quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Jeitinho Nacional
Quem não ger’um filho educa um cachorro
Quem não vê montanha escala um morro
Quem não tem dinheiro se mete em mutreta
Quem não tem mulher tem que entrar na punheta,
Mas há quem prefira dizer “masturbar”,
Quem não tem pai rico vai ter que estudar
Se não estudar vai morrer na pobreza
Quem tem precisão fala com gentileza
Quem é abastado diz: vá se lascar!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 18/02/2009.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Espelho de Luna
Com tantos milhões de anos
Como pode ser tão nova;
Ter tantas faces e planos
E quatro fases de prova,
Que a lunação renova
Por ser do sol a aluna
No mar guiando a escuna,
Encantando os pescadores
Com seus raios refletores
Que vem do espelho de Luna?!
Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 12/02/2009.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Um Pé de carambola
Onde cresceu o menino
A luz do sol matutino
Tocava sua copa rasa;
Fazia no verde a brasa;
Despertava a passarada,
Que saia em revoada
Pra mais um dia tão duro;
E o pé, de sombra e ar puro,
Fincava-se na calçada
É verde a recordação
Da planta cheia de vida
Frondosa e toda florida
No tempo da floração,
Era quase um batalhão
Repleta de soldadinho;
Lá tudo que é passarinho
Repousava em segurança,
Onde nem felino alcança
E nem bala de chumbinho.
Pois era um pé encantado
Com flores tom violeta
Que o vôo da borboleta
Tornava mais destacado;
Já o seu fruto estrelado,
Verde-amarelo [a nação],
Formava a constelação
D’estrelas de carambola;
E adocicava a beiçola,
A vista e o coração!
Mas de fronte a antiga casa
Onde cresceu o menino
Para total desatino
Hoje o sol a rua abrasa
A vida não tem mais asa,
O concreto a emoldurou,
E o progresso levantou
Uma cinzenta gaiola
Onde um pé de carambola,
Ali, nunca mais florou!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 08/02/2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Soneto do Poeta em Luto
na grama sobre a cova, esverdeada;
um verde musgo, frio e em terra imerso
é cobertor cobrindo minha amada.
A rima é triste, pobre e nublada;
a métrica enlutada compreende
que ontem muito fui, hoje mais nada;
a inspiração não mais me surpreende.
Ao custo que escrevo esse soneto
me sinto a folha d’árvore caída
que ainda vive, mas já não tem vida.
Em teu sepulcro, hoje lhe prometo
que nunca irei chorar por teu sorriso
e logo encontro a ti no paraíso.
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 23/01/2009.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Meu rio chorou esgoto!

Com sua água afiada
Pelas pedras de amolar,
Desces terroso, a cortar
A cidade enviesada;
E lá herdeiros do nada
Com suas redes de arrasto
Acham apenas um vasto
Rastro de poluição;
Tendo, no rio, a visão
De um destino nefasto.
Jazes tristonho e calado;
Sem atenção despertar,
Sem ter ninguém pra chorar,
Sem ter um advogado;
E assim foste condenado
A carregar a nojeira
De uma gente ribeira,
Um povo vil que te afoga;
Pede fartura, mas joga
Míngua pela tua beira!
Onde morreu tua vida?
Onde enterraram teus peixes?
Hoje só restam os feixes
De água “esgotenecida”;
E a criança sofrida
Dentre os entulhos se banha
Na correnteza castanha
Por onde escoa teu fim...
Capibaribe-mirim,
Em teu perder ninguém ganha!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 19/01/2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Eu vi os Seios da Lua no Decote do Horizonte
Corre um mundo de cana
Pelos dois lados da pista,
Pra onde se vai à vista
A noite seguirá plana;
Nesta paisagem caiana
Que é pintada na fronte
- Por entre o rio e a ponte,
Na displicência só sua -
EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE
Um vento frio, sereneiro,
Sobe a ladeira do Borge*
E ali um treminhão foge
De um fim açucareiro.
Nega varrendo o terreiro,
Uma cadeira defronte;
A santa, o jarro, a fonte;
Galinha, porco, perua
E EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE
Estrelas prenhas de luz,
Nuvens tom de cinza forte,
O cheiro da mata-norte
Que o mel de engenho produz;
E a noite assim se conduz,
Subindo e descendo o monte,
Caiando a beira da fonte
Pra nega se banhar nua
E EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 18/01/2009
*Ladeira do Borge é uma das ladeiras que dão acesso a cidade de Timbaúba
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A Puta

Seu cabelo impermeável,
Por fumar perdeu o baço
E a tatuagem no braço
- Com um nome mal borrado -
Delata um caso antigo
De um amor bandoleiro,
Que talvez fosse o primeiro
Por ela experimentado!
Os dentes qu’inda lhe restam
Mastigam grande bravura;
Tetas já pela cintura
E seu órgão, antes ledo,
Hoje é um malfazejo
Esbanjando infecção.
Quem ali passá-la mão
Chorará perdendo o dedo!
Mas essa pobre mulher
Que nunca aprendeu a ler
Precisa sobreviver...
Não medindo o que faz,
Procura pelos tarados
Nas portas dos cabarés
E pr’essas baixas ralés
Se vende por dez reais!
João Pessoa, 12/01/2009.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Nas Pegadas de Limeira
(Baseado nos versos do poeta Zé Limeira)
Nas pegadas de Limeira
"No vergel da ventania"
Vi um sapo numa jia
Um matuto na rameira
Dom Pedro com caganeira
No sertão de Bogotá
Vi um gato ensaboá
O sovaco em pleno rí
"Tanto faz daqui prali
Como dali pracolá"
"Feliz da mesa que tem
Costela de guaiamum"
Vendo três, entrego um
Eu não abro nem pr’um trem
Presidente disse amém
Em plena mesa de bar
Depois foi furufunfar
Com a filha do prefeito
Napoleão foi eleito
Pr’um cabaré governar!
"É da tampa pipocá"
No fogo de sete gatos
Já tou ensinando aos ratos,
Com camisinha trepá
Pruqui-pruli-proculá
Nas andanças do caminho
Jesus disse bem baixinho
Pra madalena escutá:
"No dia que eu me zangá
Mato você de carinho!"
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 07/01/2009
Quem é a mulher do Cão?
Doralice é uma moça
Que de moça não tem nada;
Faz na cama, no banheiro,
No terreiro e na escada.
Da fruta prova de cacho,
Come tudo que é macho,
Bem dizer, vive pelada!
E Dôra se apaixonou
Por conhecido ladrão,
Que o povo famigerou
Pelo apelido de “Cão”,
Matador por profissão
Que já era emansebado
Com outro couro furado;
Pia mesmo a confusão!
Quando a nega do cachorro
Dava uma vacilada,
Dôra subia no morro
Só pra dar uma pimbada,
Mas de tanta cachorrada
O boato se espalhou
E a outra escutou;
Tava a briga arrumada!
Deu-se, no lavrar do tempo,
O encontro inesperado
E formou-se o contratempo...
A mulher do procurado,
Já de dedos apontados
No mêi da cara de Dôra,
Disse: Sua traidora,
Vou lhe dar o meu recado!
“Sou bafo da espoleta,
Nunca perdi uma briga
E não vai ser uma preta,
Do bucho chêi de lombriga,
Que vai quebrar minha viga!
Eu sou a mulher de cão!”
E Dôra disse: E então,
E eu num sou a rapariga?!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 08/01/2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Encantamento
Cultivar um encanto é perigoso;
Quanto mais um encanto de desejo,
Que se encanta nos traços de um beijo
E termina no canto de um gozo
- Um suspiro faceiro e melindroso;
Que alteia a bandeira do furor,
Hasteada no pátio do fervor -
Pra virar do avesso os sentidos;
Entre gozos, suspiros e gemidos...
Dando vida a um quadro de amor!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 20/12/2008
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Só entre Nós e o Povo de Mocós!
Por um vistoso e fogoso rapaz
Que é viril e robusto demais
E te dá colo nos dias nublados?
Pois vou dizendo, seu novo viado,
Que não me importo com contras e prós
E nem tão pouco o que fazem a sós
Mas desde já fique assossegado
QU’ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS
Moça bonita se acalme e repita
Como perdeste tua mocitude
E quem é mesmo José do alaúde
E onde fica sua palafita
Mas vá rezando pra santa bendita
Que o rapaz sobreviva ao após,
Pra que da bala seja mais veloz,
Pois o teu pai sendo o delegado
ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS
Seu candidato não fique avexado
Conte, daí, donde o dinheiro sai
Pra pagar besta gritando “louvai”
E contratar cabo eleitorado.
Esse dinheiro é roubado ou lavado?
Ou foi doado por um albatroz?
E teu partido é o dos teus avós?
Se desembuche que o voto é ganhado
E ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS
Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 06/01/2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Confabulação
No “til” suas discussões
Na praia que se acalentam
Avistam seus corações
Atolar em atropelos
No manguezal das paixões
Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 05/01/2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Anelar do Tempo
O nosso tempo é medido
No pulsar do coração;
Às vezes passa corrido
E às vezes não passa, não!
Por estar longe de ti
O meu peito mal badala
E o relógio vai, não vai...
O dia dobra de escala
Quanto maior a distância
Que estás da minha mão,
Maior é a impedância,
Maior a dilatação!
Agora, se acaso estás
Dentre a cerca dos meus braços
O tempo se alvoroça
O sol apressa seus passos
Pois contigo ao meu lado
Sofro d’uma arritmia
Que só de piscar os olhos
Vôte! Já se foi um dia...
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 01/01/2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Mote do Absurdo
Eu, caba homem, valente
E conhecido matador
Sei como imprimir a dor
No corpo de um vivente
Mas, meio que de repente,
Tua fulô sem espinho
Brotou bem no meu caminho
E como eu não sei amar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!
Já dormi engaiolado
Por desacatar doutor,
Meter bala em senador,
Dar bufete em delegado;
Mas hoje tou enlaçado
Na vida de passarinho,
Ganhei parelha no ninho,
E nesse amor de lascar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!
No meio desse escarcéu,
Minha fúria foi ferida
Por tua face bandida
Que me conduziu ao céu.
Tua beleza é cruel,
Pôs-me num redemoinho.
Mas sou forte, não definho
E sei como me vingar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 29/12/2008
domingo, 28 de dezembro de 2008
Glosando a Saudade
Hoje relembro um tempo passado
Pela janela chamada memória
- Como feliz foi a nossa história,
Como era bom ter você ao meu lado -
Ontem sonhei que tinha regressado
Pr’os áureos tempos da nossa amizade
Quando brotou o amor, na verdade
Nosso enlace era mais que evidente.
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE
Naquela noite a lua luzia
A faiscar raios de luz divina
Na caboclice daquela menina
Musa brejeira dessa poesia
Mas, porventura, chegara o dia
De despedir-me da minha beldade
Tendo meu peito partido à metade
Desd’esse instante me encontro doente
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE
Volta morena, vem para meus braços
Vem requentar esse meu sentimento
Trás teu feitio, essa forma de alento
Para as rimas que saem do meu traço
Pois sem você, de um ninguém, eu não passo
Corre o tempo e me vem à idade
Mas junto a ti volto à mocidade
Sinto que morte tem medo da gente
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE
Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 28/12/2008.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Pêiada de Fim de Ano - 2008
Que agora está morrendo
Mas pelo bucho do tempo
Vem outro ano nascendo
Carregado de esperança
Pr’o pai, pra mãe, pra criança
Pra todos que estão vivendo
Se dois mil e oito foi
Um ano de eleição
Que o novo ano venha
Sem voto pr’esses ladrão
Sem toró na Catarina
E que só chova menina
No colo desse cristão!
Se no ano moribundo
Não acertei de primeira
Se perdi minha burrinha
Com a crise financeira
Nesse ano que se apruma
Vou erguer uma fortuna
Investindo em brincadeira!
Se nesse ano morrente
No cordel comprei ingresso
No ano subseqüente
Lapidarei o meu verso
Vou escrever tão bonito
Que vou me tornar um mito
Na terra pr’onde regresso!
Autor: Jessé Costa.
Timbaúba, 26/12/2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Flor da Pele
No roseiral mais bonito,
A borboleta mais bela
Flutua sobre o infinito
E de repente detecta
O cheiro doce do néctar,
Que seus anseios repele,
E dando beijos devora
Todo o amor que aflora
Dos poros da flor da pele!
Jessé Costa
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Arrendamento

Vem e me acaricia
Aliviando a sanha
De não te ver neste dia
E quando em brisa se amansa
Derrama em mim a lembrança
Dos traços do teu sorriso
Do teu olhar penetrante
E do teu cheiro marcante
Que me acalanta o juízo
E eu te arrendei o meu peito
Lucrando em felicidade
Mas cuide dele direito
Já que plantaste saudade
Pois essa monocultura
Mata o solo em que apura
Se não for sempre regada
Com a água dos desejos
E adubada com beijos
Da lavradora amada!
(Jessé Costa)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Teu Frevo e Minha Capoeira
Pía mesmo pra Baiana
Que baixou no meu pensar
Feito lapada de cana
Fez meu gogó se amarrar
E eu lá de Pernambuco
Penso que fiquei maluco
Pois vejo meu caboclinho
Se jogar na capoeira
Dessa morena matreira
Que vem lá do pelourinho
E o terreiro do meu peito
Recebeu seu candomblé
Num sincretismo imperfeito
De divindades qualquer
Mas nem santo ou orixá
Não tem forças pra’rranhar
Andor tão diamantado
Que mistura a alegria
Da cultura da Bahia
Com um frevo apaixonado!
(Jessé Costa)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Prelúdio de um fim
As rimas estão morrendo
E seu cordel em desgraça
Aos poucos esmorecendo
Pois o amor com seu bote
Matou qualquer outro mote
Que ele andava escrevendo
(Jessé Costa)
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Restituição
Devia ter ao menos fama de bom moço!
Por paquerar a princesinha linda flor
É bem capaz d’eu ir dormir no calabouço
E é mais fácil até ganhar na mega-sena,
Mesmo comprando o bilhete no fiado,
Ou andar nu com as coisas à vista plena
Sem ter ninguém pra me chamar de transviado!
Mas o que faço para ser levado a serio?
Ou pra você me acalentar em sua casa...
Me diga agora, porque todo esse mistério?
Se não me quer então porque vem me dar asa?
(Jessé Costa)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
O Feitio de Carolina
Palpitou meu coração
Quando te vi no salão
(Que é essa nossa vida)
Dançando descontraída,
De sorrisos sedutores,
Um forró cheio de cores
De sabores e desejo
Que me fez num só lampejo
Derreter-me em amores
Ai ai ai ai ai ai ai
Qu’essa dor eu desconheço
Não foi queda, nem tropeço
E vem de dentro pra fora
Sai do peito e vai embora
Na forma de calafrio
Deixando cá um vazio
Que dói a todo o momento
Mas tem o medicamento
Nos traços do teu feitio!
(Jessé Costa)
domingo, 30 de novembro de 2008
O Farol e a Lua
No brilho de luz que emana
Daquele alvo farol
Mediando o arrebol
Que na noite se derrama
Uma lucidez exclama
Seu penhor e solidão
Guiando a navegação
Do desejo mais distante
Alteando um sonho infante
Que receia a escuridão
A luz girando girando
Marcando um traço profundo
Pelas nuanças do mundo
Que a noite vão-se minguando
E a lua somente olhando
Sem muito poder fazer
Queria apenas descer
Para beijar seu amante
Mas o farol relutante
Teme a lua esmorecer!
(Jessé Costa)
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Sem Ludíbrio
Nem precisa um ideal
Basta potência vocal
Um palanque pra trepar
E ter do que reclamar,
Que é o mais fácil de ter,
Mas pra algo acontecer
Repense sua peleja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!
Meu amigo zisquerdista,
Grande revolucionário
Repleto de ideário,
Eu só lhe dou uma pista.
Pra que a mudança exista
Agora vou lhe dizer:
Sai da frente da TV
Solte a coca-cola e a veja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!
Você que não tem partido
Que não é politiqueiro
Que dá duro o ano inteiro
Pra ser bom pai e marido
Nunca se dê por vencido
Pois pr’o mundo amanhecer
Um lugar bom de viver,
Em alerta sempre esteja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!
(Jessé Costa)
domingo, 23 de novembro de 2008
Alegoria

Olha só, mas quem diria
Que ela então seria um dia
O tempero d'alegria
Num sarapatel de amor
Dando gosto a minha vida
Que passou a ser servida
Das vezes semi-nutrida
Pr’um deleite de sabor!
Um produto nacional
De beleza incidental
Um pecado capital
Dito num confessionário
Ela é fruto proibido
No éden bem escondido
Pra que não seja comido
Por um qualquer legionário
E depois de procurar
Por terra, por céu e mar
Eis que venho a encontrar
Caminhando a meu lado
Olha só, mas quem diria
Que ela então seria um dia
Rainha na fantasia
Do meu reino encantado
João Pessoa, 23/11/2008.
sábado, 22 de novembro de 2008
O Circo de Um Real
Um palhaço José
De um circo qualquer
Na terra de ninguém
Sou o rei da risada
Avise a meninada
Hoje tem palhaçada
Hoje tem, hoje tem!
Olha a lona furada
Olha a arquibancada
Olha a tábua quebrada
E a ferrugem meu bem
O leão tá com fome
Mas já já ele come
Uns gatinhos sem nome
E sem dono também!
Chegue aqui Coité
Macaca chipanzé
Ande nesse tripé
E nessa bicicleta
Picadeiro na vista
Do herói trapezista
E que a corda resista
A manobra incorreta!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Timbaúba, Princesa Serrana II
Transitam carros de mão
Cruzando o pontilhão
De um lado a outro da linha
E quando bate à tardinha
Por entre apitos lá vem
Sem esperar por ninguém
Rasgando a pele da rua
E uns meninos da lua
Pegam bigú sobre o trem
Se tá moendo a usina
E pressagio de fartura
Que a cidade fatura
Quando a colheita termina
E o suor que germina
Da pele do corta-cana
Vira Tum-tum, vira grana
Vira comida, cachaça
Vira dinheiro na praça
Que o comercio inflama
E o artesão manuseia
Com toda sua destreza
Os fios que dão a beleza
E um cochilo saneia
No seu tear forma a teia
Que do sono mata a sede
Bastando ter na parede
Um armador ou corrente
Dando a sustança inerente
Ao balançar d’uma rede
Já quando é carnaval
Os moleques endoidecem
Pois dos morros eles descem
Em um furdunço geral
E a meninada distal
Num pique se aproxima
Insultam a catirina
Puxam o rabo dos bois
Que rodando em “ais” e “ôis”
A liberdade termina!
E ante as águas do rio
Capibaribe Mirim
Por Pedras e catabim
Essa cidade emergiu
Lá dos Mocós se expandiu
Virou princesa serrana
Dos bois, das redes, da cana
Oh Timbaúba altaneira
Tu sois a musa primeira
Que o me peito proclama!
(Jessé Costa)
domingo, 16 de novembro de 2008
Cartas em Branco
(Do meu amor colorido)
As cartas que te mandei
Não foram compreendidas
E talvez nem sido lidas
Da forma que imaginei
Foram jogadas, eu sei
Desprezadas em um canto
Por ter apenas encanto
Apenas palavras ditas
Declarações sem escritas
Cheias de amor, entretanto!
(Jessé Costa)
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Bem dizer no Pé do altar
De namorar com uma menina de bem
Logo de cara não lembrei-me de ninguém
Mas me bateu uma ilustre solução
Fui à igreja mesmo não sendo cristão
Tendo a certeza de que lá encontraria
Uma cabôca que a mim completaria
E assim sentei dando de costas pro altar
Bati os olhos, espioso a espiar...
E vi você na fila da eucaristia!
Daí eu vi o brilho nos seus “oi” de moça
Quando cruzou os seus ‘óim’ no meu “oiá”
Então pensei: “Essa cabôca eu vou ganhar”
“Se não for minha quero que meu braço torça”
No fim da missa juntei coragem com força
E me cheguei nas suas oiça tão sublime
Disse: “Ser bonita assim deve ser crime”
“Pois a senhora já matou meu coração”
E tu me abriu em dentes um tal sorrisão
Que eu fiquei sem ter um verso que lhe rime
Foi um sopro de desmantelo o seu trejeito
Que me deixou de sentimento embriagado
Eita sorriso bem dado, bem amostrado
Eita cabôca, qu’eu até fiquei sem jeito
De lá pra cá eu te carrego no meu peito
E todo sábado refaço essa peleja
Só pra que toda carola na missa veja
Que hoje tendo você junto a meu lado
Sou um cristão fiel, de fé, apaixonado
Que senta na primeira fila da igreja
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
A Revolução dos Contos
Da Rapunzel sua trança comprida
Dei arrebite a Bela’dormecida
Branca de Neve? Furtei um anão!
Fada sem ter Varinha de condão
Capei a lâmpada de Aladim
Do Peter Pan seqüestrei a “Sinim”
Na Cinderela soldei o sapato
Tirei a bota do pé de um Gato
Fiz um final feliz sem ter o fim!

