” e morri
E logo em subsequente
Num sorriso renasci!

Dublin, 13/12/2012.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Caçambinha

















Somente de ver você
O meu coração descamba
Minha fala se gagueja
Minha perna fica bamba
E minha frouxura apela:
Tu não vai, que um braço dela
Já enche tua caçamba!

Dublin, 09/12/2012.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Aquela caixinha





Lembra daquela caixinha
Estranha e pequenininha
Aquela que não te dei?
Junto aos momentos tristonhos
Nela ainda guardo os sonhos
Do que nunca mais serei!

Dublin, 03/12/2012.

Livro em branco














O qu’é que há com você
Que já foi a minha paz?
Hoje quem passa de te vê
Nem te reconhece mais.
Sorriso falso na face,
Fingindo um feliz enlace
Que só engana um segundo;
Sem ver qu’escolhendo o fácil
Não passarás do prefácio
Na tua história no mundo!

Dublin, 08/12/2012.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Quando eu decidir voltar

















Quando eu decidir voltar
Moça que tão quero bem
Lembre-se de me abraçar
Como nunca a outro alguém.

Quando acabar o abraço
Esgotada a energia
Beije-me sem embaraço
Moça de luz e magia.

Quando o beijo nos deixar
Totalmente atordoados
Moça que me faz chorar
Mostre teus olhos molhados

Pra qu’eu possa distinguir
Moça dos olhos brilhantes
Nosso amor se traduzir  
Entre lágrimas errantes.

Pois aí, Moça de aurora
Pode escrever o que digo:
Quando eu for de novo embora
Vou te arrastar comigo!

Dublin, 05/12/2012.