segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oração de um fela da puta apaixonado



Quanto tempo, meu Deus, que já passou
Quanto tempo, meu Deus, daquele rosto
Quanto tempo, meu Deus, daquele gosto
Quanto tempo, meu Deus, e aqui estou
Pois no tempo, meu Deus, quem triunfou
Na batalha do Adeus que nós travamos,
Se esse tempo passou e não passamos
De dois corpos completamente ocados?
Me responda, meu Deus, se estão errados
Os caminhos da vida que tomamos?!

Me responda se o tempo encerra em dolo
Ou se o tempo com tempo o tempo aplaca
Diga a nossa coragem o quanto é fraca
E esse nosso orgulho o quanto é tolo
Depois diga, esse amor, aonde pô-lo
Pra jamais outro alguém lhe maltratar
E, meu Deus, sem querer lhe atazanar
Me responda mais outro atrevimento:
Onde estava, Senhor, seu pensamento
Ao deixar que nós dois formasse um par?!

Timbaúba, 28/02/2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A vitória da vida e coisa e tal

As sextilhas que seguem mais abaixo foram inspiradas num Bornal do poeta Cícero Moraes (CM) que estava pendurado e esquecido há tempos numa parede dos fundos de sua guarida. O caso é que nesse Bornal, que outrora era usado para carregar os frutos das caçadas do poeta, um passarinho (garrincha) deu por fazer seu ninho e lá o poeta ao fazer uma vistorio acabou por encontrar 5 pequenas garrinchinhas filhotes. E foi justamente com esse fato em mente que nós dois desapeamos a escrever as seguintes sextilhas:





CM

Bornal velho aposentado
Já trouxeste das caçadas
Muitas vidas já extintas
Dos bichinhos das chapadas
Há tempos trazias morte
Hoje, vidas renovadas

JC

Dos frutos das espingardas
Há muito fostes nutrido
Hoje matas tua fome
Sendo abrigo guarnecido
Do viver que vistes morto
E agora tu vês nascido!

CM

Vejo um filhote crescido
Ao lado de outros mais
A morte já não habita
Tuas fibras de cizais
És hoje um local sereno
Não verás sangue jamais

JC

Servindo pr’outros Bornais
De espelho em sua causa e sorte
Mostrarás que a vida é grande
Mostrarás que a vida é forte
E que onde ela começa
Não tem espaço pra morte!

Timbaúba, 27/02/2011.


********

Pois não é que um tanto depois eu fui perguntar ao poeta Kerlle de Magalhães o que o danado tinha achado dos versos. E o caso é que o mesmo já havia visto a poesia no site do poeta Cícero Moraes e disse que tinha achado arretado, mas não tinha atinado que JC se referia ao meu nome. Daí não resisti e desatei, dizendo pra o poeta a seguinte setilha nota de esclarecimento:

Esse JC da rima
Que o povo gosta ou desgosta
E se assina assim por cima
Da estrofe troncha e posta
Não é Jornal do Commércio
É o JC do néscio
E poeta Jessé Costa!

Timbaúba, 27/02/2011.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alegria no palco da loucura



Sou palhaço do circo de um real
Onde a graça sai quase que de graça
Mas o riso sincero se transpassa
Da piada, pilhéria, do irreal.
Se a platéia me aplaude é um sinal
De que meu existir ainda importa
Na pobreza do circo me conforta
Os sorrisos terceiros, pais dos meus,
Honorários presentes, dons de Deus
Que a dureza dos dias, rindo, entorta!

Não qu’eu seja um eterno venturoso
Pois no rosto onde a boca o riso aflora
A menina dos olhos sofre e chora
Nos momentos do ardor mais tortuoso
Mas, amigos, sorrir é tão gostoso
E o sorriso a tantas dores cura
Que eu prefiro viver nesta ventura
De sorrir na pobreza e fazer rir...
Sou palhaço e o que eu faço é impelir
Alegria no palco da loucura!

Timbaúba, 22/02/2011.

O reboco feminino - ÁUDIO

Ouça aqui o causo do Reboco Feminino:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Biuzin e a pintura do céu

Um causo puramente propagandista

Montado em cima duma besta alada
Num dia cinza em tom de tempestade
Biuzin voou por sobre a cidade
Deixando Timbaúba assanhada
Depois de um tempo ele parou do nada
Por sobre o pontilhão da estação
Aterrissou a sua besta ao chão
Na Casa Costa Filho adentrou
Comprou a tinta e voando pintou
De azul celeste toda a imensidão

Depois voltou pro céu levando o troco
E devolvendo o troco pra “São Pêdo”
Ouviu do Santo: Biu eu tive medo
Que esse dinheiro ainda fosse pouco
Mas o azul ficou foi do pipôco
E eu gastei praticamente nada
Ôh Costa Filho loja afeiçoada
Pôi corra o mundo e diga pros pintores
Que aqui no céu só pinta co’as cores
Daquela loja de tinta arretada!

Timbaúba, 24/02/2011.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vai comer só esse tiquinho!?

E foi tirando cabelo dos milhos do versejar que saiu essa nossa parceria:



Ágda Moura:

Uma Macaxeira com bode
Um cuscuz de manhãzinha
Um angu com uma galinha
Um ”pirãozinho” “inté” pode
Uma buchada pro “môdi “
Nós se fartar de comer
A cajuína pra beber
E a rabada no dente
Um cafezinho bem quente
Para a barriga encher

Sacuda a “culé” de pau
Que o “manguzá” ta embolando
Bolo de milho assando
Na tapioca “bote” sal
Grande é o cangical
Vindo junto, o baião de dois
Pra nós comer a depois
Acompanhado a um chazinho
Pegue o doce seu Chiquinho
Puxe a cadeira e sente pois.

Que o cheiro ta chegando
Lá pras bandas de “aculá”
“Tráz” os “cumpadres” pra cá
vão se então se “assentando”
E o prato vai pegando
Que a culinária é uma beleza
E na prosa tem proeza
“Que’na” comida se mistura
Êta nordeste é fartura
é cultura sobre a mesa.

Jessé Costa:

É tamanha a suculência
Dos pratos da nossa gleba
Que não tem isso de peba
E tem sim muita ciência;
Jamais que eu troco a potência
Dum prato de rubacão
Por um toin de macarrão
Com um nome esquisito,
Coma quem acha bonito
Pois eu mesmo como não!

S’alguém come caracol
Que coma seja onde for
E eu já disse pro doutor
Qu'esse meu colesterol
Baixo na carne de sol
Que Teca faz com primor,
Só nunca troco o sabor
Da graxinha com inhame
Por comida de madame;
Ah, não troco não senhor!

Melando o pão com a graxa
Raspo do tacho da panela
Só não sobra a graxa nela
Se falta o pão vai bolacha.
Acho graça de quem acha
Nossa comida nojenta;
Povo besta, não atenta
Que nesses tal fastfood
Eles sim que comem grude
Pelo status que aparenta!

Parceria Internetada, 23/02/2011.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Metamorfose Forçada

O reboco feminino



Tem mulher que é ardilosa
Feia que nem um sagüi
E engana de formosa
Ao seu rosto encobrir
Porém eu lhes asseguro
Que de óculos escuro
Até um abacaxi!

Já outras se pintam qual
Um muro velho é pintado
Na base de pó e cal
Tanto buraco é tapado
Que o sorriso fica duro
E “talqualmente” no muro
O feio é recauchutado!

E nem falo das trouxinhas
Daquelas mal desenhadas
Que de garra numa calça
Que não cabe nas danadas
Mergulham na vaselina
E depois de muita sina
Vão pras festas atochadas

Mas o que mais me admira
É um cabra tendo o olho
Ainda se atracar
Nos fuás nesses trambolhos
Dando de garra com elas
Como que fosse a mais belas
As rainhas do repolho!

Pois eu acho b’empregado
Esse besta se acordar
N’outro dia e na cama
Virando, quase enfartar
Ao dar de cara com a musa
Qu’ensinou a tal medusa
Como aos homens assombrar!

Eu sou doido por mulher
Mas tem coisa que é demais
Tem mulher que exagera
Na maquiagem que faz
E se metamorfoseia
Sou mais a sincera e feia
Que a linda que se desfaz!

Timbaúba, 21/02/2011.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Oitavas de Esperança



Essa palavra esperança
Reluz do olhar da criança
Que pela vida avança
Tendo no lombo o futuro.
Futuro qu’ela nem sente
Brincando sempre contente
Com aquele peso que a gente
Fez um presente em apuro!

Por isso ao olhar o infante
Nosso olhar vai bem distante
E em nosso peito maçante
Os erros se vão pros lados
Enquanto que a criança
Bem no meio se balança
Num balanço de esperança
Que nos deixa esperançados!

Timbaúba, 19/02/2011.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Todo dia muda a cor do quadro da minha vida

Mote de Geraldo de Odilon, sugerido pela poetisa Ágda Moura:

Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida



Eu nasci roxo e chorando
Mas crescendo fui criança
Sendo o verde da esperança
Do futuro melhorando
Adulto, fui me encantando
Na paixão enrubescida
Mas minha cor preferida
É o azul de um grande amor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida

Pra ser feliz dá trabalho
Mas pra sofrer é um pulo
Num dia me acordo chulo
No outro em risos me espalho
Qualquer padrão sempre é falho
E a previsão é perdida
Ontem fui dor, fui ferida
Hoje sou graça e torpor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida

Já fui feio, fui vistoso
Já fui magro, fui obeso
Já fui livre, já fui preso
Já fui bravo, fui medroso
Já fui sábio, fui teimoso
Já fui paixão iludida
E enquanto me houver partida
Eu serei seja o que for
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida

Timbaúba, 17/02/2011.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quando falo do que sinto

Tema sugerido incidentalmente pela dona moça senhorita Audrey Rose do Canudo, uma cidadã de elevado potencial autístico - derivativo de autista; mas que tem um coração do tamanho da sua meiguice.
.
"E quem pode comigo quando eu digo o que sinto"



Quando falo do que sinto
Tal e qual trovão que tomba
O meu coração ribomba
E um raio toma o recinto;
Já quem ouve escuta um quinto
Do todo do pensamento,
Que ouvido não dá sustento
Pra tanto sentir que eu digo
Mas todos sentem comigo
Falando de sentimento!

Timbaúba, 27/01/2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vá s'embora me trair

Depois deste poeta aqui passar uma tarde inteira, que no mais tarde se vestiu de noite, declamando poesias sofridas e do mais alto grau da dor de cotovelo humana; eis que Seu Ferreira, o maior baluarte do carnaval de Macaparana-PE, me incumbiu da excêntrica missão de glosar o mote incidental de sua autoria: “Vá s’embora me trair que eu tou doido pra roer!”.

Na hora não saiu nada que se aproveitasse, o que não é mais do que normal dado a pequena quantidade de sangue que havia na minha corrente alcoólica, mas chegando em casa dei de garra no lápis e já comecei a rabiscar as seguintes estrofes:



Negócio de ser feliz
Não me acostumo com isso
Eu gosto é do rebuliço
D’um penar bem infeliz
Meu paradoxo diz
Qu’eu aprecio o sofrer
E se tu me bem querer
Não relute em me ferir
Vá s’embora me trair
Que eu tou doido pra roer!

Eu me atraquei contigo
Já conhecendo teu nome
E a tua infindável fome
Lá no baixio do umbigo
Não se preocupe, eu não ligo,
Só tou usando você
Pro meu amor padecer
E a poesia fluir
Vá s’embora me trair
Que eu tou doido pra roer!

Pois a minha poesia
Deflagra do sofrimento
Se enviesa pelo vento
E pousa na fantasia
Se eu quisesse a alegria
Não buscaria em teu ser
Quero a dor que mais doer
De a poesia explodir
Vá s’embora me trair
Que eu tou doido pra roer!

João Pessoa, 12/02/2011.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Respostinha cabulosa



“Vai chegar a tua hora.”

- Ora, mas só uma hora?

Isso não dá pra quem queira.

Hora passa, não demora

E volta a dor corriqueira.

Quero logo, eu quero agora

Muito mais que uma hora,

Quero logo a vida inteira!


Timbaúba, 11/02/2011.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Conversa de gente sem assunto



- Como é que é? Seu Honório Belarmino agora depois de velho deu pra mentir desse jeito, foi?

- Hômi, foi o que ele me disse...

- E tu de besta ainda leva essa mentira pra frente, bicho velho tapado!? Tome tento rapaz...

- Mas é que ele fincou pé...

- Mas olhe mesmo! Tanto cidadão que com seus 40 anos já começam a dar suas primitivas falhadas na hora “H”, pra seu Honó vir agora com essa de que com 95 anos nunca negou fogo... E ainda por cima dizer que até hoje tá com todo gás na base de 3 por dia! Vê se pode!

- Pois foi o que ele disse...

- Pois pra ser assim, só se ele agora deu pra se atracar apenasmente com mulher prenha do buchão!

- Ouxe, agora num entendi mais nada...

- É assim hômi... Porque com a mulher grávida ele amarra um confeito na bimba e chega perto na perseguida carne mijada, que aí o menino que tá lá dentro do útero, vendo o confeito, puxa o dito e o cacete meia bomba desse velho safado pra dentro! E é só assim mesmo! É só assim pra ser verdade! Assim eu acredito!

- Ave... E num é que pode ser! Já pensasse... Haja confeito, né não?! De qual Será?

- Ah minha nossa senhora! POis pergunte pra sua mãe, seu infeliz... Já que você era muito novo e não lembra!


Timbaúba, 09/02/2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Devaneio Lúbrico



Com todas que eu conheci
Com todas que conquistei;
Sempre um pouco eu aprendi,
Sempre um pouco ensinei;
Mas se um grande amor vivi,
Não sei!

Pois na vida que levei
Neste ponto, até aqui,
Só devaneios sonhei
Nos braços que adormeci
E se um grande amor amei,
Nem vi!

Tão somente percebi
Nos corpos que eu desbravei,
Nas ancas que me perdi,
Nos seios que me encontrei;
Que o tanto quanto eu sofri,
Gozei!

Timbaúba, 06/02/2011.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nega branca do umbigo preto

A Princesa Anne (o bebê mais lindo do mundo inteiro), depois de quatro meses habitando no Reino de Timbaúba, está de mudança. Vai assumir o posto de Princesa “Nega branca do Umbigo Preto” no Grão-Reinado do Recife, onde futuramente assumirá o trono.

Frente a esta situação de desgarro, o bobo da corte do Reino de Timbaúba, mais conhecido como “Tio Babão”, dedicou-lhe esse mote e essa poesia:

VAI SER ANNE SAINDO PELA PORTA
E A SAUDADE EMPESTANDO A CASA INTEIRA!



Ela veio trazendo um elixir
De alegria pra vida restaurar,
Ensinando que basta para amar
Um sorriso sincero assistir
E o seu riso ao nos escapulir
Do afago, da graça ou da besteira
Era a flecha de paz audaz certeira
Que aprumava o “por quê?” da vida torta;
Vai ser Anne saindo pela porta
E a saudade empestando a casa inteira!

Desde o inicio que a gente já sabia
Que ela iria crescer noutro quadrante,
Que ela um dia iria pra distante
Nos deixando sem sua alegria,
Mas “um dia” na mente é sempre “um dia”
E ninguém se prepara se não queira.
Anne vai pra Veneza Brasileira
E o fio da distância já nos corta;
Vai ser Anne saindo pela porta
E a saudade empestando a casa inteira!

Pois o peito que enfrenta qualquer tema,
Encolhido, só falta se enfartar;
Ninguém sabe direito o que pensar
E pensar só piora o tal dilema:
Que se o ir pode vir a ser problema;
O ficar, pro futuro, é uma rasteira;
Mas que a fé seja sua companheira
E que Deus seja a luz que lhe conforta
Pois é Anne ela saindo pela porta
E a saudade empestando a casa inteira!

Vai “Meu Pingo” que aqui não te comporta
Teu futuro não é nessa ribeira!

Timbaúba, 02/02/2011.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Inteira em minha mente

Mote dos Nonatos sugerido pela Lara Moura:

DE QUE VALE RASGAR O SEU RETRATO
SE VOCÊ TÁ INTEIRA EM MINHA MENTE.



Passa o tempo, pulsando inevitável
E passando atropela o tal depois
Onde estava o sonho de nós dois
Esperando um cenário mais estável
Eu já sei que voltar não é viável
Que você não me vê no seu “a gente”
Mas meu cerne é tinhoso e displicente
E hoje mesmo sonhou-te em novo ato
DE QUE VALE RASGAR O SEU RETRATO
SE VOCÊ TÁ INTEIRA EM MINHA MENTE.

Quando chove, eu de noite em minha alcova
Sobre a cama o sono não me chega
Pois lembrando de tu, minha burrega,
Um cansaço não tem que me envolva
Não que a chuva te lembre, pois que chova,
É que o frio que ela trás, de envolvente,
Faz lembrar-me teu corpo tão ardente
Envolvendo meu corpo estupefato
DE QUE VALE RASGAR O SEU RETRATO
SE VOCÊ TÁ INTEIRA EM MINHA MENTE.

De que vale não ter mais a lembrança
De uma foto contendo o rosto teu
Se de noite no mundo de Morfeu
Tua face ainda me alcança
De que vale espancar a esperança
Se ela só vai morrer depois da gente
De que vale fingir estar contente
Se a tristeza perene em mim é fato
DE QUE VALE RASGAR O SEU RETRATO
SE VOCÊ TÁ INTEIRA EM MINHA MENTE.

Timbaúba, 24/01/2011.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nas olheiras pesadas da revolta

Mote o poeta Alexandre Morais passado pela poetisa Mariana Teles:


Vou botar uma gota de esperança

Nas olheiras pesadas da revolta




Vou fazer-me humano de verdade

E lembrar que não sou só eu no mundo

Trabalhar pra limpar o que é imundo

E lustrar o que ostenta austeridade

Vou ter fé que um dia a igualdade

Vai valer sobre tudo a nossa volta

Nessa angústia que teima e não me solta

Nesse mundo que torto se balança

Vou botar uma gota de esperança

Nas olheiras pesadas da revolta

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Timbaúba, 23/01/2011.

Uma parelha do estopô

Nossa parceria se dá assim: eu sofro e sofrendo invento; ela canta e cantando embeleza esse sentimento...


Bruna Alves, uma parelha do estopô!

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Clique aqui para ouvir a música Quando voltares na voz da Bruna

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

...E se?



Se a gente se encontrasse
Daqui a cinquenta anos
Ostentando os desenganos
Nas rugas de nossa face
E se a gente se olhasse
E se a gente ali se visse
Uma setentona “misse”
E um poeta aposentado
Será que todo passado
Pareceria tolice?

Ou será qu’eu sentiria
Bem ali naquele instante
Que minha vida foi errante
Sem a tua companhia?
Será qu’eu perceberia
Que você não foi mais uma
Que passou como uma bruma
Nebulosa e envolvente.
Eu não sei, só sei somente
Que o presente é quem nos ruma...

E se a gente se topasse
Que diferença faria
Se o tempo não deixaria
Qu’eu contigo regressasse
A nossa história mudasse
Nossos erros resolvesse
E o nosso amor revivesse,
Mas só que o tempo não deixa
E é por isso que essa queixa
Nunca há de responder-se!

Afinal, somos humanos
Só Deus é onisciente
E o futuro é um delinquente
Que sempre foge dos planos
É muito cinquenta anos
Não tem como adivinhar
E eu prefiro não pensar
Pois se a gente se rever
Juro por Deus não saber
Como iria me portar!

Timbaúba, 19/01/2011.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Soneto da Alma Morta



Quando você saiu, batendo a porta,
Levou consigo a chave do meu ser
E sem a luz do riso que o conforta
Minh’alma foi deixando de viver.

Até tentei seu brio reacender,
Mas por não te esquecer, a chama torta
Morria antes de me arrefecer,
Até que a minh’alma acordou morta.

Morreu sozinha, quase esquecida,
Sem ter no riso teu sua comida,
Sedenta por um gole de amor.

Morreu tão magra, tão subnutrida,
Que o chão da cova que lhe deu guarida
Não serve pra nascer nem uma flor!

Timbaúba, 17/01/2011.

Deixa eu pensar que sonhei



Quando quiser me deixar
Não me motive viés
Saia na ponta dos pés
Assim que o dia acordar

Procure não se explicar,
Sem me amolar não me explore
E simplesmente evapore;
Suma, assim, sem me alertar.

Só não me faça ciente
Que foi insuficiente
Todo amor que eu te dei.

Quando quiser me deixar
Suma, assim, sem me avisar
Deixe eu pensar que sonhei!

Timbaúba, 16/01/2011.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Não tive amores, sonhei-os!

Mote retirado do livro de Otacílio Batista “Os três irmãos Cantadores”:

Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude!




Eu escrevo e quem me lê
Vendo meu padecimento
Saboreia o vão tormento
Que aflige esse meu ser
Bem queria não querer
Mas querer é inquietude
Eu sofro na amplitude
Do querer desses meus veios
Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude!

Tudo isso começou
Já nos tempos do colégio
Quando o primo sortilégio
Do amor me encantou
Porém logo mais mostrou
Sua face vil que ilude
E nessa similitude
Lá se foram meus recreios.
Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude!

Da sofrida experiência
Escolado sofredor,
Desiludido no amor
Eu entrei na adolescência
Mas amar é minha essência
É minha magnitude,
E assim, na juventude
Como um caminhão sem freios
Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude!

Quando então fiquei adulto
Enfim fui correspondido
E num ato desmedido
Mergulhei no novo indulto
Mas este foi outro vulto
Que perdeu sua virtude
Me atirando num talude
Doutro sonho sem esteios
Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude

Hoje quem quer ter culhões
Pra ganhar de mim no amor
Tem que ser um portador
De ao menos dois corações:
Um só pras novas paixões
Que nos enchem de saúde,
Outro pro amor que ilude
Qual chupeta frente aos seios.
Não tive amores, sonhei-os,
Mas possuí-los, não pude!

Timbaúba, 12/01/2011.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O mundo do fundo do mar



Se no fundo do mar o grande Mestre
Fez um mundo tal qual na terra enxuta
S’emparelha o marinho e o terrestre
Tudo espelha, em nada se disputa
Um coral é montanha, é morro, é serra;
As conchinhas são barro, areia ou terra;
Os crustáceos, terrestres animais.
Já os peixes nadando, a levitar,
São os seres alados a voar
Entre as nuvens de bolhas e de sais!

As correntes de água são os ventos
Renovando o céu de lá do mar
E os navios, com seus cascos truculentos
Pelo cosmos do mar a flutuar,
São ETs que aparecem sem recado;
Objeto não identificado
Que trafega no alto desse céu,
Quando o louco siri ufologista
Se enterra , mirando bem a vista
Pra não ser “biduzido” pro dedéu!

Tubarão é a águia do oceano;
A moréia é serpente perigosa;
A jubarte um estranho pelicano;
O sargaço, floresta bem frondosa ;
Uma arraia, morcego mais crescido;
Uma ostra, tatu sempre escondido;
Caranguejo, animal avacalhado
Que andando de lado sem parar
Sai com duas tesouras pelo mar...
Deve ser alfaiate esse coitado!

Só difere do mar aqui pra terra
Que nenhuma espécie faz chacina,
Que no ciclo o mais fraco se encerra
E o mais forte num outro se termina.
É seguido o preceito natural:
Nem um Ser quer ser mais especial;
Todos têm seu espaço, todos comem;
Nem um Ser quer o mundo dominar;
Nem um Ser pensa ser o rei do mar;
Nem um Ser se parece com o homem!

Timbaúba, 09/01/2011.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Nas Brenhas de Timbaúba


Entardecer visto da budega de Seu Nado, no pé do cercado da fazenda de Filipe


Timbaúba, 02/01/2011.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A querença do Mar pela Terra



Caminhando à beira-mar
Perguntei ao Céu nublado
Por que vez por outra o Mar
Amanhece ressacado
Querendo a Terra tomar
Meio que desesperado

Pois, com um riso de lado,
O Céu pôs-se a me contar
Que o Mar assim faz guerra
Quando um Vento vem de lá
Beijar a face da Terra
E com ela namorar

E mais em particular
Fez-me o confidenciado
Que o Mar é totalmente
Pela Terra apaixonado
Porém não possui altura
Para tê-la em seu reinado

Mas sempre que um Vento vai
Todo alísio e ateado
Beijar a face da Terra
O Mar logo ali ao lado
Bebe todas, enche a cara
E acorda ressacado!

Timbaúba, 30/12/2010.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu verso & a força da mata-norte



Meu verso tem a pujança
Do mais forte burro-mulo
Tem a leveza do pulo
E a beleza da dança
De um caboclo de lança
Defendendo o seu reisado
O meu verso é compassado
No baque do caboclinho
E tal cavalo marinho
O meu verso é encantado!

Meu verso tem o sabor
Que tem o caldo da cana
É doce se for caiana
E é aguado se não for
É verso de cantador
Mas não do que faz repente
É um verso diferente
Rimado em maracatu
Verso de mestre Salu
Nosso maior expoente!

É um verso com a trama
Das redes de Timbaúba
É verso que não derruba
Nem ofende, nem faz drama
Apenasmente exclama
Pra que o Brasil repense
Pois meu povo é quem mais vence
E merece mais estande.
Ah, se meu verso for grande
É por ser mata-nortense!

Que sendo desse torrão
Ele tem razão de ser
Pois nasce do massapê
E mal saindo do chão
Corre em meio à plantação
Passa um tempo no curral
Comendo capim com sal
Ganha peso, fica forte
S’enleva na mata-norte
E vira um canavial!
.
Um canavial verdinho
Que de tempos é queimado
Fazendo qu'esse versado
Se transforme em malunguinho
Que voa sem ter caminho
Que no vento se levita
E longe se precipita
Desenhando onde cai
Toda beleza que "hai"
Nessa mata tão bonita!

Timbaúba, 27/12/2010.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Duas oitavas de despedida



Vai meu bem, sem falsidade
Vai matar tua saudade
Volta pra tua cidade
Fica o tempo que quiser
Vai com toda liberdade
Pra tua realidade
Que eu congelo a vontade
De te ter como mulher!

E se Deus, o pai clemente,
Fez nós dois pra ser “a gente”,
Inadvertidamente
Lembrarás de mim às vezes
E um sorriso insistente
Vai descer da tua mente
Como quem diz: se agüente,
Afinal, são poucos meses!

João Pessoa, 16/12/2010.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Matuto medroso apaixonado, o Doutor da medicina e o Poeta matador de amor

CENA I: No consultório médico


- Seu Doutor, minha querela
É difícil de explicar
Só sei que me falta o ar
Quando na presença dela
Ou então s’eu penso nela
Na minha imaginação
Vije Maria, sei não
O que é isso Doutor?
- É, só pode ser amor
Isso no seu coração!

- Vije, me lasquei então
E o que é qu'eu faço Doutor
Pra tirar o tal amor
Daqui do meu coração?
- Homi, disso eu não sei não
Pois não é a medicina
Que vai curar essa sina
Desse amor que lhe afeta
Porém pergunte a um poeta
Que ele sim te ensina!


CENA II: No bar com um poeta



- Seu poeta, gente fina,
Só tu podes me salvar
O caso é que dei pra amar
A uma linda menina
Mas eu não quero essa sina
Pois tenho medo, senhor,
Que amor anda co’a dor
E dor só machuca a gente
Por isso me oriente
Pr’eu me livrar desse amor

- Meu amigo sofredor,
Matar um amor é fácil
Tu só tens que ir ao Lácio
E procurar pela flor
Que seja preta de cor;
E assim que a encontrar
Faça um chá, deixe esfriar
E tome num gole só
Que então desfaz-se o nó
E tu deixas de amar!

- Vije! É, deixa pra lá...
Que viagem da mulesta
Não tem forma mais modesta
Pra se deixar de amar?
- Tem outra qu’é se matar
Mas essa né tão correta
Tem também a outra seta
Que foi o que me ocorreu
O meu amor só morreu
Quando dei pra ser poeta!

Pegue o amor que te afeta
Sacuda ele no chão,
Faça dele inspiração
Pra qualquer coisa concreta
Invente de ser poeta,
Seresteiro ou pintor
Só não deixe esse tumor
Inchar no seu coração;
Porque senão, cidadão,
É tu que morre de amor!

João Pessoa, 08/12/2010.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ode a saudade

Mote do poeta Luiz Homero:

"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida!"



Ao destino de ser só,
Saudade é força contrária;
Numa artéria coronária
A saudade é feito um nó!
Quando lembro de vovó
Saudade é dor que trucida,
Mas justo ela valida
Que vovó era amada
Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida!

Tudo aquilo que é bom
Quando um dia chega ao fim
Logo de cara é tão ruim
Mas depois muda seu tom.
Recuperar-se é um dom,
Lembrar sem dor é partida;
Nossa vida só tem ida,
Saudade é a ré quebrada
Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida!

Saudade das brincadeiras,
Da meninada na rua,
De ver a vizinha nua
De cima das goiabeiras,
Que saudade das carreiras
E a pipa mal construída
Que até dava subida,
Mas nunca foi batizada
Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida!

Sem ter medo dos tormentos,
De saudade eu me equipo;
Modelos de todo tipo
Guardo nos meus pensamentos.
Pra infinitos momentos
Uma saudade é erguida,
Desde a cidade querida
E até da ex-namorada
Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida!

João Pessoa, 06/12/2010.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A beleza feminina

Mote sugerido pelo poeta Cícero Moraes:

"Quem é que não admira
A beleza feminina!"



Deus juntou toda beleza
Que ia botar no mundo
Parou, pensou um segundo,
E fez a maior proeza!
Virou tudo sobre a mesa
E com a arte divina
Fez sua obra mais fina:
A mulher, linda safira!
Quem é que não admira
A beleza feminina!

Até mesmo um viado
(E falo sem preconceito)
Quer ter, da mulher, o jeito
Pra ficar afeminado.
E tome rosto pintado,
Um salto que a bunda empina
E calça cintura fina
Com um top só a tira
Quem é que não admira
A beleza feminina!

Mesmo eu muito me pego
Parado, leso, bestando
Pra uma mulher olhando
(E olho mesmo, não nego!)
Eu nunca que vou ser cego
Pois toda tarde, a surdina,
Vou limpar minha retina
Na praça vou fazer mira
Quem é que não admira
A beleza feminina!

A mulher é tão bonita
Que até os olhos dela
Ficam lindos com remela
Ao olhar de quem lhes fita.
Mulher não anda, levita;
Mulher não é, se destina;
Mulher não passa, alucina;
Mulher não pede, ela inspira;
Quem é que não admira
A beleza feminina!

Timbaúba, 04/12/2010.