segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aos cegos!



De repente me vi triste
Numa tristeza tão crua
Que constatei que consiste
Do que vi ontem na rua.
Nem foi tanto pela cena
Da criança tão pequena
A dormir numa calçada;
Fiquei triste mesmo quando
Vi as pessoas passando
Como que não vissem nada!

Belo Jardim, 29/08/2011.

Outra quase Santa



No dia que deu por gostar de Leléu,
Tereza de Joca perdeu-se na vida;
Vestiu um vestido, se fez esculpida
Soltou seus cabelos, ficou um pitéu;
Querendo o pecado esqueceu-se do céu
Chegou em Leléu e danou-lhe um olhar
Que, vixe Maria, Leléu sem piscar
Sumiu com Tereza detrás duma planta
E lá se perdeu outra quase que Santa.
Tem vaga no céu e ninguém pr’ocupar!

Belo Jardim, 29/08/2011.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A falta qu'ela me faz



Todo dia eu me acordo
Com o peito só metade
Bebo um gole de saudade
Me engasgo e me transbordo
Toda vez que me recordo
Do seu beijo tão mordaz
Lá se vai a minha paz
Ganho mais é outro arranho
SÓ DEUS SABE DO TAMANHO
DA FALTA QU'ELA ME FAZ!

Belo Jardim, 25/08/2011.

Uma dedada de poesia no fiofó do juízo

Hoje cá estou, morando em Belo Jardim e estagiando numa das maiores fábricas de acumuladores do mundo (maior da América Latina). E se estou aqui, devo este fato a uma certa dedada de poesia que dei no fiofó do meu juízo.

Digo isso porque fui doido ao ponto de chegar de cara com os gestores do grupo MOURA e fazer uma apresentação em formato de poesia (quadras). Foi assim que dei essa tal dedada de poesia no boga do meu juízo, uma dedada tão certeira que cá estou.

Já faz tempo desse fato ocorrido, mas só agora decidi espalhar o fuxico. Deixo logo abaixo as quadras que declamei, para os gestores, na forma de auto-apresentação quando fiz a seleção de estágio. E aproveito também pra pedir desculpas e compreensão pela falta de constância nas postagens que hão de vir.

Agora a vida está me fazendo mais engenheiro que poeta...

Abraço a todos,
Jessé Costa

********




Sou filho de Timbaúba
A princesinha serrana
Ontem terra dos calçados
Hoje da rede e da cana

Sou o neto de Seu Costa
Homem de garra e valor
Que desde cedo na luta
Tornou-se um grande pintor

Sujeito de mente vasta
Que aprendeu a ler sozinho
Homem de alma or-concur
Dele eu imito o caminho!

Sou o caçula de “Bel”
E o mais novo de Jessé
Ele um exemplo de força
Ela um exemplo da fé!

Desde de pequeno inquieto
Um menino buliçoso
Devo tudo que hoje sei
Ao meu “porquê?” curioso

Eu me divirto com tudo
Fã de uma boa conversa
Mas se algo não me agrega
Pra lazer não me interessa!

Que ao sair de Timbaúba
Fui buscar na capital
Condições pra alcançar
Meu maior potencial!

E não tou pra brincadeira
Que só se vive uma vez
Tou buscando nessa vida
Fazer o que ninguém fez

Acredito ser capaz
Proativo e criativo
Engenheiro para o mundo
Pra melhorar onde vivo!


João Pessoa, 18/05/2011.

domingo, 14 de agosto de 2011

Causo: Manezinho "chêi" de onda



Manezinho, "chêi" de onda
Conversador de lorota
"Contadorzin" de vantagem
Que a todos julga idiota
Um “sem tempo pra pirraça”
Que o povo diz, quando passa:
“Lá vai aquele derrota!”,
Terminou mordendo a língua
E agora tá na míngua
Sendo alvo de chacota!

Pois, “antonte”, o afamado
Que de tanto tá na rua
Falando da vida alheia
Esquecendo-se da sua,
Se passou por um vexame
Que nunca mais deu ditame
Na vida de nenhum Zé
Do “tamãe” do tiro errado
Que Mané deu enganado
No peito do próprio pé!

Pois que o dito era corno
Só ele que não sabia
Mas também querer o que
Se não mais comparecia?
E até aí tudo bem:
A mulé dando o xerém
Pr’os "Boyzin" tarado e novo
E "Manezin" pelas praças
Tripudiando as desgraças
Que descobria do povo!

Mas porém, no mês passado
Tava ele na calçada
Conversando sobre a chuva
E a Nega já abusada
Quando Biu-língua-de-foice
Fofoqueiro de dar coice
Vinha passando na hora
E me contou que a mulé
Deu de luva em Mané
Como eu já vos digo agora:

"Manezin" falando alto
Pra dizer que é bom de peia
Disse: eu queria mesmo
Qu’esse rio desse uma cheia
Pra sair levando “os corno”
Pr'um caminho sem retorno
Pra nenhum aqui ficar.
E a mulé disse irrequieta:
Manezinho, tu se aquieta
Que tu não sabe nadar!

Ele disse: Ouxe, mulé
Que conversa errada é essa?
E Ela disse: Ah, Mané
Lhe sou gaieira confessa
E “dos corno” que aqui tem
Tu não perde pra ninguém
E nem venha com dissídio
Que querendo mal a corno
Você deseja o transtorno
De cometer suicídio!

Eita tomada de rabo
Lascou-se bem na emenda
E Biu tratou de dar cabo
Espalhando essa contenda
Já Mané, do embaraço,
Na praça virou palhaço
Nenhuma moral lhe resta
E se alguém fala de corno
Tenta esconder o adorno
Que a mulé lhe põe na testa!

Timbaúba, 14/11/2011.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Testamento de um sonhador frustrado



Quando me for, moribundo,
Caso algum desocupado
Do meu legado no mundo
Queira fazer fuxicado
Pode assim o condensar:
Nasceu vivo e foi lutar
Pra, quem sabe, ser alguém,
Mas vendeu a alma à-toa;
Foi até boa pessoa
Mas morreu sem ser ninguém!

Belo Jardim, 10/08/2011.

sábado, 6 de agosto de 2011

Predúdio de um algo novo



Tal passarinho que, enfim,
Quebra a casca e sai do ovo;
Tou eu, em Belo Jardim,
Descobrindo um mundo novo.
Vim pr'aqui porque queria
Exercer engenharia
Pr'o planeta melhorar
E tal esse passarinho
Sei que demora um tempinho
Mas eu sei que vou voar!

Como sonho em voar bem
Seguirei com paciência.
Com o tempo o tempo vem,
Afoiteza é imprudência.
Hei de m'espelhar na cena
Do beija-flor que, sem pena,
Leva um tempo pra voar;
Porém, quando empluma o peito,
Faz o voo mais perfeito;
Sabe até parar no ar!

Belo Jardim, 06/08/2011.

sábado, 30 de julho de 2011

Oitava pra quando voltar



Logo assim, quando eu voltar,
Vou atrás de te encontrar
Que só tu pra me salvar
De tanta calamidade
Pois eu vou voltar boiando
E já quase me afogando
Com o peito transbordando
De tanto sentir saudade!

Timbaúba, 30/07/2011.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meio Sísifo ou sei lá.



Sempre fui, desde novo, aventureiro
Nunca tive querença pelo fácil
Quando Deus me inventou, pois no prefácio
Que por ser um Poeta assim matreiro
Do amor eu só sentiria o cheiro
E que eu viveria no seu faro
Desde então, é assim que vivo. E claro,
Nessa busca incessante e sem sentido
Muitas vezes pensei ter conseguido
Mas o amor sempre foge quando eu paro!

João Pessoa, 26/07/2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ao trio, com esmero II



O tempo desce a ladeira
Como um caminhão sem freios
Levando no seu baú
Nossas tardes de recreios
Mas o afeto, entretanto,
É graúdo de um tanto
E tem tanta validade
Que nem daqui a 100 anos
O tempo não causa danos
Pra matar nossa amizade!

Timbaúba, 21/07/2011.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Primeira tirada poética ao Pajeú das Flores



Pelas andanças da vida, por uma esquina do tempo, numa topada do destino... Lá estava eu no meio de um ajuntamento de Poetas de primeira apanha, na casa do Padre/Poeta Bras Costa em Riacho do Meio (distrito de São José do Egito).

Foi, essa, minha primeira tirada poética ao Pajeú das Flores – uma terra encantada, onde poesia de qualidade brota do povo como fosse um mato de buniteza brotando espontaneamente no terreno da imaginação.

Valeu demais a viagem, principalmente por ter estado na presença e trocado idéias com poetas como: João Paraibano, Sebastião Dias, Caio Meneses, Cícero Moraes, Raphael Moura, Ricardo Moura, Renato Moura e o próprio Bras Costa.

Segue, logo mais abaixo, um vídeo registrado por Cícero Moraes, onde eu apareço me enxerindo, a convite do Poeta Bras Costa, em declamar uma poesia de minha autoria. Isso logo depois da apresentação do malassombrado Caio Meneses e dos repentistas João Paraibano e Sebastião Dias. Ora, pense num atrevimento!



Contudo, pseudo-exibicionismo aparte, o caso é que sou fã demais desses fenomenais Poetas populares, improvisadores do inacreditável, desarranjadores das coisas tristes da vida e empeleiteiros da construção do belo nesse mundão sem cercas e sem porteiras.

E como costumo dizer: minha poesia é um menino sem mãe correndo em cima do muro que separa a loucura da razão.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Gratidão à Filipéia



João Pessoa, terra amada
Que tanta coisa me deu
Mesmo sem ser filho teu
Hoje ao seguir minha estrada
Parto de alma enlutada
E o coração pequenino
Pois pra ti cheguei menino
E estou partindo homem feito
Mas vou contigo no peito
E que me venha o destino!

João Pessoa, 14/07/2011.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mote bom da mulesta III

Versos no mote do poeta Raphael Moura, passado pelo poeta Cícero Moraes:

"A correia dentada se partiu
E o motor da paixão se desligou"



O meu peito, altamente automotivo
Eu deixei pilotar a minha amada
Porém ela não era habilitada
E agora eu já sei por qual motivo
Pois guiando tal qual um fugitivo
Numa curva dum sonho, quando entrou,
Uma marcha trocada ela engatou
Que a biela empenou, pistão zuniu
A correia dentada se partiu
E o motor da paixão se desligou!

Hoje meu coração só tem banguela
Que, o motor, a danada destroçou
E na vida que eu sigo, pr’onde vou
Levo nele os estragos todos dela
Inda range, batendo a manivela
Inda arde uma vela que restou
Inda resta do óleo que vazou
Mas, prestando, nem a partida a frio
A correia dentada se partiu
E o motor da paixão se desligou!

João Pessoa, 06/07/2011.

domingo, 3 de julho de 2011

Versos plausíveis



Numa nuvem alada me montei
E voei, pelo céu, pro teu terreiro.
Tava atrás de te ver, mas acabei
Que notei qu'outro alguém chegou primeiro
E dos beijos de amor que ali se davam
Os meus olhos mofinos marejavam
E o meu choro, da nuvem, escorria
Se chovendo por cima do teu beijo
Onde o Outro dizia deste ensejo
- Olha a chuva benzendo-nos, Maria!

João Pessoa, 03/07/2011.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Moça Quimera



Me olhe, mas olhe rindo
Qu’eu sorrirei pra você,
Tal qual faz o sol surgindo,
Sorrindo pro amanhecer!
E me olhe, assim, de frente;
Declarando abertamente
Que o teu olhar é meu,
Porque meu olhar te viu
E, brilhando, ele assumiu
Que quer ser todinho teu!

Me abrace, mas me abrace
Com todo gosto e sem pejo;
Com a força do enlace
Da pata de um caranguejo,
Me arroche na coluna
Num abraço que nos una,
Tu e eu num só sujeito;
Que desse jeito, abraçado,
Eu tou mais que preparado
Pr’um mundo de qualquer jeito!

E não suma. Não s’evada
Logo assim qu’eu acordar,
Fique comigo abraçada
Depois que o sonho acabar.
Fuja desse surreal,
Venha pro mundo real,
Apareça de verdade
E me olhe, e me abrace,
Que só tu pr’eu ver a face
Dessa tal felicidade!

João Pessoa, 28/06/2011.

sábado, 25 de junho de 2011

Teu Rosto – Moça-de-raio-de-sol



Já corria o segundo dia do mês de abril do ano de 2010 e lá estava eu, totalmente encantado. Encanto proveniente do descobrimento da Moça-de-raio-de-sol.

“Que sardas mais lindas” – Lembro desse pensamento como se o estivesse pensando agora (o que, de fato, ainda estou).

Tudo isso porque aquela Senhorita era, e ainda é, a feliz proprietária das sardas estelares mais brilhantes de todo o céu que alcança a vista do pensamento humano. Sardas estreladas formatando, no seu rosto, a constelação homônima da “Moça-de-raio-de-sol”.

Não tinha como deixar de ser... No segundo dia do mês de abril do ano de 2010 eu me arrebatei e sintetizando o encanto concluí: “Nessa visão congelo; perco o verbo, perco o verso...”

Nesse dia escrevi uma poesia pra ela.

Contudo e contando, agora venho aqui arreganhar outra vez esse caso porque a compositora Bruna Alves, minha cantadora do estopô, deu essência a tal referida poesia; transformando-a em música¹.

E é sem mais arrudeios que, logo abaixo, disponho o tiquinho da beleza da Moça-de-raio-de-sol que, à época, consegui rascunhar em palavras. Juntamente ao rascunho segue, ainda, o presente em forma de melodia que nos foi dado a pouco pela Bruna Alves:




Tuas sardas são estrelas
fugidas do firmamento
que encontraram aposento
por entre tuas orelhas
e à sombra das sobrancelhas
mais lindas do universo
mora um olhar perverso,
perverso por ser tão belo;
e eu nessa visão congelo,
perco o verbo, perco o verso...

Teus olhos são duas luas
que alumiam tua face
e se o teu sorriso nasce
ilumina toda a rua;
tua tez espalha, nua,
o tom da tua emoção
e estas tuas sardas são
estrelas num céu de agosto
que desenham em teu rosto
a tua constelação!




¹ Vale salientar que a Moça-de-raio-de-sol, que ouviu em primeira mão a canção, está na torcida para que a banda “Garota Safada” ou qualquer outra dessas bandas de Forró de Plástico gravem uma versão da música. Tudo isso só pra me ver morrer do coração.

sábado, 18 de junho de 2011

Um pedido pela Moça-de-raio-de-sol



RAFAELY foi feita de um raio de sol. Ela é a própria luz no formato de gente humana. Um facho de claridade 24h diárias. Luz que pipoca do pulsar de um peito-astro-solar, desce pra barriga, dá um nó no umbigo, sobe de novo pra garganta e se gargalha luzindo em formato de sorriso.

Quem já conhece Rafaely sabe e quem vai conhecendo, ao perceber, se encanta; que Rafaely foi feita de um raio de sol.

Todavia, como também o sol tem sua luz eclipsada pela lua, Rafa está passando por um momento difícil na sua existência. A moça-de-raio-de-sol, minha eterna “Senhorita”, está com um câncer raro (um sarcoma) e se submeterá a uma cirurgia pra retirada de toda a clavícula e escápula. E o caso é que ela está precisando levantar, dentro de menos de 10 dias, a quantia de 20 mil reais; para assim adquirir uma prótese que substituirá o tecido ósseo retirado.

Por isso vim aqui pedir encarecidamente a todos vocês, que nos acompanham nessa vida estranha e sem muito sentido, que ajudem a Moça-de-raio-de-sol – a Rafaely, Rafa, Xanim ou simplesmente a Senhorita.

Qualquer doação é de grande valia.
Por favor, nos ajude nesta luta!

As doações poderão ser feitas para:

Conta Corrente: 21.324-1
Banco do Brasil, agência nº 1619-5
Nome do favorecido: Rafaely Dantas de Castro.



Um Abraço e muita saúde a todos!

O Mundo Novo



Zamberg Tales tentou
Botar um breque no tempo
E d'um tanto se atrasou
Inventando contratempo
que por muito não notou
que o mundo se transformou
e qu’ele ficou pra trás.
Foi notar nessas semanas
ao comprar uma havaianas
e pagar 30 reais!

João Pessoa, 18/06/2011.

sábado, 11 de junho de 2011

Negócio de vender água



Jurailde Fura-Pão
De tanto não furar couro
Viu dizer que não demora
E água vai valer ouro
E apressando suas pernas
Construiu quinze cisternas
Pra garantir seu tesouro!

Decidiu não tomar banho
E deu pra andar pelado
Pra não ter que lavar roupa
Com o líquido sagrado
E a água qu'ele bebe
É só pra não dar a febe
De morrer desidratado!

Deixou morrer o roçado,
Açude canalizou
E o gado malamanhado
Que o dito não despachou
De sede tá se acabando
E o povo tudo falando
Que Jurailde endoidou

E ele enchendo as cisternas
Diz que depois enche é vaso,
Decidiu e bate pronto
E caso alguém crie caso
Diz que vai ser milionário
Pois é um grande empresário
Com visão de longo prazo!

E eu não duvido não,
Pois pela nossa conduta
Daqui a uns 30 anos
A água boa se enxuta
E a gente vai tá, tudinho,
Comprando água em saquinho
A esse fela-da-puta!

Timbaúba, 11/06/2011.

Arretança Divina



Deus desceu de lá pra cá
E observando a terra
Disse: puta-quiu-pariu,
Quem disse que Deus não erra?!
Na busca de um ser que alcança
Minha imagem e semelhança
Fiz esse que só me ferra!

João Pessoa, 11/06/2011.

domingo, 5 de junho de 2011

Vevança



Mode eu não ser estudado
Por ser da zona rural
Mode o meu palavreado
Atropelar os plural
Mode eu não ser lá um missi
Dos falatório difíci
E das palavra estrangêra
Mode eu ser merminho assim
Tu fica rinu de mim
Mas isso eu acho bestêra

Pruquê eu trago no quengo
O que ninhum livro trás
E do qu’eu sei tu não sabe
O que faço, tu não faz
Pôi tudo quanto aprendi
Eu vivi, eu vi, não li
Limpei foi bosta em curral
Mode aprender com a lida
Que a vevança da vida
É que atropela os plural!

João Pessoa, 05/06/2011.

sábado, 4 de junho de 2011

Pedra rio abaixo



Eu, sendo Pedra rochosa,
Filho de um grande lajedo,
Pr’uma vida grandiosa,
Decidi e, logo cedo,
Sedento por desafio,
Embolei até o rio
Me agarrando à correnteza,
Começando uma viagem
Sem bilhete de passagem
Nas águas da incerteza.

Preso só a libertade
De não se prender a nada,
Seguia o rio com vontade
Numa rota sem parada
E pra onde o rio seguia
Confesso que não sabia;
Mas me era indiferente,
Pois pra mim era o bastante
Ser a Pedra itinerante
Que seguia sempre em frente.

Diferente das demais;
Pobres Pedras incrustadas,
Estaticamente iguais
E de lodo lodeadas.
Pedras paradas qu’eu via,
Enquanto o curso descia
Cada vez mais confiante
De que eu que estava certo,
Um monolito liberto,
Uma Pedra itinerante!

Mas, porém, não obstante,
Eu pequei em não notar
Que a água a todo instante
Estava a me desgastar
E d’arranho em arranho
Já não tinha o tamanho
Que ao cair no rio eu tinha
Pois , pra quem beirava um pão,
Eu já tava tal um grão
Peneirado da farinha!

E nessa pisada eu vinha
A ponto de me acabar,
Foi então que ao fim da linha
Esse rio tornou-se mar
E nesse mar marejado
Terminei sendo empurrado
Pelas ondas pr’outra raia
Onde concluí, do todo:
Melhor ser Pedra com lodo
Que’um Grão de areia na praia!

João Pessoa, 04/06/2011.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nada é perfeito



Que cintura, seio e perna
Que sorriso e que olhar
Linda não, beleza eterna
Que é do tempo se atrasar
Passando em câmera lenta
Quando ela se apresenta
Nos visores do meu peito;
Um peito que se amarrota,
Porque ela nem me nota;
Mas também, nada é perfeito!

UPFB, 01/06/2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Incidental de desejo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Samboque do sonho


Quando o igual do dia-a-dia estiver te levando pra um situação tão banal quanto ver gente morta no jornal do meio-dia; quando a mesmice do “tudo igual” mostrar-se sanada e restabelecida e a pereba do sonho já não te proporcionar aquela coceirinha boa; quando todo o esforço do mundo parecer pouco e o futuro aparecer sorrindo da sua incapacidade de alterá-lo; quando o “é agora!” tiver seu lugar tomado pelo “e agora?”; quando qualquer tanto servir de encanto, mas o pranto cair por todo canto; enfim, quando o mundo alcançar o objetivo de podar a sua força:

Da pereba do seu sonho
Na unha tire o samboque
Não deixe o sonho curar-se
O mantenha sempre em choque
Que o sonho é todo o estoque
Da coceira que incomoda
Essa vida que acomoda
Por isso não se enfade
E coce bem à vontade
Que sonhar é mesmo foda!

João Pessoa, 26/05/2011.

sábado, 21 de maio de 2011

Dou um doce... - Áudio

Áudio das minhas glosas nesse mote arrombólico do poeta Wellington Vicente:



Você pode até falar
e fazer minha caveira
esquentando minha orelha
de tanto me difamar,
mas você perceberá
que seus tiros de festim
não vão te levar a um fim
e eu tou pagando pra ver:
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Da minha vida sumiste
como uma fugitiva
e usaste a prerrogativa
de ainda estar muito triste,
porém logo mais se vistes
nos braços de outro afim
usando esse arlequim
pra tentar me esquecer!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Mudaste como quem muda
de sutiã e calcinha
pensando ser nesta linha
que passa o trem da ajuda,
porém se alguém te estuda
vê que não é bem assim
e nem um Marcos Pasquim
irá te satisfazer
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Pois nas noites de luar
mesmo que com outro estejas
notarás que o que desejas
é do meu beijo provar
mas só poderás beijar
a boca de um manequim
e verás o quanto é ruim
amar e não poder ter!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

João Pessoa, 27/03/2010.

Arrazoando sobre o que se vê por aí



Pouco importa o que aparenta
E o vestir menos ainda,
Porque isso é transitório
Com o tempo cai e finda
E a essência, infinita,
Mostra que pra ser bonita
Basta ter a alma linda!

João Pessoa, 21/05/2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Se não ligar eu nem ligo



Ele mente ao lhe dizer
“Amanhã cedo eu te ligo”
Ela mente ao responder
“Se não ligar eu nem ligo”
E passada essa peitica
Cada juízo pinica
Sem saber quem mais errou
Pois ele não lembra o nome
E ela ainda se consome
Porque ele não ligou!

Timbaúba, 04/04/2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quem me dera...

Mais um tanto de doidiça pra quem interessar possa:



Quem me dera, quem me dera
Eu não fosse em seu pensar
Esse monstro besta-fera
Que só quer lhe massacrar;
Quem me dera ela me visse
Sem ser como o povo disse
Mas do jeito que hoje sou;
Quem me dera, do que sinto,
Qu’ela enxergasse um quinto
Do querer que me encantou!

Quem me dera, quem me dera
Ela visse no meu peito
Não a sombria tapera
Mas um palácio perfeito;
Quem me dera, de repente,
Apagar completamente
Sua errônea impressão
E chumbar na sua mente
Qu’eu só quero apenasmente
Lhe doar meu coração!

Quem me dera, quem me dera
Ela vir me retirar
Dessa fila de espera
Dos que querem seu amar,
Estendendo sua mão
Resgatando esse cristão
Das profundas do querer
E aí, também pudera,
Quem me dera, quem me dera
Ser nós dois até morrer!

João Pessoa, 24/03/2011.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ave Moça



Ave Moça que pousou,
de que céu tu sois vivente;
que inventor te sonhou
e te fez tão reluzente;
e por que que te mandou
pra pousar na minha frente?

Ave Moça que chegou,
tão logo já me povoas,
mas bem sei que tu pousastes;
porém, dentro em breve, voas;
pois beleza como a tua
não se retêm as pessoas!

Sendo assim, quando tu fores
não guardarei arrelia
Ave Moça, serei grato
por ter vivido esse dia
e terei você pra sempre,
pois te farei poesia!

Timbaúba, 18/09/2010.