segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Acordado













Acordei – hoje acordei! –
Seco como seco à rodo
Limpo das desilusões
Livre do antigo lodo
Pra correr atrás de tudo
Perdido esse tempo todo!

Dublin, 03/12/2012.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mostraste-me direitinho













Hoje, quando alguém me fala
Do quanto fui cego e burro
Busco em mim algum sussurro
Mas até ele se cala
Nada em mim mais assinala
Defender-te a pontapés
Só me restou o revés
Do silêncio que deixaste
Logo assim que me mostraste
Direitinho quem tu és!

Dublin, 22/11/2012. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sonho de passarinho











Tudo quanto a vida emprega
Como pedras no caminho
Só afeta aqueles sonhos
Dos que sonham miudinho
Porque pedras pelo chão
Nunca que empatarão
Os sonhos dum passarinho!

Quando a folha de um outono
Cair dançando ao meu lado
Mais na frente, olhando às horas,
Talvez pense no passado
E num cantinho de boca
Uma risadinha oca
Não me deixará calado!

Dublin, 20/11/2012.

sábado, 17 de novembro de 2012

Sorriso aberto, gritante.















Sorriso audível, gritante
- Mesmo que sorrindo mudo -
Não falas muito de mim
E, ainda assim, falas tudo!

Dublin, 17/11/2012.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Já no outro dia eu caso















No dia em qu’eu encontrar
A parelha do meu vaso
Nunca mais saiu da linha,
Nunca mais me extravaso
E se ela disser "sim"
Já no outro dia eu caso!

Dublin, 12/11/2012.

domingo, 11 de novembro de 2012

Mendigos de primeiro mundo
















Sinto pena da cegueira
Do alguém que dá um piu
Pra falar que o velho mundo
É um paraíso anil
Pois lhes digo, meus amigos,
Já cansei de ver mendigos
Pedindo e passando de frio!

Dublin, 12/11/2012.

sábado, 10 de novembro de 2012

Esperança de palhaço












Quem nasceu pra no circo ser palhaço
Nunca deve sonhar com bailarina.
Cada um tem no mundo sua sina
E conheço do passo o meu compasso.

Que meu riso, meu ouro, tão escasso,
Não consegue pagar coisa tão fina,
Sendo um reles palhaço que assina
Uma graça que beira ser fracasso.

Todavia, ao te ver, moça que dança,
Meu sorriso voltou a ser criança,
O meu peito saiu dançando valsa

E meu tudo ficou tão mais contente
Que, ainda, eu estando consciente,
Mergulhei nessa esperança falsa!

Dublin, 10/11/2012.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Culpa minha
















Minha culpa, culpa minha
Ter me deixado envolver
Por quem eu não posso ter
Por ter cruzado essa linha
Que chance eu pensei que tinha?
Até hoje ainda não sei...
Mas errei, sei que errei
E estou pagando o pato
Por querer comer no prato
Onde só quem come é Rei!

Dublin, 09/11/2012.

Entre meus dedos
















Na minha necessidade
De negar todos meus medos
De orgulhar a vaidade
E guardar os meus segredos
Vivi e nem vi o tempo
Escapando entre os meus dedos!

Dublin, 05/11/2012.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O que vale a pena
















Que o tempo me permita
Só ter o que vale a pena
Com a alma sempre amena
Sempre livre de desdita
Que a manhã nasça bonita
Que a paixão seja bem-vinda
Que a noite caia bem linda
Que o amor seja constante
E quando eu tiver bastante
Qu’eu não queira mais ainda!

Dublin, 31/10/2012.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Soneto do colar que segura o infinito















Um estranho sorriso hoje me toma
e me teima em manter-se assim aberto,
encharcando de vida o hostil deserto
da minh’alma que estava quase em coma.

Se a distância divide – hoje me soma
e meu riso se encontra tão desperto,
qu’é capaz de rasgar, quando ela perto,
ao sentir novamente o seu aroma.

Se o destino nos deu mais essa chance
se fazer renascer nosso romance
que, por vezes, findou tão mal escrito.

Dessa vez eu vou encontrar o jeito
de ser qual o que ela leva ao peito:
Um colar que segura o infinito!

Dublin, 26/10/2012.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Frase de Efeito












O feito pelo não feito,
O dito pelo não dito
E uma frase de efeito:
Acabou-se o infinito.

Dublin, 25/10/2012.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cadeira bamba















Se, pra ti, tudo é passado;
Se passou meu apogeu
E tu tens que gritar alto
Que não tens mais nada meu:
Grite, mas saiba – Caramba! –
Sou uma cadeira bamba
Mas meu colo ainda é teu...

Dublin, 19/10/2012.

sábado, 13 de outubro de 2012

Incidental do Amanhecer Irlandês













Nasce o sol atrasado, quase às oito,
Sem fazer diferença frente ao frio
E um vento sai dando rodopio
Com a névoa, dançando um tanto afoito.
A gaivota no céu, após o coito,
Voa alto e feliz, dando risada.
Dorme um ébrio deitado na calçada
Encostado em alguma propaganda
E começa outro dia na Irlanda:
Pelo menos não tá chovendo nada!

Dublin, 13/10/2012.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mais jeito












Você que anda falando
Com tanta convicção,
Não seja tão desumana
Com quem te fez devoção;
Tente, ao menos, ter mais jeito
Ao escarrar no meu peito
E esmagar meu coração!

Dublin, 05/10/2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Só queria mesmo ver















Só queria mesmo ver
Depois de tudo acabar,
O que vai ser de você,
Quando a saudade chegar
E não me ver do teu lado
Pra não deixá-la entrar!

Dublin, 02/10/2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Sextilha em Inglês

(Dedicated to my pain ankylosing spondylitis - Dedicado a dor da minha Espondilite Anquilosante)











When my very weak breathing
Can't breathe nothing more
I don't want anyone crying
Or even regretting a sore
Just open their smiles
Let the sunshine cross the door!


Tradução:

Quando minha fraca respiração
Não poder respirar mais nada
Não quero ninguém chorando
Ou mesmo lamentando uma ferida
Apenas abram seus sorrisos
Deixem a luz-do-sol atravessar a porta!

Dublin, 30/09/2012.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sextilha - De tanto comer cocada











Nesses dias, cá na Irlanda,
Sinto uma falta danada
De desengasgar a goela
Bebendo água gelada
Depois de me entalar 
De tanto comer cocada!

Dublin, 28/09/2012 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Do mesmo jeito












Mesmo há muito sem te ver
Por seguir vagando a esmo
Meu sorriso, ao te rever,
Haverá de ser o mesmo!

Mesmo sem sermos “a gente”
Mesmo com tudo desfeito
Meu sorriso, inconsciente,
Vai sorrir do mesmo jeito!

Dublin, 25/09/2012.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Cair mostrando o rego









Esperei um arco-íris
Depois do meu desemprego
Fui então pra cima dele
E desci pelo escorrego
Jurando que havia ouro
Mas só fiz ralar meu couro
E cair mostrando o rego!

Dublin, 20/09/2012. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Teu cafuné











O teu cafuné me bole
Me fole, me desconcerta
Flerta minha paz num gole
Me faz mole, me esperta 
Me aperta e eu: Me sole
Assole e me rocambole 
Só não deixe a porta aberta!

Dublin, 17/09/2012.

Se eu fosse a reticência















Se eu fosse a reticência
De tudo que não lhe digo
Eu esticaria um ponto
Encurvado no umbigo
Emendava o resto e então
Formava a interrogação
D’um: Quer namorar comigo?

Dublin, 11/09/2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vaga de Amante


Gerúncio;  com 21 anos, ainda donzelo e os hormônios na eminência de sair pelas orelhas, ouviu dizer que Dona Macedônia (morena respeitosa e graúda, daquelas de travar os olhares nas calçadas) tinha sido promovida a MILF e aberto vaga pra amante, desde a fatídica morte de Ticiano Bengala, encontrado excitado e morto no motel C-kisabe.

Prontamente, Gerúncio correu na bodega de seu Biduca; pediu uma branquinha, papel e caneta, e redigiu seu currículo encordelzado:

Jovem, sadio e "dez ano"
Alto, másculo e galante;
Nem tão sério como um sapo,
Mas nem tão comediante;
Potente, viril varão
Se põe a disposição
Para a vaga de amante!

Graduado em aguentar
TPM e Menopausa
Com “pós” em “como escutar
e sempre lhe dar a causa”
Incapaz de reclamar
Sempre que você chamar
Qualquer "já vou" ele pausa!

Almeja por pagamento
Bem dizer um “quase nada”
Só dividir o lençol
Por dentro da madrugada
Grunhindo feito um mascote
Cafungando no cangote
Da patroa arrepiada!

PS.: Possui habilitação tipo B e uma CG 1993.


Dublin, 17/09/2012.

sábado, 15 de setembro de 2012

Esse vento que derruba
















Deixem que seja difícil,
Pois o medo não m’espanta.
Esse vento que derruba,
Quando bate, me levanta.
Ninguém nunca vai saber
Dos nós na minha garganta!

Dublin, 15/09/2012

Incidental de Paquera











Caminhando num palco iluminado
Teu sorriso reluz pra tudo quanto
Estrelando com todo seu encanto
O meu filme: Um bobo atrapalhado
E de tanto qu’eu fico abestalhado
Fui capaz de matar sem nem rancor
Uma pobre inocente de uma flor
Que te dei como amostra inconsciente
Do tamanho que fico inconsequente
Quando vejo teu riso encantador!

Dublin, 15/09/2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Não sobra “sentir falta” pra nada











Eu até sinto falta de sentir
O suor escorrendo na quentura;
Sinto falta também da rapadura
E da broa sem água pra engolir;
Eu até sinto falta de ouvir
Um forró, um repente, uma toada...
Mas, se lembro de ti, tudo s’enfada
E não resta mais nada fora o pranto,
Pois a falta de ti sinto d’um tanto
 Que não sobra “sentir falta” pra nada!

Dublin, 27/08/2012.

Céu de gaivotas










Quando quis criar asas e voar
Eu queria poder sair do chão
Mas agora daqui da imensidão
Vez por outra me falta onde pousar

Deus me livre eu querer me engaiolar
Mas voar tanto e tanto, não sei não;
Bate a falta do chão do meu torrão
E o daqui nem faz graça comparar

Entretanto voei, de banda em banda,
E parado no céu daqui da Irlanda
Sou só um passarinho forasteiro

Mas no céu onde só se vê gaivota
Quando canto, quem ouve logo nota:
Olha lá um canário BRASILEIRO!

Dublin, 27/08/2012.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Plantando bananeira











Quando meus pés se cansarem
Na subida da ladeira
Hei de demonstrar pr'o mundo
Que não tou pra brincadeira:
Viro sem fazer careta
Vou plantando bananeira!

Dublin, 15/08/2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

Na força dos meus passos









Mesmo estando tão distante
como nunca nessa vida;
mesmo que o mapa mundi
desengane na medida;
mesmo sem poder surgir
pela sala e imprimir
no senhor vários abraços;
Pai, lhe sou pra sempre grato,
pois te tenho em cada ato
e na força dos meus passos!

Dublin, 12/08/2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dublin - Episódio1: Espantando a saudade











A lapada de frio nem incomoda
nessas ruas que nunca vi na vida,
o que tem me bulido é a ferida
da saudade que vem deixando noda.
Sei qu’é feio dizer, mas digo: é foda,
a garganta só vive dando nó.
Meu Deus sabe e até ele sente dó,
mas d’estar, quando sempre, eu dou meu jeito:
Diminuo a saudade do meio peito
me lembrando e cantando um bom forró!

Dublin, 08/08/2012.