quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Procura-se



Procura-se aquele sorriso marcante
Da dona daquela estranha sombrinha
Vestindo o vestido de brancas bolinhas
E aquele “kichute” de menino infante;
Procura-se aquele olhar penetrante
Cravado naquela expressão de princesa
E aqueles cabelos cheios de leveza
Em cachos de uva, da cor do escuro;
Procura-se aquele andar tão seguro
Que me fez travar ante tanta beleza!

Procura-se a moça com traços de anjo
que faz o mais-mais se sentir-se mais-menos;
Procura-se pela irmã gêmea de Vênus
Que tira do prumo o mais reto marmanjo,
Causando no peito um vão desarranjo;
Procura-se a moça que tanto me afeta
E a quem encontrar que contate o poeta
Que hoje suspira num peito ao revés,
Lembrado do show no Ponto dos Cem Réis
Aonde o cupido tascou-lhe essa seta!

João Pessoa, 04/08/2010.

Princesa Anne



Numa terra distante chamada de “Timbaúba de Cima”, em um reino no vale de Araruna, existe um palácio repleto de pés de acerola, goiaba, cajarana, cajú, graviola e pitanga. Num dos jardins desse palácio há também um esplêndido roseiral, com rosas de todas as cores, tamanhos e odores.

Quer dizer... nem todas as cores, nem tamanhos, nem odores. Falta-lhe ainda uma rosa... uma rosa bem especifica; uma rosa que subirá nos pés de acerola, de cajarana, de graviola, no cajueiro, na goiabeira, na pitangueira; uma rosa que vai se arranhar correndo desatenta por entre as outras roseiras do roseiral; uma rosa cheia de cor, de graça, de vida; cheia de luz... uma luz que a capaz de fazê-la cintilar e voar livre como uma bola de sabão!

E dessa forma, que essa rosa venha logo. E que chegando, que seja uma rosa bola de sabão com status de princesa ou uma princesa bola de sabão com status de rosa!

Não importante a ordem, o reino está em festa e a festa é pra ela: A Princesa Anne, a rosa mais bela!

*******************************
Princesa Anne
Lá no reino de Araruna
Em Timbaúba de Cima
No palácio do grão-rei
Uma graça se aproxima
E a corte da majestade
Vive em tal felicidade
Que não há verso qu’exprima!

Pois se aproxima a chegada
da flor de maior beleza
da rosa mais esperada
no jardim da realeza
e o bobo da corte, em festa,
grita: fulô como esta
é o auge da riqueza!

Enquanto o povo comenta
Pelas vilas do reinado
Qu’esta graça só assenta
Ser, o reino, abençoado
E por toda Timbaúba
A notícia se aduba
E este fato é louvado!

E tendo o tempo chegado
Que a luz, da corte, emane
E o reino extasiado
Olhe pra cima e exclame:
Obrigado Deus da vida
Por essa recém-nascida...
Querida princesa Anne!

E que Deus se afeiçoe
Tomado pela emoção
E que, olhando, abençoe
Sua nova criação;
Fazendo, por fantasia,
Uma nuvem de alegria
Chover bolas de sabão!

João Pessoa, 03/08/2010.

domingo, 1 de agosto de 2010

Só de ruim...



Ele está curtindo a noite
Com seu ego cabuloso
Mas de repente um acoite
Um abalo poderoso
Treme até o seu espanto
Na beleza, no encanto
Que contém a senhorita
Que se chega assim chegando
Nem sequer lhe reparando,
O quê lhe gama e lhe irrita!

Ela se chega raiando
Um holofote de graça
Com seu sorriso tomando
O foco por onde passa
Ela pode conquistar
O que mais lhe agradar
No estabelecimento
Porém fica encantada
Com aquele camarada
Que não lhe dá cabimento

E agora, vocês vejam
Onde isso vai parar,
Dois bicudos não se beijam
Por mais que queiram beijar
Então a coisa complica
Cada ego se embica
E a peitica toma forma
Pois os dois se desejando
Na festa vão pleiteando
Sem palanque ou plataforma!

Só de ruim ele nem olha,
Só de ruim ela também,
Só de ruim ele se amostra,
Só de ruim ela nem - nem...
Só de ruim ele sorri,
Só de ruim ela só ri
Da graça de outro afim;
Só de ruim a noite finda
E ela lhe acena, linda,
Indo embora só de ruim!

João Pessoa, 01/08/2010.

sábado, 31 de julho de 2010

O causo da Beba Doida



O cara chega de frente,
Ela já olha de lado,
E toda incondescendente
Desenbucha o seu recado:


- Credo em cruz, Ave Maria
Que comigo é diferente
Pois eu só dou ousadia
Pra homem reto, descente,
Você nem olhe pra mim
Não pense que é assim
Eu não sou pro seu biquinho
Volte ali pra seus amigos
Fiquem sós, com seus consigos,
Qu’eu fico aqui com meu vinho!

Eu sou quimera avançada
Produto de exportação
Não sou roupa vitrinada
Com nome “liquidação”
Sou loira do olho azul
Numa burca de Istambul
Qu’é pra ninguém me secar
E eu vejo em sua testa
Que você é fim de festa
Vai-te embora, vai pra lá!

Algumas horas depois
O vinho sobe ao juízo
E entre entãos e apois
Ela surge sem aviso:


- Oi moço, lembra de mim
Perdoe lhe incomodar
É que a festa tá no fim
E eu vim me desculpar
Hoje cedo fui tão grossa
Espero que você possa
Relevar o que falei
O meu jeito é meu suplício
Não sou assim tão difícil
Ante os vinhos que tomei

E esse vinho é docinho,
É docinho além da conta
Vem sentar aqui pertinho
Eu já tou ficando tonta,
Passe a mão na minha nuca
Me deixa doida, maluca
Me cutuca, me atiça
Vem matar a minha sede
Me sacode na parede
Me chama de lagartixa!

E o cabôco num relance
Busca se valorizar
Sem deixar fugir a chance
Da galega faturar:

- Olhe moça, vou contar,
Eu não gosto de maluca
Que me manda ir pastar
E quando enche a cumbuca
Pensa que eu sou de graça
Qu’eu sou um banco de praça
Ao dispor de qualquer dama!
Eu não sou tão fácil assim
Mas de cara emendo um: Sim,
Hoje nós divide a cama!

João Pessoa, 31/07/2010.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Arrazoando



Outra noite fui à praia
Com meu saco de dormir
E deitei-me na areia
Vendo as estrelas sorrir
Enquanto que a maresia,
Do mar para a rua, ia
Como uma fina bruma
Que eu calculei que deve
Ser feita do branco neve
Das ondas que tem espuma!

E lá estimei também
Na minha imaginação
Que no céu ainda tem
Vaga pra constelação
E tendo assim concluído
Tratei de ter escolhido
Um bom pedaço de céu
Onde vou mandar colar
Um arranjo estelar
Com estrelas de papel!

João Pessoa, 29/07/2010.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Amor rabo de lagartixa



Só ela tem esse jeitinho de ser acanhada
Da enrolada que embola todo o embuá
Ao s'embrulhar ante o perigo de ser maculada
Pela pegada de quem só faz gosto lhe amar!

E tem também esse jeitinho de ser tal um ganso
Que hora é manso e no ciúme perde toda a classe
Mas, nesse impasse, vou e volto tal qual um balanço
E só não canso porque sempre nosso amor renasce.

Pois nosso amor é feito um rabo de lagartixa,
Que se espicha mesmo após ter sido amputado
E, decepado, reza a lenda que serve de ficha
Pra outra bicha ser gerada do rabo cortado!

João Pessoa, 27/07/2010.

Bom dia, bundacanastra!



Ao acordar dê bom dia
para o seu ventilador;
saia do quarto e sorria,
dê bom dia ao corredor;
caminhe até o banheiro
e dê bom dia ao espelho
que o seu rosto espelhou
e, tirando a catotinha,
dê bom dia pra espinha
que no seu nariz brotou!

Quando for sair de casa
dê bom dia à maçaneta,
ao ônibus que atrasa,
a zoada da roleta;
dê bom dia à calçada
ao buraco, a topada,
ao preto, ao branco, ao marrom;
dê bom dia a tudo quanto
e repita tanto e tanto
que seu dia será bom!

João Pessoa, 26/07/2010.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

João sem Maria



João amava Maria
com toda sua existência
e pra lhe dar alegria
tirava da sua essência
pedaços de sua alma,
sem ver que deixava um trauma
que não teria indulgência...

Pois Maria era tão linda
e tinha tanto esplendor
que ganhara o apelido
de ser a Maria Flor,
uma flor de brilho próprio
que pra João era um ópio
que lhe drogava de amor!

Foi então que de repente
Maria desencantou
e deixando João doente
foi embora e não voltou.
Partiu pela porta aberta
deixando a casa deserta
de tudo que João amou...

E tal qual o passarinho,
que perdendo sua amada,
fecha a porta do seu ninho
e segue só sua estrada;
João virou João-de-barro,
barro ruim que não dá jarro
pra outra flor ser plantada!

E há quem diga que então
João só espera a morte;
outros já dizem que não,
que pra tudo há um norte,
mas o certo é o entretanto
que se for sorte amar tanto
é melhor viver sem sorte!

João Pessoa, 22/07/2010.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pei-bufo III



Não há antiinflamatório
Ou outro medicamento
Que desinflame meu peito
E acalme meu batimento
Desde que assim sem aviso
Eu vi este teu sorriso
Tomar o meu pensamento

Olhei-te e uma agonia
Me afligiu bem aqui [mostrar o peito]
E esta patologia
Só irá se extinguir
S’eu tomar um comprimido
Feito do beijo atrevido
Que eu vim roubar de ti...


IX Encontro Científico dos Estudantes de Medicina
UFPB, 19/07/2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Desarrendamento

http://arrepare.blogspot.com/2008/12/arrendamento.html



O vento que te assanha
já não me acaricia;
do contrário, aumenta a sanha
de não te ver mais um dia
e, num tufão, é adaga;
que rasga as velas, naufraga
e afunda meu bem-estar
lembrando-me teu sorriso,
por isso o quê mais preciso
é que pare de ventar...

Onde estava meu bom senso
ao te arrendar meu peito
acreditando no intenso:
“Vou cuidar dele direito...”
Hoje eu vejo, foi besteira
abrir de cara a porteira
e permitir que você
cultivasse lá a terra
que hoje só mato encerra
vendo tudo esmorecer!

Porém o meu peito é forte,
massudo e ruim de morrer;
é terra preta do norte,
o mais puro massapé,
e passado esse tormento
não mais faço arrendamento
pra ninguém lhe cultivar,
temendo a monocultura
que mata o solo, em que apura,
depois da safra acabar...

João Pessoa, 19/07/2010.

domingo, 18 de julho de 2010

Inquietude

Pense adiante, não pense em vento... o meu futuro também mora no seu pensamento



Nascemos pra algo grande,
algo maior do que a gente,
algo que só se expande
no imaginário da mente,
porém o mundo num gole
nossa grandeza engole
e nossa mente atrofia,
com seu sistema vulgar
nos fazendo acreditar
que não temos mais-valia!

Mas nós somos semi-deuses
em potencialidade,
só usamos poucas vezes
toda a nossa habilidade
e este ponto é o divergente;
pois se organicamente
todo homem é igual,
o destaque caberá
a quem melhor aplicar
sua destreza mental!

Sendo assim preste atenção,
veja a massa de manobra,
não caia nessa ilusão,
pois o tempo dá e cobra...
Não deixe que o mundo mande;
busque fazer algo grande
pra você mudar o mundo,
que hoje bebe o veneno
do pensamento pequeno
desse sistema imundo!

Timbaúba, 18/07/2010.

domingo, 11 de julho de 2010

O cabaré, o bêbado e o poeta



Quatro e tarará da manhã e o cabaré ainda é!

Vive na forma de restos funestos de quatro ou cinco desiludidos (e embevecidos) debruçados sobre as mesas, agora cochilando suas desgraças, seus tempos perdidos.

Numa mesa mais ao canto vê-se uma dama das alcovas acariciando, sem encanto, o peitoral esquelético de um bóia-fria (operário da cana) que ainda ostenta no bolso algumas moedas, um resto de dinheiro, do honorário suado da boa safra que brotou pra o usineiro...

Enquanto isso ninguém se safa de ouvir o bêbado que chora alto suas lamúrias na mesa mais ao centro. E em seu intento, numa melancólica pintura em preto e branco este bêbado protagoniza a paisagem, tendo sua mão erguida ante a dignidade caída! Vencida...

E é neste arranjo físico que o ébrio sofredor, com sua mão alçada, canta os fantasmas de sua vida calejada (e a perda de sua amada) na forma de uma canção do grande poeta dos bordéis, o menestrel dos melhores e piores cabarés.

Assim o sol vai nascendo e vendo: o bêbado balbucia seu tom mais grave, estragando uma linda canção do saudoso boêmio Nelson Gonçalves...

E um poeta, vendo isso e coadjuvando complacente da mesma dor, desfecha a noite rabiscando um guardanapo com o seguinte arremate:


Nosso sofrer se resume
a não poder, nesta hora,
sentir o brando perfume
daquela doce senhora
que por um tolo ciúme
nos deixou e foi embora!

Sofremos só por querer
como queremos agora
e bebemos pra esquecer
ou mesmo pra por pra fora...
Deixa a lágrima descer,
louco é quem sofre e não chora!



João Pessoa, 29/06/2010.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Não peguei porque era mole!



Lembro bem da empregada
Da casa da minha tia
Com a nádega empinada
Enquanto limpava a pia
Lembro qu’ela me ouriçava
Me olhava, me cantava
E eu mais frouxo que um fole
numa desculpa qualquer
SÓ SEI QUE ESTA MULHER
NÃO PEGUEI PORQUE ERA MOLE!

Lembro da Universitária
No congresso regional
Que sem conversa primária
Me chamou pr’os afinal
Me chegou e disse assim:
“Hoje eu quero tu pra mim,
Pra fazer um bole-bole”
Que no susto eu dei no pé,
E TAMBÉM ESTA MULHER
NÃO PEGUEI PORQUE ERA MOLE!

Lembro bem daqueles olhos
Na festa olhando pra mim
Lembro daquela piscada
E daquele “bilhetin”
Onde ela escreveu
Que por mim se derreteu
E eu devia dar-lhe um gole
Mas eu todo Zé mané
JÁ SE FOI OUTRA MULHER
NÃO PEGUEI PORQUE ERA MOLE!

E ainda a Margarida
Lá da rua da areia
Querendo ser a comida
Meu banquete, minha ceia
Lembro bem da promoção
Com tudo que é posição
E até do chupe-engole
E acredite quem quiser
QUE ATÉ ESTA MULHER
NÃO PEGUEI PORQUE ERA MOLE!

Mariane, Maytê
Helen, Glória e Juliana;
Melina, Márcia , Tetê
Tereza, Mayara, Alana;
Larissa, Bianca, Aline
Carolina, Caroline,
Deise, Leila, sua prole,
E nem tu não mais me quer
E ESSE TANTO DE MULHER
NÃO PEGUEI PORQUE ERA MOLE!

João Pessoa, 06/07/2010.

sábado, 3 de julho de 2010

Coração, bola de sopro!



Coração, sem endereço,
segue um rumo itinerante.
Cada peito um recomeço
e um fim não tão distante!
Coração, de canto em canto,
ofertando seu encanto
vai ganhando estadia;
porém não sendo o bastante,
tal caixeiro viajante,
vai embora no outro dia!

Coração, só, não escapa...
De vitória assegurada,
sempre sobra e derrapa
ante a linha de chegada.
Segue sem rumo, sem jeito,
por querer morar no peito
que não lhe dá moradia
e de assopro em assopro
é uma bola de sopro
que, furada, se esvazia!

João Pessoa, 03/07/2010.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sina Meteórica



Voa o meteorito
Tendo toda a liberdade
Vai rasgando o infinito
Recortando a imensidade
Até quando a gravidade
Puxa o corpo retirante
Prum caminho lancinante
Por entre o céu e a terra
A livre pedra se encerra
Num risco de luz distante

João Pessoa, 12/06/2009.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

É baião de sete!



Aprume a camisa, aperte a chinela
Ajeite o cabelo e a sobrancelha
Agora procure por uma parelha
Se achegue e exclame o quanto ela é bela
Depois já emende pra linda donzela
Que ao olhar pra ela perdeu todo o ar
Acenda um sorriso e a chame pra dançar
Ao som do mais puro forró do nordeste
Um bole virado de cabra da peste
Que o Baião de sete chegou pra tocar!

Desfile com seu vestidinho rodado
Cortado da peça da mais bela chita
deixe que eles vejam os laços de fita
que prendem as tranças do seu penteado
desfile mostrando todo seu gingado
depois dê um tempo no mêi do salão
e veja que os cabras se estapearão
brigando pra ver quem vai lhe convidar
para ralar-bucho, para ser seu par
ao som desses sete tocando baião!

O salão tá cheio de gente bonita
De gente cheirosa, de gente arrumada
De gente solteira desacompanhada
De gente abastada, de gente erudita
De gente elevada, de gente bendita
De gente que é gente do mais fino dote
Pois nessa festança não entra pixote
não tem gente feia, não dá periguete
só dá o filé nesse baião de sete
pra dançar colado ao som de um xote!

Timbaúba, 27/06/2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sentimentos



Somos, todos, sentimentos...
Sentimos tudo, afinal
sentimos a chuva, os ventos,
o celular vibracall,
sono por acordar cedo,
o gosto do leite azedo,
o cheiro estranho do queijo,
as pedrinhas da calçada,
dor de amor e de topada
e a respiração do beijo!

Sem comer sentimos fome,
sentimos medo da morte,
orgulho de um sobrenome,
falta ou excesso de sorte,
sentimos carne entre os dentes,
saudade de alguns parentes,
sentimos um frio cortante,
o calor que vem da brasa,
vontade de criar asa
e voar pra bem distante!

E sentimos todo instante...
Sentimos tanto, afinal,
que chega a ser redundante
julgar-se sentimental!

Timbaúba, 28/06/2010.

domingo, 27 de junho de 2010

Só riso?

sábado, 26 de junho de 2010

História mal contada



Maria, meus Deus do Céu!
Espia o que aconteceu:
O teu menino Manéu,
O que é fí de Zé Bedeu,
Se chegou-se em Dorinha
Engabelou a bichinha
Passou-lhe a pêia e comeu!!

Ele fez na cara dura
Quebrou minha bonequinha
Bolinou sua candura
fez festa na bacurinha
e depois correu pra casa
pra baixo da sua asa
ou da mesa da cozinha!

Desculpe o palavreado
E a minha falha conduta
Mas o seu camumembado
Esse seu fela da puta
Foi lá onde eu passei talco
E abriu no mêi um buraco
Do tamanho duma gruta

E eu quero que a Comadre
Me diga o seu pensamento,
Ou melhor, que escolha o padre
E a data do casamento
Pois se não for esse o mote
Eu escolho um sacerdote
Pra rezar sepultamento!

Pois a honra de Dorinha
Precisa ser resgatada
Já que sua bacurinha
Não pode ser remendada
Por isso ou vai ter casório
Ou senão vai ter velório,
Comadre esteja avisada...

Ora comadre Aristela
Saiba que sua Dorinha
É pura feito remela
E santa de camarinha
que vive lá pelo rio
feito cadela no cio
com os cabra de Serrinha!

Pra tu agora chegar
Falando do meu Manéu
que vive em missa a rezar
sempre casto, a Deus Fiel
sonha em ser monsenhor
desconhece o que é furor
e já tem vaga no céu!

Dobre a língua, Aristela
Qu’eu vou conferir a história
E se a sua cadela
Tiver obtido glória
Em tirar meu Maneuzinho
Do seu divino caminho
Vai ter muita implicatória...

Pois meu anjinho nasceu
Para servir a Jesus
Para ser servo de Deus
Pra carregar sua cruz
E não existe mulher
Que abale sua fé
Nesse caminho de Luz...

Ôh Manéu se achegue aqui!
Me conte se essa querela
Que eu acabo de ouvir
Da boca de Aristela
Tem alguma solidez
Conte logo de uma vez
Sobre tu e a filha dela!

- Já lhe conto mamãezinha
O que ela disse eu não sei
O caso é que com Dorinha
Eu apenas combinei
Que a gente ia inventar
Um namoro pra’bafar
Qu’ela é quenga e eu sou gay...

João Pessoa, 23/06/2010.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Mané Juá e o fax



Alô, do sítio Pitomba...
Eu de cá, quem é de lá?
É o roçamento da bomba?
E bomba tem que roçar?
Não, não é o seu Teixeira
Ele foi fazer a feira
Mas pode desapear...

Como é? Tu tá bestando?
Isso é coisa que se “pesse”?
Você nem sabe onde eu moro
E a gente nem se conhece
Pra de repentinamente
Você todo saliente
Me fazer tamanha prece!

Ora, tu deve tá doido
Por um tibêi no “torax”
Dos que desnorteiam rumo
Até de xofé de taxi!
Te dana cabra safado
Você nem fez um agrado
E quer meu sinal de fax?

Eu sendo um cabôco macho
Não gosto de sururu
Eu que entro nos buracos
Sou tal-qualmente um tatu
E não existe uma bomba
Aqui no sítio pitomba
Que me faça dar pra tu!
...

E é o que? Fale pra fora!
Que muléstia é tu-tu-tu?

João Pessoa, 22/06/2010.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Coração: Órgão Incoerente.



O coração é um órgão
Que a coerência contorna
Pois o mesmo estando cheio
Voa leve qual codorna
Porém estando vazio
Pesa como uma bigorna!

João Pessoa, 14/06/2010.

domingo, 13 de junho de 2010

Dez ano



Sou um nordestino
Com força no tino
E desde menino
Eu nasci pra sê-lo
Um pernambucano
Um cano-caiano
Matuto “dez ano”
Que o mundo quer tê-lo!

E s’eu sou “dez ano”
Tenho no tutano
O sangue humano
Dos cabra do norte
Dos cabra dizente
Dos cabra envolvente
Dos cabra eloqüente
Que dão nó na morte!

João Pessoa, 13/06/2010

Vira-lata



Vira-lata, cão de rua
Chafurdando à madrugada.
Há sorte na vida tua?
Há sorte em não se ter nada?
Sim! Há sorte em tua estrada,
Pois o nada que tu tens
É teu e bem te convêm,
Sendo um nada até de pranto,
É melhor que muito tanto
Que tantos outros retêm!

Vira-lata, nas calçadas
O teu nada é um grande bem
E, com tanto, eu quero um nada
Igualzinho ao que tu tens!

João Pessoa, 13/06/2010.

sábado, 12 de junho de 2010

Sonhos & Pesadelos



Admiro o despertar,
na chuva de um mês de agosto,
com vontade de cantar
e um vasto riso no rosto,
resultado que transborda
dum sonho de que se acorda
pra tudo e todos, disposto!

Eu admiro o dormir,
naquele sonho mais doce,
que faz a gente pedir
que apenas sonho não fosse
e deixa a vida sem molho
quando a gente abre o olho
e vê que o sonho acabou-se!

E admiro a criança
falando de um pesadelo,
dizendo sem discrepância,
explicando sem temê-lo,
que o pesadelo é o tom
de um sonho que quis ser bom
mas que não conseguiu sê-lo!

João Pessoa, 12/06/2010.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A casa na sombra da serra



Mandei fazer nossa casa
na sombra daquela serra
onde é bem mais fértil a terra
e a seca nunca abrasa
onde a chuva nunca atrasa
e o açude dá na borda
onde o gado logo engorda
e após um dia uniforme
onde o sol se deita e dorme
e a lua brilhando acorda!

E vai ser um casaraço
daqueles de antigamente
com uma escada na frente
dando acesso a um terraço
onde haverá espaço
e armadores nas paredes
pra pelo menos dez redes
de onde a gente vai ver
algo melhor que a TV
pra saciar nossas sedes!

A gente vai ver o gado
pastando num fim de tarde
e os gansos fazendo alarde
atrás de um pobre coitado
e a estrada do outro lado
logo depois da porteira
de onde vem na carreira
um pintinho desleixado
da ninhada atrasado
na volta pra capoeira...

E quando a casa erguida
na sombra daquela serra
onde é tão fértil a terra
que nem se precisa lida
assim será nossa vida
nessa nossa fortaleza
no colo da natureza
como um quadro colorido
onde o mundo tem sentido
e o sentido tem beleza!

João Pessoa, 07/06/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Engenharia Vs. Seleção Brasileira



No dia que esse “timin” de araque
Da prova dos nove conseguir ganhar
Aí nesse dia todos viram craques
Pois quando Robinho, Elano, Kaká
Juan, Lúcio, Dunga, Ramires, Nilmar...
Driblarem a soma de uma integral
Acharem de cara o ajuste ideal
E o ponto da curva da tubulação
Não tem engenheiro que duvide então:
O Brasil vai ser campeão mundial!

João Pessoa, 03/06/2010.

domingo, 30 de maio de 2010

Vaca leiteira na pista

terça-feira, 25 de maio de 2010

O sofá empoeirado



Certa vez alguém me fez alusão à importância de negligenciar nossos pontos negativos e em algum momento da nossa conversa essa pessoa me disse, exemplificando sua lógica, que um sofá pode ser confortável, lindo, caro, exclusivo, um luxo; porém se você comentar, por mais sutil que seja o comentário, que esse sofá junta poeira... não adianta... esse sofá, aos olhos de quem te ouve, será lembrado como sendo o sofá que junta poeira...

Não sei se eu concordo com essa teoria, mas meu sofá anda um pouco empoeirado.
***************
O Sofá Empoeirado
Lá onde o amor passava
as tardes a se aninhar,
onde esse amor jurava
nunca deixar de amar,
onde os braços se abraçaram,
onde os beijos se beijaram,
onde o sonho foi sonhado;
meio que sem perceber,
hoje ela olha e vê
um sofá empoeirado!

Onde olhos se olharam
e viram um par perfeito,
onde sorrisos voaram
sinceros em seu deleito,
onde uma felicidade
sem prazo de validade
dava-lhes um predicado;
hoje tudo isso enverga
ela olha e só enxerga
um sofá empoeirado!

Pois onde fora esboçado
um futuro terno e manso,
com um casal de velhinhos
em cadeiras de balanço,
de mãos dadas, se olhando
com seus olhares brilhando
no mesmo amor do passado;
lá este sonho perece
e ela só reconhece
um sofá empoeirado!

João Pessoa, 24/05/2010.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

No terreiro a fogueira de São João


É menino correndo espevitado
Com os bolsos repletos de bombinhas
Lá têm traque, palito, estrelinhas,
Chuveirinho, peido de velha atolado
E um graveto na mão vem abrasado
Pra dar ignição nos estopins,
Os mais velhos com suas calças jeans
Vão à caça do afoito busca-pé
E a quadrilha no anarriê dá ré
Numa dança repleta de pantins

Segue a noite no embalo de um forró;
Da canjica, pamonha, munguzá
E o espeto com milho a pipocar
Na fogueira que estala sem ter dó,
Quando então o ouvido dá um nó;
É o pipoco de uma bomba cordão
Que o matuto no susto cai no chão;
Nessa hora confunde-se a aurora
Com o brilho do fogo que aflora,
Como um sol, da fogueira de São João!

São dezenas de galhos engembrados
Do mais grosso ao mais fino no final
Empilhados de forma acidental
E enlaçados num arame farpado
Onde a noite um pão velho e encharcado
Colocado na sua cumeeira
Liga a chave de fogo da fogueira
Dando vida a esta escultura;
E se tudo der certo a chama dura
Até o sol se juntar-se a brincadeira!

Jessé da Costa, 21/05/2010.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Teu beijo: o beijo...



Teu beijo me derrubou,
derrubou literalmente,
pois nos teus lábios me vi
desfalecendo dormente
e desde então só me vejo
nos teus braços noutro beijo
desmaiando novamente!

Pois só teu beijo arrepia
cavalo de carrossel
e faz datilografia
nos meus lábios de papel
onde a astronomia louca
vê o céu de nossas bocas
juntos formando outro céu!

Por isso já não me vejo,
nessa imensidão de mundo,
provando o sabor de um beijo
de outra boca oriundo,
pois só penso, o tempo inteiro:
“se foi tão bom o primeiro,
imagina o segundo...”!

João Pessoa, 18/05/2010.