sexta-feira, 29 de abril de 2011

Num longo beijo roubado



Não sei se estava acordado
Não sei se fantasiei
Sei que um beijo delongado
Eu lembro que te roubei
E quando os olhos fechei
No teu céu eu me perdi
E quando os olhos abri
Me encontrei no paraíso
Do olhar e do sorriso
Que, me olhando e rindo, eu vi!

João Pessoa, 29/04/2011.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O causo do Feio

O causo de um feio, narrado em versos matutos:



Ela deu mole pra ele
Só garanto pruque vi
Ela linda cá mulesta
Ele um traste, um sapoti
Ela olhanu o tempo intêro
E eu dizenu: cumpanhêro
Tá olhanu e é pra ti!

Ela deu mole cá peste
E ele feio c’o estopô
Olhava e se aguniava
Era um tal: vô ou num vô?
Relutô, pensô, tremeu
Duvidô: será pra eu?
Demorô e ôto chegô!

Ela deu mole dimai
E ele o Cão numa visage
Perdeu prum cabra mais feio
Mai que têve mai corage
Lascânu a chance de ôro
De conseguir furá côro
Sem sê cuma catrevage!

João Pessoa, 26/04/2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Na bodega da Saudade



Da bodega da Saudade
Era o mais comum freguês
Ali todo fim de tarde
Estava ele outra vez
Encostado no balcão
Bebendo recordação
E beliscando um talvez.

Nos trinta dias do mês
Era ali fiel cliente
E sempre imerso em mudez
Só falava o pertinente
Mas seu olhar acendia
Quando a Saudade o servia
Outra lembrança aguardente!

Chegava inteiro, impecável
E começava a beber
E depois de umas lembranças
Entornadas com sofrer
Definhava de um tanto
Que voltava ao seu recanto
Sem ninguém lhe conhecer.

Até quando um certo dia
Ele não apareceu
Ninguém viu, ninguém mais via
Simplesmente escafedeu
Não mas pisou na bodega
E por onde ele trafega
Ninguém nunca esclareceu.

Mas se fala na cidade
Qu’ele hoje vive ausente
Da bodega da Saudade
Por um motivo expoente:
Dizem qu’ele hoje dança
No cabaré da esperança
De um dia amar novamente!

João Pessoa, 25/04/2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O coelho na lua



Se a lua tem um coelho,
Pelejei mas nunca vi
E se o amor é quem faz vê-lo
Desenhado bem ali
Eu só posso acreditar
Que mesmo pensando amar
O amor não conheci!

Mas se ali tem um coelho,
Como dizem por aí
E o amor é quem faz vê-lo
Vou mentir que não menti:
Como eu disse te amar
Se alguém me perguntar
Vou dizer que olhei e vi!

Timbaúba, 22/04/2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Se eu fosse um marimbondo



Ah, se eu fosse um marimbondo
Não queria nem saber
Eu mirava no teu peito
E ferroava você
Pra você sentir o ardor
Do ferrão do meu amor
E o fervor do meu querer!

Mas eu não sou marimbondo
Não alço vôo do chão
E esse querer que carrego
Não posso por num ferrão
Mas se eu fosse um maribondo
Era o meu amor expondo
E pondo em teu coração!

Timbaúba, 10/04/2011.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Estaca de Sabiá



Estaca de sabiá
Que delimita o cercado
Foi esse arame farpado
Que te fez silenciá
Ou não sois familiá
Dos passarinho cantante
Que não passa um só instante
Sem um canto sibilá?

Sois feita do sabiá
Do passarinho faguêro
Desse cantadô primêro
Daqui das zôna rurá
Ou sois pau de se cercá
Terreno de hômi rico?
Pra que que serve teu bico
Pro arame ou pro cantá?

Se sois pau de se cercá
Terreno de coroné
Esse teu nome não é
Motivo pra se honrá
E afiná, se teu finá
é tomá o bem comum
eu não vejo mal nenhum
no arame te enforcá

Mas me deixe só clamá
Se tu sois assim parente
Desses sabiá valente
Que se vê pruqui prulá
Se desate a gorjeá
No bico tore esse arame
A terra livre proclame
E ganhe o mundo a voá!

João Pessoa, 19/04/2011.

Gente vil



Gente vil que vive imersa
Dentro do seu próprio umbigo
Fechando os olhos pra o resto
Que não vive em seu abrigo
E fica escandalizada
Quando passa na calçada
Onde repousa um mendigo!

Gente besta da mulesta
Que respira ostentação
Que nunca desce do salto
E seu pé não toca o chão
Gente da mente pequena
De você eu tenho é pena
Pobre nauta da ilusão!

Pois um dia de repente
Descobres que és infeliz
E de repente te sentes
Com a vida por um triz
Ao notar por um segundo
Qu’esse NOSSO imenso mundo
Vai além do seu nariz!

Ao notar que o mendigo
Que dormia na calçada
Pra você ter sua vida
Teve a dele usurpada
E que pra você ter tudo
Aquele velho barbudo
Nunca que teve foi nada!

Gente vil que vive imersa
No ouro, na prata e cobre
Ao notar ser infeliz
Buscaras pousar de nobre
Fazendo filantropia
Pra enriquecer um dia
Tua alma triste e pobre!

Timbaúba, 27/02/2011.

domingo, 17 de abril de 2011

Babuleta Incolor



As vezes te ofendo inventando outro apodo
Porém na verdade – Oh, minha querida!
Reclamo: feiosa, autista ou metida
Porque o que sinto é lajedo com lodo
E s’eu te elogio esbagaço-me todo
Nas pedras escarpas do “se apaixonar”
Pois isso, querida, releve o falar
Do pobre medroso que foge do amor
Que pensa e não diz: “Babuleta Incolor”
Tu sois o encanto da beira do mar!

Tu sois borboleta de asa incolor
Que brilha na cor da fulô que pousar
Teu vôo de raro se perde no ar
Não há outro ser com tamanho torpor
Sabendo não ser o melhor caçador
Não sei se consigo te capturar
Por isso que evito teu jogo jogar
Porque você sendo espécime raro
S’eu perco esse jogo com custo tão caro
O IBAMA me prende na beira do mar!

Timbaúba, 11/01/2011.

sábado, 16 de abril de 2011

Soneto do Acaso



Na sequência de um “puta-que-pariu!”
Veio logo o dizer: que merda é essa!?
E não é que não era uma remessa
Das mentiras que um dia ela mentiu!

Numa carta que, ao tempo, escapuliu
Se escondendo atrás d’uma travessa
Cada letra pintava de promessa
As mentiras do amor que me iludiu!

Indaguei perturbado: Agora deu!
Quando a gente acredita que esqueceu
O acaso arquiteta essa piada?!

Pro inferno esse acaso irreverente!
Tava novo e agora novamente
Tou molhando com pranto uma risada!

João Pessoa, 14/04/2011.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rindo e voltando



É rima que sai sorrindo
É rima que vem chorando
Rima por amor surgindo
Rima por amor findando
Rima que se rima indo
Rima que rima voltando

Rima que rima voltando
Rima que se rima indo
Rima por amor findando
Rima por amor surgindo
É rima que vem chorando
É rima que sai sorrindo!

João Pessoa, 14/04/2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Timbaúba, Princesa Serrana III



À direita do rio das capivaras
A semente plantada germinou
Entre os morros a mais rica seara
Toda zona da mata norteou
Quando Deus lá de cima arquitetou
Cada traço do mundo e a natureza
Reservou-te o trono de princesa
E cercou-te de serras por inteira
Te habitando da gente mais guerreira
Dos teus trunfos, esplêndida grandeza!

Quem nasceu e cresceu no teu quintal
Só encontra razões pra te amar
Impossível alguém não se encantar
Com o verde do teu canavial;
A sabença do cidadão rural;
Tuas quartas e sábados de feira;
As igrejas, as praças, a rua inteira;
Pontilhão, estação e o trem passando
Carregado e ainda carregando
Mais um “mói” de menino na traseira!

Assim, sendo teu filho natural
É normal tanto amar tua ribeira
E morando tão longe ao teu curral
Mais ainda a saudade alvoroceira...
Ah, se eu fosse da cana queimadeira
Um alado e pequeno malunguinho
Eu voando tomava o teu caminho
E caia tranqüilo em teu regaço
Pra sentir, Timbaúba, o teu abraço
E o mormaço amoroso do teu ninho!

João Pessoa, 11/04/2011.

sábado, 9 de abril de 2011

A saudade passou arrebentando

Mote passado pela Mariana Teles:



Da janela eu vi passar na rua
Um andar igualzinho ao que amei.
Pra varanda corri e constatei
Que este vulto quebrara a meia-lua,
Adentrando o jardim que se situa
Na entrada do canto em que me ajeito.
Lá de cima gritei: vem que te aceito
Mas o vulto sumiu sequer me olhando;
A SAUDADE PASSOU ARREBENTANDO
O PORTÃO DE ENTRADA DO MEU PEITO!

João Pessoa, 05/04/2011.

terça-feira, 5 de abril de 2011

...E se? - Áudio

Ouça a seguir a declamação da poesia "...E se?":



E se a gente se encontrasse
Daqui a cinquenta anos
Ostentando os desenganos
Nas rugas de nossa face
E se a gente se olhasse
E se a gente ali se visse
Uma setentona “misse”
E um poeta aposentado
Será que todo passado
Pareceria tolice?

Ou será qu’eu sentiria (notaria)
Bem ali naquele instante
Que minha vida foi errante
Sem a tua companhia?
Será qu’eu perceberia
Que você não foi mais uma
Que passou como uma bruma
Nebulosa e envolvente.
Eu não sei, só sei somente
Que o presente é quem nos ruma...

E se a gente se topasse
Que diferença faria
Se o tempo não deixaria
Qu’eu contigo regressasse
A nossa história mudasse
Nossos erros resolvesse
E o nosso amor revivesse,
Mas só que o tempo não deixa
E é por isso que essa queixa
Nunca há de responder-se!

Afinal, somos humanos
Só Deus é onisciente
E o futuro é um delinquente
Que sempre foge dos planos
É muito cinquenta anos
Não tem como adivinhar
E eu prefiro não pensar
Pois se a gente se rever
Juro por Deus não saber
Como iria me portar!

Timbaúba, 19/01/2011.

sábado, 2 de abril de 2011

Soneto da Submissão

Dedicado a Manoel Costa Palma



Carrego nesse peito desvairado
O arado que Vovô nele deixou
Dizendo-me: a mulher é um ser sagrado
Alado encantamento que pousou;

Desceu de lá do céu e aqui chegou
Pra ser do bicho homem a nobreza
Porém o bicho homem a rebaixou
Por não saber lidar com essa grandeza!

E hoje quando vejo em todo canto
Mulheres aceitando sem espanto
O manto negro da submissão,

Pergunto pra Vovô discretamente:
Ninguém querendo, como pode a gente
Dar jeito nessa torta condição?!

João Pessoa, 02/04/2011.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Auto-retrato de um Poeta doido



Sou um doido matutando
Cá nos pensamentos meus
Se a Lua no céu brilhando
Não seria, contra os breus,
O candeeiro que Deus
Acende e bota no espaço
Pra jogar luz no terraço
Do olhar dos sonhadores;
Outros doidos torcedores
De um mundo menos devasso!

Sou um doido e ao mesmo passo
As estrelas, todas elas,
Assumem no seu regaço
A função da luz de velas;
Faiscando mais singelas,
Pontilhando o firmamento
Que alumia o pensamento
Desse doido que, a granel,
De noite admira o céu
Mergulhado em seu alento!

Sou um doido em tratamento
Pra ficar mais doido ainda,
Que a doidiça é um acalento:
Deixa a vida bem mais linda!
Minha poesia brinda
E bebe dessa doidiça
De ser doido, que se atiça
E viaja doidamente
Nos quase nada que a mente
Não enxerga por preguiça!

João Pessoa, 01/04/2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bloco dos Apaixonados - Áudio

Ouça aqui a poesia Bloco dos apaixonados:

segunda-feira, 28 de março de 2011

O dia em que Zé da Luz voltou do céu

Homenagem ao gigantesco poeta Itabaianense



Lá nos céus do firmamento
Deus chegou em Zé da luz
Disse: Zé, é teu momento
Vás cair dos céus azuis
Vás pra terra regressar
Porém não podes voltar
Novamente em forma humana
Mas qualquer outro modelo
Que quiseres, ai de sê-lo
Pr’outra passagem mundana!

Zé da luz de lá de cima
Regalou os “ói” pra terra
Depois debulhou a rima
Apontou pr’um pé de serra
E ao Divino respondeu:
Pai dos mundo, pai de eu
Tái vênu aquela casinha
De janela avarandada
Lá chêi de prânta prantada
No parapeito todinha!

Pôi ali mora Nitinha
Morena das anca laiga
Lindeza primêra linha
Que minha querença raiga
E derna que aqui cheguei
Meus “ói” dela eu não tirei
Eu vévo a morte intêrinha
Esperanu as hora quéla
Se escancha na janela
Pra dimirá as tardinha!

E se o caso é dêu vortá
Eu num penso duas vêi
Pai celeste espie lá
Na janela quêu falei,
Tu tái vênu aquelas frô
Pôi eu quero, meu sinhô
Ser uma fulô daquela!
Pôi pra não sê Zé da luz
Quero tá entre os cuscuz
De Nitinha na janela!

João Pessoa, 28/03/2011.

Deu errado demais!



Depois da primeira vista
Onde tudo deu errado
Outra chance de conquista
Surge para o conquistado
Na segunda vez que os dois
Trocam abraços e “ois”
Ele monta um argumento
E derrama sobre ela
Numa forma bem singela
Dizendo seu pensamento:

- Moça de brilho ofuscante
Sentada naquela mesa
Não me olhasse um instante
Fazendo por malvadeza
Qu’eu deixasse a gentileza
Para ali lhe perturbar
Pois querendo seu olhar
Acabei sendo insensato;
Moça, juro, eu só fui chato
Pra você me reparar!

Derna então daquela noite
Onde eu só soube teu nome
Que procuro a todo acoite
Saber do teu telefone
Pois moça, vou ser sincero
Derna de lá eu só quero
Saber mais quem é você
Pois beleza como a sua
Nunca avistei na rua
Só apenas na TV!

Mas não pense aqui com isso
Qu’eu esteja aqui mentido
E que nesse reboliço
Queira estar lhe iludindo
Que só quero, dona moça
Branca boneca de louça
Do sorriso encantador
Fazer você consciente
Que daquela noite em frente
Sou seu admirador!

E agora qu’eu já disse
Tudo que tinha a dizer
Tou vendo que tu não visse
Graça no bem querer
E que o teu rosto só passa
O quanto tu tá sem graça
Querendo se enterrar,
Porém não se aperrei
Que o que fiz, desfarei.
É assim, vou lhe explicar...

Mode nós dois evitar
Tua pele avermelhada
Testemunha a delatar
Uma alma envergonhada
Vamos aqui acertar:
Quando a gente se encontrar
Noutra noite inesperada
Façamos o que nos cabe
Você finge que não sabe
E eu que não lhe disse nada!

João Pessoa, 27/03/2011.

terça-feira, 22 de março de 2011

O teu sorriso e a Lua



A lua sumiu do céu
Lá ao longe ela desceu
Logo mais você chegou
Raiando teu apogeu
E eu olhando aqui da rua
Desconfio que a lua
A noite desmereceu
Deixando a pobre tão oca
Pelo céu da tua boca
Pra morar no riso teu!

João Pessoa, 21/03/2011.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Última parada

Mais uma parceria minha com a Poetisa Ágda Moura. Dessa vez escrevendo baseando-se na foto logo mais abaixo, que foi captada por minha pessoa na zona rural de Timbaúba/PE.



Jessé Costa:

É agora, tem que ser
Que o caminho se apartou
É a hora de escolher
Eleger que lado eu vou
Indo as cegas, sem saber
S’esse lado é o que você
Vai tomar ou já tomou.

Ágda Moura:

Pode ir pra qualquer lado
No final é sempre certo
As cegas nos entregamos
Mas o destino é esperto
E desperdício é deixar
A gente não se encontrar
Pois o tão longe é tão perto

Jessé Costa:

S’eu tomar o lado certo
Talvez um dia te alcance
S’eu tomar o lado errado
Talvez não tenha outra chance
Pois s’eu tiver que voltar
Tentando te alcançar
Talvez fadigado eu canse.

Ágda Moura:

Todo caminho é cansado
Procure não procurar
Se um dia for de se ter
O destino nos guardará
E se a gente se perder
Quem sabe um dia vai ser
da gente um dia se achar

Jessé Costa:

Mas eu já estou aqui
Tendo que me decidir
Vou tomar qualquer caminho
Deixando um rastro ao partir
Pois se acaso eu me perder
Quem sabe não é você
Que me encontra ao me seguir.

Ágda Moura:

Eu te sigo vagarosa
Te procuro lentamente
Sem querer, quero teu rastro
Sinto eu tão fortemente
Que na última parada
A gente se acha na estrada
Pra ser feliz bem pra sempre!

Parceria Internetada, 20/03/2011.

domingo, 20 de março de 2011

Matuto quando se muda

Dedicada ao grande amigo Filipe Apolinário



Matuto quando se muda
Não enche mêi caminhão
Na caçamba vão somente
Um fogão com seu bujão
Uma caminha simbólica
Uma antena parabólica
E a velha televisão!

A geladeira Brastemp
Sanguessuga de energia
Um sofá todo surrado
Remendado por Maria
E um mundéu de cacareco
Calcinha, espelho e caneco
Tudo numa só bacia!

Mas quem vê nem desconfia
Que o dono desse quinhão
Leva com essa mudança
Dentro do seu coração!
Um treminhão apinhado
Com sonhos por todo lado
Da vida no novo oitão!

A pouca coisa demais
Do cabedal que detém
Pro matuto pouco importa
Pois pra ele o maior bem
É Maria, sua nega
E o amor dessa burrega
Só mesmo ele é quem tem!

Matuto quando se muda
Não enche mêi caminhão
Mas a F4000
Mesmo assim cepa no chão
Ao sentir o peso bruto
Da bravura que o matuto
Leva no seu coração!

Timbaúba, 19/03/2011.

terça-feira, 15 de março de 2011

A mosca



Eu admiro uma mosca
Criatura mafiosa
Alisando as suas mãos
Ante a carne apetitosa
Como quem diz: é agora
Se a tapa pega me tora
Mas eu como essa gostosa!

UFPB, 15/03/2011.

sábado, 12 de março de 2011

Converseiro pêia



Inventei um dicionário
Pra te elogiar mais bem
Neologismos? Mais de cem!
Um novo vocabulário
De primeza e caprichário
Grandoso e fosforescente
Dos que engrandece a gente
Que deixa o homi viçoso
Mas como sou cabuloso
Entoquei em minha mente

Guardo esse elogiário
Pra oiçar nos seus ouvidos
Distante dos alaridos
Das quermesse, dos rosário
Pois como não sou vigário
Pr’essa nossa conversinha
Eu quero é você sozinha
Que’u sussurro, eu te gabo
Te louvo de cabo a rabo
E te acabo todinha!

Jessé Costa, 06/08/2008

terça-feira, 1 de março de 2011

Passarin que busca essência

Mote visto em música do poeta Zeto:

"Passarinho que busca Essência
No colo virgem da flor."



Você do canto mestiço
Que a voar vive a procura
Duma explicação mais pura
Pro nosso existir postiço
Eu sei bem como é que é isso
Companheiro cantador
Mas no amor e em seu verdor
Me perdi por inocência
Passarin que busca essência
No colo virgem da flor!

Hoje apenas me limito
A admirar você
Que voando ainda crê
No sorrir demais bonito
Olhando lá do infinito
As flores cheias de cor
Sou seu fã nobre cantor
Sou fã da tua insistência
Passarin que busca essência
No colo virgem da flor!

Pois das vezes que pousei
No colo das minhas flores
Quase morro com as dores
Dos espinhos que encontrei
Se curar-me-ei não sei
E nem me acresce supor
Prefiro ser torcedor
Dessa tua diligência
Passarin que busca essência
No colo virgem da flor!

Mas se um dia, lá que seja,
Cansado e desiludido
Desistires já ferido
No sentir que nos caleja
Eu te pago uma cerveja
Pra gente afogar a dor
E o álcool e o desamor
Será nossa dependência
Passarin que busca essência
No colo virgem da flor!

Timbaúba, 20/02/2011.

Sovaqueira do Estopô



Tão bonita, tão formosa
Que dava gosto de olhar
E olhando assim de longe
Eu ficava a imaginar:
S’uma chance ela me desse
Duvido qu'eu não fizesse
Ela se apaixonar!

Foi então que a vi chegar
Com seus dentes de marfim
Se sorrindo a refletir
O momento em que enfim
Aquela moça distante
Se chegava em meu quadrante
Dando a tal chance pra mim!

Onde eu aprendi por fim
A lição mais acertada
Que dizia o Ataulfo:
Laranja em beira de estrada
Se tá madura, é de certo:
Ou tem maribondo perto
Ou deve de tá bichada!

Pois antes mesmo a cantada
Qu’eu ia dizer pra ela
Fiquei murcho, abatido
Com a pele amarela
E sentido a vista fraca
Quase morro na inhaca
Vinda do sovaco dela!

E findando essa querela
Com a venta dada um nó
Enquanto que minha mente
Misturava riso e dó
Eu falei com um tom fraco:
Se fede assim no sovaco
Imagina o fiofó!

Timbaúba, 01/03/2011.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oração de um fela da puta apaixonado



Quanto tempo, meu Deus, que já passou
Quanto tempo, meu Deus, daquele rosto
Quanto tempo, meu Deus, daquele gosto
Quanto tempo, meu Deus, e aqui estou
Pois no tempo, meu Deus, quem triunfou
Na batalha do Adeus que nós travamos,
Se esse tempo passou e não passamos
De dois corpos completamente ocados?
Me responda, meu Deus, se estão errados
Os caminhos da vida que tomamos?!

Me responda se o tempo encerra em dolo
Ou se o tempo com tempo o tempo aplaca
Diga a nossa coragem o quanto é fraca
E esse nosso orgulho o quanto é tolo
Depois diga, esse amor, aonde pô-lo
Pra jamais outro alguém lhe maltratar
E, meu Deus, sem querer lhe atazanar
Me responda mais outro atrevimento:
Onde estava, Senhor, seu pensamento
Ao deixar que nós dois formasse um par?!

Timbaúba, 28/02/2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A vitória da vida e coisa e tal

As sextilhas que seguem mais abaixo foram inspiradas num Bornal do poeta Cícero Moraes (CM) que estava pendurado e esquecido há tempos numa parede dos fundos de sua guarida. O caso é que nesse Bornal, que outrora era usado para carregar os frutos das caçadas do poeta, um passarinho (garrincha) deu por fazer seu ninho e lá o poeta ao fazer uma vistorio acabou por encontrar 5 pequenas garrinchinhas filhotes. E foi justamente com esse fato em mente que nós dois desapeamos a escrever as seguintes sextilhas:





CM

Bornal velho aposentado
Já trouxeste das caçadas
Muitas vidas já extintas
Dos bichinhos das chapadas
Há tempos trazias morte
Hoje, vidas renovadas

JC

Dos frutos das espingardas
Há muito fostes nutrido
Hoje matas tua fome
Sendo abrigo guarnecido
Do viver que vistes morto
E agora tu vês nascido!

CM

Vejo um filhote crescido
Ao lado de outros mais
A morte já não habita
Tuas fibras de cizais
És hoje um local sereno
Não verás sangue jamais

JC

Servindo pr’outros Bornais
De espelho em sua causa e sorte
Mostrarás que a vida é grande
Mostrarás que a vida é forte
E que onde ela começa
Não tem espaço pra morte!

Timbaúba, 27/02/2011.


********

Pois não é que um tanto depois eu fui perguntar ao poeta Kerlle de Magalhães o que o danado tinha achado dos versos. E o caso é que o mesmo já havia visto a poesia no site do poeta Cícero Moraes e disse que tinha achado arretado, mas não tinha atinado que JC se referia ao meu nome. Daí não resisti e desatei, dizendo pra o poeta a seguinte setilha nota de esclarecimento:

Esse JC da rima
Que o povo gosta ou desgosta
E se assina assim por cima
Da estrofe troncha e posta
Não é Jornal do Commércio
É o JC do néscio
E poeta Jessé Costa!

Timbaúba, 27/02/2011.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alegria no palco da loucura



Sou palhaço do circo de um real
Onde a graça sai quase que de graça
Mas o riso sincero se transpassa
Da piada, pilhéria, do irreal.
Se a platéia me aplaude é um sinal
De que meu existir ainda importa
Na pobreza do circo me conforta
Os sorrisos terceiros, pais dos meus,
Honorários presentes, dons de Deus
Que a dureza dos dias, rindo, entorta!

Não qu’eu seja um eterno venturoso
Pois no rosto onde a boca o riso aflora
A menina dos olhos sofre e chora
Nos momentos do ardor mais tortuoso
Mas, amigos, sorrir é tão gostoso
E o sorriso a tantas dores cura
Que eu prefiro viver nesta ventura
De sorrir na pobreza e fazer rir...
Sou palhaço e o que eu faço é impelir
Alegria no palco da loucura!

Timbaúba, 22/02/2011.

O reboco feminino - ÁUDIO

Ouça aqui o causo do Reboco Feminino:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Biuzin e a pintura do céu

Um causo puramente propagandista

Montado em cima duma besta alada
Num dia cinza em tom de tempestade
Biuzin voou por sobre a cidade
Deixando Timbaúba assanhada
Depois de um tempo ele parou do nada
Por sobre o pontilhão da estação
Aterrissou a sua besta ao chão
Na Casa Costa Filho adentrou
Comprou a tinta e voando pintou
De azul celeste toda a imensidão

Depois voltou pro céu levando o troco
E devolvendo o troco pra “São Pêdo”
Ouviu do Santo: Biu eu tive medo
Que esse dinheiro ainda fosse pouco
Mas o azul ficou foi do pipôco
E eu gastei praticamente nada
Ôh Costa Filho loja afeiçoada
Pôi corra o mundo e diga pros pintores
Que aqui no céu só pinta co’as cores
Daquela loja de tinta arretada!

Timbaúba, 24/02/2011.