quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sujeito ruim de conquista!



Sentiu sua escala Richter
bater no mais alto nível
e sacudir no seu corpo
o que tinha de tremível;
foi algo incompreensível,
ele tremeu tal e qual
uma Toyota Rural
que segue desgovernada
numa estrada esburacada
no meio de um matagal

Tentou falar, mas falhou;
gaguejou, bateu o queixo,
seu maxilar travou,
a voz faltou por desleixo,
seu olhar saiu do eixo,
sua coragem correu,
sua pele embranqueceu,
sua orelha fervilhou,
a coluna se envergou
e o seu moral morreu...

Porém, já que estava ali
parado na frente dela
e não podia fugir
sem ter fama de gazela
abraçou-se na procela
e findou por se enforcar,
pois inventou de falar
essa seguinte lambança:
Moça, topa uma dança
ou quer ir logo bimbar?!

João Pessoa, 14/04/2010.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Receita de bolo pra encontrar Alma Gêmea



Cuspa na sua beleza,
engrosse sua fineza,
quebre a banca, vire a mesa,
não se preocupe com nada;
ignore quem te chama,
vista aquele seu pijama,
se jogue num rio de lama
e saia para noitada!

Seja guenzo ou baranga,
finja que tudo lhe zanga,
se for rir faça moganga,
desconjure a simpatia;
use um cinto de barbante,
não use desodorante,
e seja mais irritante
que aquela sua tia!

Agora espere que alguém,
que não seja assim também,
traceje lhe querer bem
e então podes mudar,
pois nosso Eu pra valer,
mesmo se a gente esconder,
o mundo pode não ver,
mas o amor vai enxergar!

João Pessoa, 13/04/2010.

domingo, 11 de abril de 2010

Na corda que ela me dá!



Sua carinha de anjo
engana muito marmanjo
sai causando desarranjo
em tudo que é coração,
o seu jeitinho de santa
conquista enquanto encanta
e não há quem se garanta
ao ver tamanha visão!

Mas seu jeito é um contra-senso
pois o seu olhar intenso
passa um pudor imenso
como a imensidão do mar,
mas su’alma é obscena
e o seu jeitinho serena
no seu libido se empena
e só pensa em fornicar!

Sua arte é obtusa
e deixa a mente confusa,
ela usa e abusa
assim que o dia se acorda
ou então só lança o charme
faz barulho, faz alarme
até que o outro desarme
e engula sua corda!

Notei isso logo assim
que ela sorriu pra mim,
na mesa do botequim
e se pois a me encarar;
porém eu sou mais atroz,
um astuto albatroz,
e vou dar diversos nós
na corda que ela me dá!

João Pessoa, 11/04/2010.

Desce desse pé, menino!



Lá do alto daquela goiabeira ele enxergava toda a extensão da rua e, extrapolando estes limites, observava também as vias circunvizinhas.

Lá, onde o menino gostava de ficar, o vento ainda não podia ser flagrado ao deflagrar uma nuvem de formato estranho e nem o portão da fábrica de nuvens podia ser vislumbrado; mas, segurando naqueles galhos que dançavam ao ritmo que a brisa imprimia a copa da árvore, o infante sentia-se como fosse parte do céu.

Chegava, às vezes, a quase soltar aqueles galhos tortos para se abraçar a um passarinho que revoasse por perto.

Mal gostava de goiabas, mas todo dia religiosamente subia naquele pé.

Ah! E como o menino gostava de ficar ali... Às vezes passava a tarde inteira, equilibrista vigoroso, só esperando que o sol se deitasse em sua cama (que ficava pra o lado da rua de baixo) enquanto a lua se acendia no centro do céu.

Porém os mais velhos não o entendiam e assim o censuravam. Quantas vezes sua avó, seus pais ou mesmo um vizinho não o reprimiu. Já o menino, na pureza de sua alma, pensava: “Como deve ser triste ficar velho e esquecer o quanto é bom subir num ‘pé de qualquer coisa’ bem alto pra sentir os ventos da liberdade chacoalharem tudo o quanto há de bom no peito da gente.”

****************
E deveras é muito triste sim! Cresci e há tempos que não subo num “pé de árvore”. Em algum momento da minha vida eu esqueci de me lembrar do quanto isso era bom.

Fiquei velho e, cada vez mais, meu espelho mostra algo parecido com meus pais...

Sinto saudades da minha molequice. Preciso sair na rua. Preciso subir numa árvore... alguém aí quer caju? Tomara que os galhos me agüentem. Volto já!


“Menino desce daí,
não vê qu’isso é arriscado;
desce pra tu não cair
e ficar todo empenado;
desce ligeiro senão
chamo teus pais e então
você vai ser castigado!”

Assim sua avó dizia
quando ao lhe procurar
trepado em cima de um pé
dava por lhe encontrar:
pé de manga, carambola
cajarana, graviola
pitomba, caju, cajá...

Mas subir num pé de fruta
pr’um coração de menino
é voar na catapulta
e, de Deus, tirar um fino;
é o auge da aventura
alcançar tamanha altura
mesmo sendo pequenino!

Mas sua avó não sabia,
ou talvez não se lembrava,
do torpor e a alegria
que estar lá encima dava
e por isso reprimia
o menino que subia
e de lá não se arredava!

Enquanto o moleque mouco
no cume daquela copa,
tendo a sensação de ver
até parte da Europa,
voava em seus pensamentos
vendo as nuvens e os ventos
batalhar com suas tropas!

João Pessoa, 11/04/2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Na mansão que a rosa vive



Não me dê tanto carinho;
não cuide tão bem de mim;
não me faça este charminho;
não fale baixinho assim;
não me lance estes sorrisos;
não me dê tantos motivos;
por favor, não me cative;
pois é certo minha queda,
que o espinho não se hospeda
na mansão que a rosa vive!

Seu olhar é fascinante,
seu sorriso me enfeitiça
e a sua voz ressoante
piora minha doidiça.
E se eu seguir te gostando
vou estar me aventurando
onde ninguém sobrevive,
vou pular sem pára-quedas,
que o espinho não se hospeda
na mansão que a rosa vive!

Mas acho que vale o pinho
tentar te fazer feliz;
pois, se hoje sou espinho,
ser flor um dia eu já quis
e eu vou me empenhar
pra o amor, de mim, gostar
e que assim me adjetive
em algo que te arremeda,
que o espinho não se hospeda
na mansão que a rosa vive!

João Pessoa, 06/04/2010
Mote de João Paraibano

Glosas de Jessé Costa

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Teu Rosto



Tuas sardas são estrelas
fugidas do firmamento
que encontraram aposento
por entre tuas orelhas
e à sombra das sobrancelhas
mais lindas do universo
mora um olhar perverso,
perverso por ser tão belo;
e eu nessa visão congelo,
perco o verbo, perco o verso...

Teus olhos são duas luas
que alumiam tua face
e se o teu sorriso nasce
ilumina toda a rua;
tua tez espalha, nua,
o tom da tua emoção
e estas tuas sardas são
estrelas num céu de agosto
que desenham em teu rosto
a tua constelação!

João Pessoa, 02/04/2010.

terça-feira, 30 de março de 2010

Feições que Tapeiam


Cuidado, não julgue alguém
olhando só a voluta,
pois o terno que ele tem
e a primorosa conduta
dissimulam sua essência
e detrás dessa aparência
se esconde um fela da puta!

Não queira julgar ninguém
logo assim que bate a vista,
pois um vigário também
pode ser um terrorista
e um seguidor do alcorão,
chêi de mala no saguão,
pode ser só um turista!

Assim não faça juízo
se não conhece o rapaz,
pois o seu jeito de liso
esconde a grana que trás
e foi julgando que a cruz
levantou-se com Jesus
ao invés de Barrabás!

Lembre-se: Buda era gordo,
Gandhi era esmolambado,
Madre Tereza fraquinha,
Frei Damião envergado,
o PT era do povo,
Collor bonitinho e novo...
E tá dado meu recado!

João Pessoa, 30/03/2010.

domingo, 28 de março de 2010

Aviãozinho de Papel



Desenhei meu coração
num pedaço de papel,
fiz da folha um avião
depois sacudi no céu
e o avião turbinou-se,
para o espaço danou-se
mais veloz que um corcel!

Foi alto pra ter mais vista
e assim lá procurar
dentre todas qual a pista
que lhe serve pra pousar
e só não desceu ainda
por ter muita pista linda
querendo lhe aterrissar...

Este avião de papel
no espaço sideral
se gravita em carrossel
buscando em terra um sinal,
arrudeando o planeta
como que fosse um cometa
ou um ser celestial

Sem perder de vista o mundo
e também as belas pistas
segue seu vôo fecundo
sozinho, como os autistas,
carregando em sua face
um coração que renasce
pronto pra novas conquistas!

João Pessoa, 28/03/2010.

Iluminado



Foi começando outro dia
e nele o carro do sol
subiu rasgando o arrebol,
com a luz que principia,
e então a profecia
do profeta infiel
surgiu bem neste painel
sem ninguém nem perceber:
o sol deu a luz a um Ser
que então caiu do céu!

Nasceu um iluminado,
filho do astro solar,
capaz de alumiar
o temporal mais nublado
e este Ser encantado
teve do sol a missão
de vagar sem direção
pelos caminhos da terra
salvando quem se aterra
nos poços da escuridão!

Este Ser, sã criação
que rezou a profecia
não mais é que a poesia
que ilumina um coração,
filha do sol, a visão
d’um mundo “primaverado”
onde o sombrio é fadado
a morrer na indireta
dos traços de um poeta
e seu Ser iluminado!

João Pessoa, 28/03/2010.

sábado, 27 de março de 2010

Dou um doce...



Você pode até falar
e fazer minha caveira
esquentando minha orelha
de tanto me difamar,
mas você perceberá
que seus tiros de festim
não vão te levar a um fim
e eu tou pagando pra ver:
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Da minha vida sumiste
como uma fugitiva
e usaste a prerrogativa
de ainda estar muito triste,
porém logo mais se vistes
nos braços de outro afim
usando esse arlequim
pra tentar me esquecer!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Mudaste como quem muda
de sutiã e calcinha
pensando ser nesta linha
que passa o trem da ajuda,
porém se alguém te estuda
vê que não é bem assim
e nem um Marcos Pasquim
irá te satisfazer
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Pois nas noites de luar
mesmo que com outro estejas
notarás que o que desejas
é do meu beijo provar
mas só poderás beijar
a boca de um manequim
e verás o quanto é ruim
amar e não poder ter!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

João Pessoa, 27/03/2010.
Mote de Wellington Vicente
Glosas de Jessé Costa

domingo, 21 de março de 2010

Carta ao Cupido



Um homem entra no bar tendo nos olhos uma expressão intensa, porém vaga. Solitário ele afunda numa cadeira e roga ao garçom por uma dose de cachaça! (Como pôde ela tê-lo deixado? Como pôde aquele homem, outrora tão forte, estar tão fraco?)

Já se passaram duas horas desde que ele adentrou no recinto e já se foram duas garrafas de cachaça...

O homem, então, pede ao garçom um retalho de papel. Está bêbado e mais poeta do que nunca. Está decidido: vai escrever uma carta!

É então que o ébrio poeta começa a inundar de tristezas, derramadas nos traços do grafite, aquele pedaço de papel. Ele escreve com a voracidade de quem muito esperou e pouco tempo tem. Ele escreve sem parar, mal respirando. Sua dose agora continua no copo, sem a menor pretensão de ser consumida. Ele apenas escreve, escreve e escreve...

Desta forma, sem fazer uso do sobejo de sanidade que lhe restava, ele compõe esta epístola para o tal cupido, que tanto o fizera sofrer:


Ilustríssimo arqueiro,
gostaria de saber
por que desferiste a flecha
que hoje me faz sofrer?
Será que eu merecia
amar quem não me queria
ou será que foi você
que esqueceu de alvejar
e assim fazer me amar
quem me fizeste querer?

Sublime senhor cupido,
eu tenho toda razão
de estar aborrecido
com esta situação,
pois depois da tua flechada
não vejo graça em mais nada
que não me lembre daquela
que tu displicentemente
colaste em minha mente
sem me colocar na dela...

Agora veja você,
analise a conjuntura,
hoje eu vivo a beber
afogando a amargura
no álcool, esse elixir
que me ajuda a reprimir
a imensa dor que carrego
por não ser o detentor
da dona do meu amor,
da flor que eu tanto rego!

E assim, divino ser,
deixo-lhe aqui minha queixa
torcendo pra o senhor ler
e lendo, então, que se mexa;
pois no ponto em que me encontro
logo mais me desencontro
da razão de se viver
e eu digo: Falta bem pouco
qu’eu já tou ficando louco
e escrevendo pra você!

PS.: Senhor cupido
deixo uma sugestão
não desfaça seu encanto
só conclua sua missão!
Pegue uma flecha amarela
escreva meu nome nela
e arremesse no meu bem
pra que ela se derrame
e para que sempre me ame
como eu a amo também!

João Pessoa, 21/03/2010.

domingo, 14 de março de 2010

O Parquinho


Desce um sonho de menino
no escorrego da lembrança
quando o tempo, sem destino,
deixava-nos ser criança!

Sobe e desce um sorriso
na gangorra da memória,
um pretérito preciso,
pedaço de nossa história!

Vai e volta à esperança
num balanço de saudade
daquela inocência mansa
cheia de felicidade!

E a toda velocidade
gira a roda do passado,
onde o medo e a liberdade
caminhavam lado a lado!

João Pessoa, 14/03/2010.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fulô do Flamboyant



Oh fulô do Flamboyant!
Enfim tu desabrochaste;
tão rubra, porém tão sã,
que o caos do dia acalmaste!

E quem passa nesta praça,
ao te ver, logo já sente
todo torpor que transpassa
do teu encarnado ardente!

Já tu (Oh linda fulô!),
nos olhares, perseguida;
acentuas tua cor,
de vergonha, enrubescida!

Mas, fulô do flamboyant,
não se ponha envergonhada
por ser a fulô terça,
no outono, tão sonhada!

Pois logo o triste inverno,
teu vigor, irar ceifar
até que volte o outono
pra, de novo, de pintar!

E eu aqui sabendo disto,
com o coração na mão,
rogo-te e peço o visto
da tua compreensão!

Peço-te, sem hesitar,
linda flor do Flamboyant:
Deixe eu viver a te olhar
enquanto houver amanhã!

João Pessoa, 11/03/2010.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ela!

Ela é assim tão meiga
que a todo mundo conquista.
Seu riso torna manteiga
o peito que à avista!
Seu olhar é vida pura.
Em verde ela é madura,
em azul ela é serena,
para o mundo ela é um anjo
e ao coração do marmanjo
é lei que prende e condena!

Ela é dessas raridades:
uma mulher obra-prima!
Ela cresceu sem maldades,
tem a alma de menina!
Ela é toda amorosa,
doce, terna, carinhosa,
etc. e coisa e tal...
Ela é sorriso no tédio!
Ela é o melhor remédio
pra qualquer tipo de mal!


João Pessoa, 09/03/2010.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eu corri porqu'era mole



Alaíde, Adalgisa
Alessandra, Aletéia
Angelita, Albenisa
Araceli e Andréia
Adriana, Adelina
Adelaide, Afonsina
Arenice e Arlete
Anatole, Aureliana
Aparecida, Alana
Ariovanda, Anete!

Bárbara, Benta e Bete
Bianca, Brenda, Belina
Berenice, Bernadete
Bruna, Branca, Bernadina
Cacilda, Carla, Carlene
Claudenice, Claudilene
Cleide, Clécia, Cleonice
Clementina, Cris, Chaiane
Coralina, Cristiane
Cremilda, Creusa, Clarisse!

Dagmar, Dâni, Daiane
Dafne, Dalva e Darlene
Débora, Délia, Diane
Dioclécia, Dulcilene
Dejanira, Darcivana
Denazaide, Deliana
Dilma, Diva, Divinéia
Derci, Desirré, Dantela
Deodora, Daniela
Dora, Deise, Dulcinéia!

Edilaine e Efigênia
Eleonora, Eloísa
Érica, Edna, Ênia
Ermelinda, Ema, Elisa
Emanuelle, Emeline
Expedita, Eveline
Etiene, Erundina
Eunice e Elisete
Edineusa, Elisabete
Eleutéria, Etelvina!

Fabiane, Filomena
Flávia, Flúvia, Florentina
E tem mais uma centena
E essa lista não termina
Me confesso um mequetrefe
E parando pelo "efe"
Digo: foi mulher a fole
Foi mulher até o Z
Que queria o meu querer
E eu corri porqu'era mole!

Timbaúba, 01/03/2010.

sábado, 6 de março de 2010

A Peleja de Biuzin com a Morte

No interior dos roçados
Tem cada coisa maluca,
Cada causo do encantado,
Mal-assombro de arapuca,
Qu’eu sempre fico espantado
Como que um semi-letrado
Tem tanto tino na cuca!

E Biuzin é um desses seres,
Matuto muito do astuto,
Que quando sem afazeres
Puxa do seu cocuruto
Uma estória encantada
Muito bem fantasiada
Dando-lhe novo atributo!

Eu vou lhes dar uma amostra
Das estórias que ele conta,
Onde a criatividade
Segue muito além da conta
E esta estória é bem forte,
Pois conta o dia em que a morte
Tentou fazer-lhe uma afronta:

A morte chegou num sonho
Que Biuzin teve outro dia
E com seu jeito medonho
Quis lhe fazer companhia,
Mas Biuzin sem embaraço
Deu-lhe um pau, deu-lhe um regaço
Que a morte quase morria!

Ele me contou a arenga
Que no sonho aconteceu,
Disse que sem lenga-lenga
A morte lhe apareceu,
Veio em sua direção
Com uma foice na mão
E um capuz da cor do breu!

Disse que ele não abriu,
Nem sequer se arrepiou,
Olhou pra ela, grunhiu,
A sua faca puxou;
Esperou (dando-se ao luxo)
E deu-lhe a faca no bucho
Quando ela se aproximou!

Disse então que alí a morte
Arregalou dois oião,
Colou as mãos no corte,
Que a foice caiu no chão,
Olhou pra ele com medo;
Sussurrou, mexeu o dedo
E sumiu de supetão...

Emendou que a tinhosa
Antes de se escafeder
Sussurrara melindrosa
Que não iria volver,
Pois era uma morte fraca
Pra enfrentar sua faca
E fazer ele morrer...

-Eita sonho sem noção!
Eu de besta ainda disse,
Mas Biuzin falou: “Pois não
Parece até maluquice...
Pois quando eu me acordei
No chão do quarto encontrei
Esta foice aqui, já visse...?”

João Pessoa, 06/03/2010.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Essência

O ser humano é feito de medos
Medos do dia ou medos da noite
Medos traumáticos ou medos ledos
Medos do afago ou medos do açoite!

O ser humano é feito de dores
Dores agudas ou as dores crônicas
Dores do ócio ou as dos labores
Dores concretas ou dores platônicas!

O ser humano é feito de sonhos
Sonhos pequenos ou sonhos gigantes
Sonhos sensatos ou sonhos bisonhos
Sonhos plausíveis ou sonhos distantes!

O ser humano é feito de amores
Desde os mais vis ou amores totais
Amores mato ou amores flores
Amores sós ou amores plurais!

O ser humano é feito de medos!
O ser humano é feito de dores!
O ser humano é feito de sonhos!
O ser humano é feito de amores!

João Pessoa, 04/03/2010.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Peças de Lego

Aos cinco meses de namoro de Ícaro e Thais.

O amor é como um “lego”
Onde as peças se encaixam
e mesmo as mais excêntricas
outras excêntricas acham!

Quem diria a cinco meses,
sem piadas escutar,
que aquela peça solta
encontraria seu par?
Pois não é que aconteceu,
que outra peça apareceu
e os dois se acoplaram!
E o encaixe é tão perfeito
que não deu pra achar defeito
nesses meses que passaram!

Estas duas peças juntas
formam o ajuste ideal
sem interferência ou folga
se completam por igual
e da forma que estão
não se desencaixarão
nem sequer por um instante
pois sabem das suas sortes,
de que juntos são mais fortes
e irão bem mais distante!

João Pessoa, 24/02/2010.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Superego

Poeta! Pára com isso!
Levanta tua cabeça!
Viver é seu compromisso,
Não deixe qu’ele esmoreça!
Olha quanta coisa bela
Passa na tua janela
E toca na tua alma.
Poeta! Bola pra frente
Que a vida não espera a gente
Ela segue e deixa o trauma...

Poeta! Uma coisa é certa:
Sofre-se pra evoluir!
Os traumas sãos os degraus
Que nos permitem subir!
Um trauma bem superado
Morre no tempo passado!
Poeta presta atenção:
Auto-estime seu juízo,
Destraumatize o sorriso
Que as coisas se ajeitarão!

João Pessoa, 21/02/2010.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Estes Sonhos!

Já não agüento sonhar
Sonhar com essa senhora
Sonhar e chorar dormindo
Despertando de hora em hora
Estou com medo dos sonhos
São cada vez mais tristonhos
E estão a me definhar
E eu peço a Deus toda noite
Pra me poupar desse açoite
Não me deixando sonhar!

Não sei mais viver sozinho
Por isso que sofro assim
Triste, envergando todinho
Não mais ligando pra mim
E até aí eu agüento
Mas esse sonho é um tormento
Que vem me deixando louco...
Como que eu posso dormir
Se eu sei que ela vai surgir
E eu vou morrer mais um pouco?

Deus, só me deixe sonhar
Com coisas boas, candura...
Morfeu tu és deus dos sonhos
Poupe-me dessa tortura...
Morfeu me dá tua morfina
Faz que outra mulher-menina
Habite nos sonhos meus;
Quero minha paz de volta
Por favor, sonho, me solta
E quando for: - Vai com Deus!

João Pessoa, 20/02/2010.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Férias Transversais da UFPB

É um luxo incomum
Ter férias na federal
E desde que lá entrei
Nunca tive folga igual
Porém mesmo ainda assim
É um tanto quanto ruim
Ter repouso em fevereiro
Se, no mundo, toda gente
Já esta de volta ao batente
Pois folgaram em janeiro!

Agora veja você
Que mesmo que seja pouco
Quando a trégua acabar
Volta à vidinha de louco
De aspirante a engenheiro
Que se ferra o curso inteiro
Que se mata de estudar
Por isso aproveite as férias
Não chore poucas misérias
Que as aulas tão pra voltar!

João Pessoa, 19/02/2009.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Índio e a Mulher

Eu admiro a mulher
quando sai pra paquerar:
passa quase duas horas
só para o rosto pintar.
Pois vejam só se não é:
somente índio e “mulé”
se pintam pra ir caçar!

João Pessoa, 17/02/2010.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Estranho Passarinho

Eu nasci um passarinho
que no mundo voa leve
pousando de ninho em ninho
sempre sendo muito breve!
Gostava da liberdade
de voar na imensidade
e assim era feliz...
Pelo mundo ia voando,
vivia sempre cantando
na vida que sempre quis!

Mas um dia de bobeira
avistei algo no chão,
fui olhar o que é que era
e caí no alçapão...
E de lá eu fui levado
pr’um estranho engradado:
uma gaiola pequena,
onde logo no começo
eu busquei a todo preço
escapar daquela pena!

Mas o tempo foi passando
e eu não via resultado
em ficar me desgastando
com o gênio revoltado
e assim fui aceitando
aos poucos me adaptando
vendo pontos positivos,
vendo a realidade:
“Comida tem a vontade!
Vou fugir por que motivos?”

O tempo puxando tempo
puxou um ano e dois meses
e eu já voltara a cantar
mais feliz que em outras vezes!
Minha vida era perfeita,
era essa a receita
da real felicidade:
viver sem preocupação
tendo tudo em minha mão
sem maior dificuldade.

Porém algo aconteceu
sem aviso, sem ter hora,
alguém abriu à gaiola
e me colocou pra fora!
Eu fiquei atordoado
embaixo dela parado
sem saber o que fazer.
Queria voltar pra dentro
mas a portinha no centro
não me deixava volver!

Desta forma eu fiquei
livre, com minha soltura
porém sem saber viver
numa vida “a natura”!
Então fico aqui sozinho
embaixo do antigo ninho
nutrindo falsa esperança
que a gaiola se abrirá
e que tudo voltará
àquela velha andança!

Fico aqui me recordando
da minha vida de rei
e tudo aquilo foi bom,
mesmo os quilos que ganhei!
E é por isso que reluto
em desistir do reduto
que aprendi a adorar
e assim eu vou ficando:
esperando e esperando
sem nem pensar em voar!

Porém sei que algum dia
eu enfim irei notar
qu’a gaiola bem fechada
para sempre irá ficar
e cansado da miragem
terei que tomar coragem
d’encarar a imensidão,
alçar vôo novamente;
pra quem sabe, de repente,
cair n’outro alçapão!

Timbaúba, 13/02/2010.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lembrando das Flores

Hoje o que mais me arrasa
é não saber ter rancores
pra conseguir esquecer
todo este amor e suas dores
pois no escuro e sozinho
Poeta não lembra espinho
só se recorda das flores...

Muito mais fácil seria
se acaso eu não fosse assim
e conseguisse lembrar
somente do que foi ruim
porém só lembro de amá-la
e a cada noite isso abala
e arrasa um pouco de mim...

João Pessoa, 10/02/2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Essa Mulher

Essa mulher tem um “Tchum”
Qu’eu não sei o que é que é
Só sei que só ela tem
Esse... "Tchan", esse... “Tcheré”
E só basta eu pensar nela
Pr’arrepiar a canela
E os cabelos do meu pé

Essa mulher tem um “Afff”
Eu nem sei dizer direito
É um... “Pluft”, é um... “Plaff”
Que chega me esquenta o peito
Essa mulher não é bela,
A beleza inveja ela
E quer ser do mesmo jeito!

João Pessoa, 08/02/2010.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bloco do eu Sozinho

Neste carnaval eu vou
Botar minha fantasia
Vou seguir qualquer orquestra
Que “frevorizar” folia
E sem perder o compasso
Vou demarcar meu espaço
Sendo a minha envergadura
E a mulher que nele entrar
Num só beijo perderá
Qualquer traço de candura

Neste carnaval eu vou
Vou fazer o qu’eu quiser
Vou dançar frevo à vontade
Num vestido de mulher
Vou curtir a mocidade
Pelas ruas da cidade
Seguindo agremiações
Com o coração sem foco
Conquistando em cada bloco
Outros tantos corações!

João Pessoa, 06/02/2010.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Equilíbrio

Tudo muda, até mesmo a surda-muda!
Com o tempo tudo acaba por mudar...
É a vida, é a nossa natureza;
Universo buscando se equilibrar
Um equilíbrio que altera os dois lados
Mesmo qu’esses não quisessem se altear
São mudanças que por vezes não têm graça
E se acaso um dos lados não gostar
Tudo passa, até mesmo a uva-passa!
Amanhã ele nem mesmo vai lembrar...

João Pessoa, 05/02/2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Desabafo de um Super-Herói

Tenho a força de um colosso
Ainda assim não consigo
Desatar o nó que amarra
As palavras que hoje digo:
Desde que perdi o abrigo
Qu’eu tinha no teu abraço
Toda proeza qu’eu faço
Já não faz mais diferença
E assim já não compensa
Ser feito de puro aço...

Pra que vou querer voar
Se quando perto da lua
Mais uma vez vou lembrar
Da minha boca na tua?
E a super velocidade
Perdeu sua utilidade
Pois nem mesmo contra o vento
Na minha maior carreira
Quebrando todas barreiras
Não voltaria no tempo...

Mas o que mais me maltrata
São os meus super sentidos
Pois com minha dor de amor
Um mortal tinha morrido
Amar assim como eu amo
É algo sobre-humano
Que nem dá pra explicar
Basta dizer que isso dói
E mesmo um super-herói
Não escapa de chorar!

João Pessoa, 04/02/2010

Se eu Fosse Dono do Mundo

Se eu fosse dono do mundo
Eu iria assim geri-lo:
Pra cada ronco de bucho
De pão doaria um quilo
Pra cada falta de teto
Moradia e asilo.

Se eu fosse dono do mundo
Era outra a humanidade
A morte só levaria
Quem fosse ruim de verdade
E ninguém mais morreria
Por passar necessidade

Se esse mundo fosse meu
Tinha outra conjuntura
Eu acabaria as guerras
Mudando a agricultura
Pois se eu só plantasse amor
Só se comia ternura!

Mas o mundo não é meu
E no fundo, lá no fundo,
Não vale muito sonhar
Se não o sonhar, Raimundo,
Qu'o mundo só vai mudar
Se mudarmos, todo mundo!

João Pessoa, 02/02/2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Suave Vetustade

Eu quero filhos, tou pensando em oito
Todos nascidos da mais bela flor
Quero também ouvir o som “vovô!”
Sair da boca de um moleque afoito
Quero aos oitenta ostentar dezoito
Tendo a saúde e vigor de um menino
Quero ter o amor mais genuíno
Ser um pai exemplar, avô correto
Super herói aos olhos de um bisneto
Ser um Zegino, um bravo nordestino!

Eu quero a sorte de driblar a morte
E assim ter tempo pra viver a vida
Eu quero uma história parecida
Co’a deste homem tão franzino e forte
Quero envelhecer mantendo o porte
Vendo concretizarem-se meus planos
Atropelando mágoas, desenganos
Sem deixar o sorriso esmorecer!
Pra resumir: quero um dia crescer
E ser vovô em seus oitenta anos!

João Pessoa, 22/01/2010.