segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O que vale a pena
















Que o tempo me permita
Só ter o que vale a pena
Com a alma sempre amena
Sempre livre de desdita
Que a manhã nasça bonita
Que a paixão seja bem-vinda
Que a noite caia bem linda
Que o amor seja constante
E quando eu tiver bastante
Qu’eu não queira mais ainda!

Dublin, 31/10/2012.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Soneto do colar que segura o infinito















Um estranho sorriso hoje me toma
e me teima em manter-se assim aberto,
encharcando de vida o hostil deserto
da minh’alma que estava quase em coma.

Se a distância divide – hoje me soma
e meu riso se encontra tão desperto,
qu’é capaz de rasgar, quando ela perto,
ao sentir novamente o seu aroma.

Se o destino nos deu mais essa chance
se fazer renascer nosso romance
que, por vezes, findou tão mal escrito.

Dessa vez eu vou encontrar o jeito
de ser qual o que ela leva ao peito:
Um colar que segura o infinito!

Dublin, 26/10/2012.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Frase de Efeito












O feito pelo não feito,
O dito pelo não dito
E uma frase de efeito:
Acabou-se o infinito.

Dublin, 25/10/2012.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cadeira bamba















Se, pra ti, tudo é passado;
Se passou meu apogeu
E tu tens que gritar alto
Que não tens mais nada meu:
Grite, mas saiba – Caramba! –
Sou uma cadeira bamba
Mas meu colo ainda é teu...

Dublin, 19/10/2012.

sábado, 13 de outubro de 2012

Incidental do Amanhecer Irlandês













Nasce o sol atrasado, quase às oito,
Sem fazer diferença frente ao frio
E um vento sai dando rodopio
Com a névoa, dançando um tanto afoito.
A gaivota no céu, após o coito,
Voa alto e feliz, dando risada.
Dorme um ébrio deitado na calçada
Encostado em alguma propaganda
E começa outro dia na Irlanda:
Pelo menos não tá chovendo nada!

Dublin, 13/10/2012.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mais jeito












Você que anda falando
Com tanta convicção,
Não seja tão desumana
Com quem te fez devoção;
Tente, ao menos, ter mais jeito
Ao escarrar no meu peito
E esmagar meu coração!

Dublin, 05/10/2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Só queria mesmo ver















Só queria mesmo ver
Depois de tudo acabar,
O que vai ser de você,
Quando a saudade chegar
E não me ver do teu lado
Pra não deixá-la entrar!

Dublin, 02/10/2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Sextilha em Inglês

(Dedicated to my pain ankylosing spondylitis - Dedicado a dor da minha Espondilite Anquilosante)











When my very weak breathing
Can't breathe nothing more
I don't want anyone crying
Or even regretting a sore
Just open their smiles
Let the sunshine cross the door!


Tradução:

Quando minha fraca respiração
Não poder respirar mais nada
Não quero ninguém chorando
Ou mesmo lamentando uma ferida
Apenas abram seus sorrisos
Deixem a luz-do-sol atravessar a porta!

Dublin, 30/09/2012.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sextilha - De tanto comer cocada











Nesses dias, cá na Irlanda,
Sinto uma falta danada
De desengasgar a goela
Bebendo água gelada
Depois de me entalar 
De tanto comer cocada!

Dublin, 28/09/2012 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Do mesmo jeito












Mesmo há muito sem te ver
Por seguir vagando a esmo
Meu sorriso, ao te rever,
Haverá de ser o mesmo!

Mesmo sem sermos “a gente”
Mesmo com tudo desfeito
Meu sorriso, inconsciente,
Vai sorrir do mesmo jeito!

Dublin, 25/09/2012.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Cair mostrando o rego









Esperei um arco-íris
Depois do meu desemprego
Fui então pra cima dele
E desci pelo escorrego
Jurando que havia ouro
Mas só fiz ralar meu couro
E cair mostrando o rego!

Dublin, 20/09/2012. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Teu cafuné











O teu cafuné me bole
Me fole, me desconcerta
Flerta minha paz num gole
Me faz mole, me esperta 
Me aperta e eu: Me sole
Assole e me rocambole 
Só não deixe a porta aberta!

Dublin, 17/09/2012.

Se eu fosse a reticência















Se eu fosse a reticência
De tudo que não lhe digo
Eu esticaria um ponto
Encurvado no umbigo
Emendava o resto e então
Formava a interrogação
D’um: Quer namorar comigo?

Dublin, 11/09/2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vaga de Amante


Gerúncio;  com 21 anos, ainda donzelo e os hormônios na eminência de sair pelas orelhas, ouviu dizer que Dona Macedônia (morena respeitosa e graúda, daquelas de travar os olhares nas calçadas) tinha sido promovida a MILF e aberto vaga pra amante, desde a fatídica morte de Ticiano Bengala, encontrado excitado e morto no motel C-kisabe.

Prontamente, Gerúncio correu na bodega de seu Biduca; pediu uma branquinha, papel e caneta, e redigiu seu currículo encordelzado:

Jovem, sadio e "dez ano"
Alto, másculo e galante;
Nem tão sério como um sapo,
Mas nem tão comediante;
Potente, viril varão
Se põe a disposição
Para a vaga de amante!

Graduado em aguentar
TPM e Menopausa
Com “pós” em “como escutar
e sempre lhe dar a causa”
Incapaz de reclamar
Sempre que você chamar
Qualquer "já vou" ele pausa!

Almeja por pagamento
Bem dizer um “quase nada”
Só dividir o lençol
Por dentro da madrugada
Grunhindo feito um mascote
Cafungando no cangote
Da patroa arrepiada!

PS.: Possui habilitação tipo B e uma CG 1993.


Dublin, 17/09/2012.

sábado, 15 de setembro de 2012

Esse vento que derruba
















Deixem que seja difícil,
Pois o medo não m’espanta.
Esse vento que derruba,
Quando bate, me levanta.
Ninguém nunca vai saber
Dos nós na minha garganta!

Dublin, 15/09/2012

Incidental de Paquera











Caminhando num palco iluminado
Teu sorriso reluz pra tudo quanto
Estrelando com todo seu encanto
O meu filme: Um bobo atrapalhado
E de tanto qu’eu fico abestalhado
Fui capaz de matar sem nem rancor
Uma pobre inocente de uma flor
Que te dei como amostra inconsciente
Do tamanho que fico inconsequente
Quando vejo teu riso encantador!

Dublin, 15/09/2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Não sobra “sentir falta” pra nada











Eu até sinto falta de sentir
O suor escorrendo na quentura;
Sinto falta também da rapadura
E da broa sem água pra engolir;
Eu até sinto falta de ouvir
Um forró, um repente, uma toada...
Mas, se lembro de ti, tudo s’enfada
E não resta mais nada fora o pranto,
Pois a falta de ti sinto d’um tanto
 Que não sobra “sentir falta” pra nada!

Dublin, 27/08/2012.

Céu de gaivotas










Quando quis criar asas e voar
Eu queria poder sair do chão
Mas agora daqui da imensidão
Vez por outra me falta onde pousar

Deus me livre eu querer me engaiolar
Mas voar tanto e tanto, não sei não;
Bate a falta do chão do meu torrão
E o daqui nem faz graça comparar

Entretanto voei, de banda em banda,
E parado no céu daqui da Irlanda
Sou só um passarinho forasteiro

Mas no céu onde só se vê gaivota
Quando canto, quem ouve logo nota:
Olha lá um canário BRASILEIRO!

Dublin, 27/08/2012.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Plantando bananeira











Quando meus pés se cansarem
Na subida da ladeira
Hei de demonstrar pr'o mundo
Que não tou pra brincadeira:
Viro sem fazer careta
Vou plantando bananeira!

Dublin, 15/08/2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

Na força dos meus passos









Mesmo estando tão distante
como nunca nessa vida;
mesmo que o mapa mundi
desengane na medida;
mesmo sem poder surgir
pela sala e imprimir
no senhor vários abraços;
Pai, lhe sou pra sempre grato,
pois te tenho em cada ato
e na força dos meus passos!

Dublin, 12/08/2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dublin - Episódio1: Espantando a saudade











A lapada de frio nem incomoda
nessas ruas que nunca vi na vida,
o que tem me bulido é a ferida
da saudade que vem deixando noda.
Sei qu’é feio dizer, mas digo: é foda,
a garganta só vive dando nó.
Meu Deus sabe e até ele sente dó,
mas d’estar, quando sempre, eu dou meu jeito:
Diminuo a saudade do meio peito
me lembrando e cantando um bom forró!

Dublin, 08/08/2012.

Sextilha da saudade de assalto














Essa saudade não bate,
Chega derrubando a porta
Dá-lhe no meu pé-de-ouvido
Minha auto-estima entorta
E depois sai feito bala
Deixando no chão da sala
Uma alma quase morta!

Timbaúba, 11/07/2012.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Saudade até a canela














Seriamente lesionado
Ferido da falta dela
Meu coração já mal bate
Dentro da minha titela
E o sangueiro da saudade
Já tá dando na canela!

Timbaúba, 20/07/2012.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sextilha em cantada












Onde o céu deita na terra
Onde o horizonte finda
Onde a vista se encerra
Muito mais pra lá ainda
Vai à extensão do tanto
E do quanto que sois linda!

João Pessoa, 13/07/2012.

Meu dizido Timbaubense














Cá na terra onde nasci
Prostituta chama quenga,
A virgindade é cabaço,
Mau discurso é 'lenga-lenga',
Desconhecido é 'boyzinho',
Medo é 'se cagar todinho'
E discussão é arenga!

Ninguém corre, dá carreira,
Se cair “se estrupia”
Quem “se rala” aqui ‘se rela’
Quem tem pressa diz ‘avia’
Quem é lerdo é ‘mêi-da-lua’
Ir ao centro é ir ‘na rua’
E o ‘olha só!’ é ‘mai-pia!’

Mal resolvido é pendenga
Formiga grande é saúba
Pouco caso é 'nem tchuiú!'
Cabelão é mata ou juba
E estando certo ou errado
Tenho um orgulho danado
Porque sou de Timbaúba!

Timbaúba, 13/07/2012.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sextilha da vida manca











Eu fui correr da lembrança
Do nosso amor delinquente
Mas topei dando um bicudo
Naquele sonho da gente
E até hoje a minha vida
Manca sem andar pra frente!

João Pessoa, 10/07/2012.

domingo, 24 de junho de 2012

Incidental de festa de rua














Acho mesmo engraçado essa cambada
Que dá tanto valor à aparência
Buscam tanto esbanjar com opulência
Que nem notam que isso não diz nada
Qual pavões, cada um de cauda armada
Se afirmam nas marcas frente à massa
Mas que tolos pomposos e sem graça
Sou bem mais a camisa se rasgando
Do pinguço qu'está ali dançando
Agarrado ao seu litro de cachaça!

Timbaúba, 24/06/2012.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Coração cheio dos tei-tei













Esse meu coração abestalhado
Esse meu coração “chêi” dos tei-tei
Quando não diz que não, diz: eu não sei
Ou então só me diz: tá complicado...
Mas também eu entendo esse coitado
Tão pisado que foi, ficou com medo
E agora s’esconde d’outro enredo
De paixão raceada com amor
Mas um dia ele esquece dessa dor
Por enquanto, de fato, ainda é cedo.

João Pessoa, 07/06/2012.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Se você quiser por fogo









Coração, ainda acho
Que nós dois daremos certo
Que nós dois ficando perto
Inda tem amor no tacho
Deixe o medo, esse capacho,
Se lascar noutro terreiro
Vem pro ato derradeiro
Que se não prestar o jogo
Se você quiser por fogo
Eu mesmo acendo o isqueiro!

Deixe de ser orgulhosa
Não se arrede tanto assim
Pois se tu foges de mim
Não é de tão furiosa
É porque teu peito goza
Cheio de amor faceiro
Grude em mim, grude em meu cheiro
Que se nosso amor der gogo
Se você quiser por fogo
Eu mesmo acendo o isqueiro!

João Pessoa, 05/06/2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vem ser, mais eu, você











“Entre o vermelho e o verde: cinzas, brancos, rosas, pérolas e lilás”.  Essa frase do Poeta Zeto outro dia deu-lhe um murro na minha fuça que não foi brincadeira não. Entre o vermelho e o verde? Entre o pare e o siga... quantas possibilidades existem entre o certo e o errado? Cinza, brancos, rosas, pérolas, lilases, a mulesta toda! 

De fato, quando o semáforo da vida dá uma doida daquelas bem dada, pra que nos serve o vermelho e o verde? O Poeta Carlos Pena Filho, por exemplo, ao invés de vermelho ou verde, só se preocupava mais com Azul no mundo, como no seu “então pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas”. Ora, pra que, semaforaticamente, então, se ater ao vermelho ou ao verde? Ao parar ou seguir...

O Poeta Junior do Bode já dizia: “Cuia de Poeta cego tem verso de toda cor” e, Senhores, se além de Poeta eu mal-costumo me cegar de sentimentos... Dêem-me licença: que venham azuis, cinzas, brancos, amarelos, pérolas, marrons e todas as cores possíveis. Faz tempo que entreguei um pincel banguela e uns potinhos de tinta pro meu coração, e esse infeliz “Todo dia muda a cor do quadro da minha vida”. 

Um angustia cinza, uma saudade acastanhada, uma paixão vermelha, um luto preto, uma esperança verde, um sorriso amarelo, um amor azul, um brilho no olhar branco... que seja! Que “todo dia mude a cor do quadro da minha vida”.

Mas ainda entre o vermelho e o verde, mais uma vez, meu muito obrigado à Bruna Alves por ter colorido com sua voz acavaladamente bonita esses meus versos incolores.














Deixa clarear meu coração nublado...
Deixa que o amor entre por outro lado
O que há de errado
Em sonhar em ser feliz?

Quero teu sorriso me sorrindo inteira
Quero a minha a mais, bem mais que verdadeira
Ser tua primeira
E derradeira diretriz

O céu abriu pra esquentar meu peito
Vem ser, mais eu... nós dois de todo jeito
Vem me amar, vem me beijar, me endoidecer
Vem ser, mais eu, você!