Pense numa confusão,
Tinha lá uma multidão
Explanando seus sentidos
Mas eu, sujeito metido,
Cheguei às oiças do anjo
Disse: “Meu amigo arcanjo
Me conquiste esta senhora
Que’u falo com Deus agora
E asas novas te arranjo”!
O sapateiro do Destino
Quando numa certa vez
Contou-me que seu freguês
Não batia bem do tino
Falou que era um menino
Fresquento e malamanhado
Com um Dom do encantado
E sintoma de invejoso
Que por ser um poderoso
Era muito do empolgado
E o barbeiro do Futuro
Disse que o antecipado
Embora mais recatado
E um tanto obscuro
Só aparenta ser duro
Mas é extremo feliz
Que em tudo é aprendiz
Pois anda num tempo à frente
Com o Destino da gente
Torcendo a ele o nariz
(Jessé Costa)
O tempo passa arrastado
Na falta do teu carinho
E eu andando sozinho
Sou pierrot dizimado
Vivendo um verbo passado
D’um dançador sem canção
Num porto de solidão
Pois pra quem queira ou não queira
Todo pião sem ponteira
Não faz poeira no chão
(Jessé Costa)



Quando a carência aperta o peito
É quando bate a falta de um ninho
De um chamego, um abraço, um carinho
Duma pareia que esquente seu leito
E sendo assim não importa os defeitos
Se o sentimento é bem graduado
Com coração que é bom de farejo
Só paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado
Certos momentos ficam na lembrança
Como um prêmio por uma vitória
Feito a cabocla que para e lhe olha
Com um sorriso que a raiva balança
E a piscadela na pista de dança
O bilhetinho recém rabiscado
De guardanapo, contendo o recado
Que se arremata na forma de beijo
Só paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado
E alguém me diga se estou perjurando
Ou se falei alguma babaquice
Pois esse mundo tá cheio de “missi”
E inda assim sai homem se pegando
Justo por isso tem mulher sobrando
E me ensinaram quando educado
Que estragar comida é pecado
E é por isso que como as que vejo
Pois paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado
Num aceno e até já
Daqueles que por aqui
Vinham me prestigiar
Tou parando de escrever
Pr’outras coisas aprender
E na vida me aprumar
Dedicado à engenharia
Ficarei longe do fundo
Do poço e da mixaria
De um rumo sujismundo
E levo na minha rima
A lição que mais se estima:
Cada cabeça é um mundo!
Vou garantir meu futuro
Sem engrenagem virar
E assintoticamente
Vou deixar de escrevinhar
Lhes deixando abraços meus,
Não em forma de adeus
Pois um dia hei de voltar!
(
Se eleito eu lhes prometo
Que proibirei que gansos
Dêem carreiras em meninos
Buxudos cheios de ranço
Eu prometo o fim da fome
Dez mulher pra cada hômi
E todos cornos amanso
Se eleito eu lhes prometo
Deixar pra trás a mania
De roubar o que é dos pobres
Pra só lhes dar alegria
Prometo prender bandidos
Menos os meus conhecidos
Pois senão me prenderia
Se eleito eu lhes prometo
Que ninguém mais se azucrina
Prometo muita fartura
Riqueza que não termina
Prometo por prometer
Pois quando me eleger
Lhes fôdo sem vaselina
Minha estrada é oblíqua e é estreita
Ladeada de espinhentas laranjeiras
E forrada por uma fina poeira
Dos prazeres que o coração deleita.
A seguindo vou mantendo a espreita
Dos espinhos o meu singular tesouro
Que é de cobre, é de prata, é de ouro
E moldado pelas mãos do pai divino.
Tenho dentro do peito um eu menino
Da alegria, fiel respiradouro!
(Jessé Costa)
Certa vez num rala-bucho
Tava eu mais Zé Mané
Procurando uma pareia
Pra dançar arrasta pé
E fizemu um apostado
De se rebolar pelado
Quem não pegasse mulé
.
Mais confiante que cego
Travessando avenida
Chamei pro mêi do terreiro
Uma madama metida
Mas levei um ré tão feio
Que botei o pé no freio
E virei pras raparigas
.
Tinha Odete, Penha e Têca
Profissionais de primeira
Mas que só de chegar perto
Já transmitiam coceira
E num lado escanteada
A recém iniciada
Maricleide Gemedeira
.
Olhei pr’um lado, pro outro
Zé Mané não avistei
Refleti comigo mesmo
“Essa aposta vencerei!”
E chegando em Maricleide
Disse: "-Minha bela Leide
Deixe ser seu grande rei!"
.
Gemedeira olhou pra eu
De sorriso abestalhado
E assim me respondeu:
"-São Dez reais o reinado
Mas como gostei d’ocê
Vamu ali qu’eu vou fazê
Algo para o seu agrado."
.
Me puxou pela munheca
Para o meio do salão
E nos foles do forró
Foi aquela confusão
Dois pra lá e dois pra cá
Colado sem desgrudá
Na quentura do baião!
.
Comecei a fervilhar
Com aquele esfregado
E nas oiças da morena
Sussurrei cafajestado:
"-O que sentes cutucar
Não é o meu celular
É o Junior empolgado!"
.
Maricleide me olhando
Com um sorriso de quenga
Disse: “-Gostei de você
Sujeito sem lenga-lenga
Agora vamos simbora
Que eu já não vejo à hora
Qu’essa noite se estenda."
.
Daí, fui com a morena
Pra meu sítio bacurau
E passamu a noite inteira
Namorando num curral
Numa pujança tamanha
Que Maricleide risonha
Não cobrou um só real.
.
Depois eu fiquei sabendo
Que Zé tava encarcerado
Pois foi pego no forró
Dançando todo pelado
Eita cabra sem critério
Levou a aposta a serio
E dormiu engaiolado!
.
Nas reuniões de gente
Onde tem conglomerados
Um sujeito bom de olho
Tira de primeiro olhado
Em duas situações
As seguintes conclusões
Pelo motivo explicado
Quando você vê um cabra
Andando de cú trancado
Com as pernas ajuntadas
Feito pato apressado
É porque o seu furico
Ou tá com barro no bico
Ou teve o lacre rasgado
Agora se ele vem
De andar arreganhado
Marcando quatro e quarenta
Do relógio, o ponteirado
É porque o pobrezinho
Ou já se cagou todinho
Ou tá de furico assado
A Lua alumia a noite
Com muita propriedade,
Alimenta o lusco-fusco
Cintilando a claridade;
Mas a lua se sozinha
Sem o Sol pela cozinha
Não brilhava de verdade!
Pois o Sol, astro maior
Pela Lua apaixonado
Vendo seu corpo celeste
Fica todo atrapalhado
E pra lhe dar alegria
Faz assim à noite e o dia
Dividindo seu reinado!
É o Sol que a luz empresta
Pra sua amada senhora
Caiar o breu do escuro
Da noitinha à aurora
E a Lua exibida
Reflete a luz recebida
Enquanto o Sol a namora!
João Pessoa, 05/07/2008.

Deu a bilora foi fía?
A gente mal se conhece
E tu vens com essa onda
Mas nem com toda pitomba
Eu caio na tua prece
Que fiel muito devoto
Tem pecado légua e meia
Que padre faz cara feia
E se nega a dar perdão
Mas nessa não caio não
Logo eu tu quer pegar?
Pois trate de procurar
Outro Zé Mané tapado
Que esse já foi criado
E nem nele mais confia
Quanto mais numa Maria
Bonita e inteligente
Que desaba em sua frente
Dizendo na flor do dia
“Affe hômi que quentura
Porque nós não se mistura
E esse fogo esfria”
(Depois de escutar isso Maria foi e deu pra outro. Já Zé? Continua tomando banhos demorosos)
Da infância eu lembro à quimera
Daqueles questionários de mocinha
Que quase toda menininha tinha
Só pra investigar o seu paquera
Lembro bem do caderno como era
Lá só cinco garotos respondiam
Dependendo do que escreveriam
Era ai que a menina apaixonava
E a todas amigas segredava
Doida pra ver como reagiriam
Onde é você me beijaria?
Na bochecha, na boca ou na testa?
Er’assim, uma pergunta era esta
E daí muito se extrairia
Mas pra nós isso era lesaria
Pois pirralho só pensa em bater bola
Ser o bom, maior o craque da escola
Dentre todos, o grande campeão
E num restava tempo pra paixão
Nem flertar com amigo de calçola
Pois menino não sabe como é bom
Ter nos braços do homem a mulher
Um menino nem sabe o que quer
Jovem fruta verdosa a meio tom
Ainda desconhece o belo som
Do gemido suave, melindroso
Do sussurro que beira ser um gozo
Desconhece o poder que a fêmea tem
O menino que jura ser alguém
Inda é um rabisco mal-formoso
Pra discernirem da terra a beleza
E assim zelar pela natureza
Ao recolherem os seus alimentos
Mas esse inseto sem conhecimento
Que só existe para seu labor
Poupa a urtiga e destroça uma flor
Para nutrir-se de sua energia
Pois desconhece o poder que teria
Se a usasse em prol do amor
(A Senhora do Anel de Ácido Inoxidável)
Numa noite de São João
Num resplandecer de lua
Minha boca mais a tua
Se juntaram sem sermão
A hora num lembro não
Mas a noite ia embora
E “euzin” mais a senhora
Com aquele agarramento
Fitamos cada momento
No menisco da aurora
O sol surgia acanhado
Por detrás de uma serra
Brilhando, luzindo a terra
E o nosso chamegado
Disso tou muito lembrado
Pôs a luz que te tocava
Teu rosto me desvendava
Mais lindo que flamboyant
Uma estrela da manhã
Que a mim encandeava
Foi assim o nosso enlace
Um encontro inesperado
Que me deixa arrepiado
E me faz perder a classe
Espero que o tempo passe
Pr’eu te ter de novo perto
Que nosso destino é certo
Logo mais nós se esbarra
Pra tu recair nas garras
Deste escrevedor esperto
(Jessé Costa)
Ela é uma linda engenheira
Que pela mecânica da paixão
Pesquisou sua pós-graduação
Se especializou em ser matreira
Mas quando a felina feiticeira
Ainda formulava sua tese
Ao procurar uns cabra que se preze
Pra fazer dos reles mortais cobaia
Fez coisas que nem o diabo de saia
Não faria com um monte de fezes
Maltratou muito homem carioso
Esmagou a auto-estima dos metidos,
Garanhões com os seu egos feridos
Atrás dela como um grude remoso.
Empregava um jeito ardiloso
Que gerava as paixões mais derradeiras
Foi assim que a astuta engenheira
Desgraçando o próprio coração
Conquistou sua pós-graduação
Pra tornar-se uma doutora solteira
(Jessé Costa)
Ela é uma linda engenheira
Que pela mecânica da paixão
Pesquisou sua pós-graduação
Se especializou em ser matreira
Mas quando a felina feiticeira
Ainda formulava sua tese
Ao procurar uns cabra que se preze
Pra fazer dos reles mortais cobaia
Fez coisas que nem o diabo de saia
Não faria com um monte de fezes
Maltratou muito homem carinhoso
Esmagou a auto-estima dos metidos,
Garanhões com os seu egos feridos
Atrás dela como um grude remoso.
Empregava um jeito ardiloso
Que gerava as paixões mais derradeiras
Foi assim que a astuta engenheira
Desgraçando o próprio coração
Conquistou sua pós-graduação
Pra tornar-se uma doutora solteira
(Jessé Costa)
Tu quer mostrar que é bom?
Quer vir ponderar bravura?
Quer me ensinar o som
Dos dentes em quebradura?
Tu vens me jurar de morte?
Nunca brinques com a sorte
Que'u não gosto de frescura!
Eu vivo a vida sem rumo
e fui criado no mato
Sou feito do supra sumo
Do fundo do cú do pato
Eu sou é tampa de Crush
Pode vir de George Bush
De todo o jeito lhe mato!