sábado, 11 de junho de 2011

Negócio de vender água



Jurailde Fura-Pão
De tanto não furar couro
Viu dizer que não demora
E água vai valer ouro
E apressando suas pernas
Construiu quinze cisternas
Pra garantir seu tesouro!

Decidiu não tomar banho
E deu pra andar pelado
Pra não ter que lavar roupa
Com o líquido sagrado
E a água qu'ele bebe
É só pra não dar a febe
De morrer desidratado!

Deixou morrer o roçado,
Açude canalizou
E o gado malamanhado
Que o dito não despachou
De sede tá se acabando
E o povo tudo falando
Que Jurailde endoidou

E ele enchendo as cisternas
Diz que depois enche é vaso,
Decidiu e bate pronto
E caso alguém crie caso
Diz que vai ser milionário
Pois é um grande empresário
Com visão de longo prazo!

E eu não duvido não,
Pois pela nossa conduta
Daqui a uns 30 anos
A água boa se enxuta
E a gente vai tá, tudinho,
Comprando água em saquinho
A esse fela-da-puta!

Timbaúba, 11/06/2011.

Arretança Divina



Deus desceu de lá pra cá
E observando a terra
Disse: puta-quiu-pariu,
Quem disse que Deus não erra?!
Na busca de um ser que alcança
Minha imagem e semelhança
Fiz esse que só me ferra!

João Pessoa, 11/06/2011.

domingo, 5 de junho de 2011

Vevança



Mode eu não ser estudado
Por ser da zona rural
Mode o meu palavreado
Atropelar os plural
Mode eu não ser lá um missi
Dos falatório difíci
E das palavra estrangêra
Mode eu ser merminho assim
Tu fica rinu de mim
Mas isso eu acho bestêra

Pruquê eu trago no quengo
O que ninhum livro trás
E do qu’eu sei tu não sabe
O que faço, tu não faz
Pôi tudo quanto aprendi
Eu vivi, eu vi, não li
Limpei foi bosta em curral
Mode aprender com a lida
Que a vevança da vida
É que atropela os plural!

João Pessoa, 05/06/2011.

sábado, 4 de junho de 2011

Pedra rio abaixo



Eu, sendo Pedra rochosa,
Filho de um grande lajedo,
Pr’uma vida grandiosa,
Decidi e, logo cedo,
Sedento por desafio,
Embolei até o rio
Me agarrando à correnteza,
Começando uma viagem
Sem bilhete de passagem
Nas águas da incerteza.

Preso só a libertade
De não se prender a nada,
Seguia o rio com vontade
Numa rota sem parada
E pra onde o rio seguia
Confesso que não sabia;
Mas me era indiferente,
Pois pra mim era o bastante
Ser a Pedra itinerante
Que seguia sempre em frente.

Diferente das demais;
Pobres Pedras incrustadas,
Estaticamente iguais
E de lodo lodeadas.
Pedras paradas qu’eu via,
Enquanto o curso descia
Cada vez mais confiante
De que eu que estava certo,
Um monolito liberto,
Uma Pedra itinerante!

Mas, porém, não obstante,
Eu pequei em não notar
Que a água a todo instante
Estava a me desgastar
E d’arranho em arranho
Já não tinha o tamanho
Que ao cair no rio eu tinha
Pois , pra quem beirava um pão,
Eu já tava tal um grão
Peneirado da farinha!

E nessa pisada eu vinha
A ponto de me acabar,
Foi então que ao fim da linha
Esse rio tornou-se mar
E nesse mar marejado
Terminei sendo empurrado
Pelas ondas pr’outra raia
Onde concluí, do todo:
Melhor ser Pedra com lodo
Que’um Grão de areia na praia!

João Pessoa, 04/06/2011.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nada é perfeito



Que cintura, seio e perna
Que sorriso e que olhar
Linda não, beleza eterna
Que é do tempo se atrasar
Passando em câmera lenta
Quando ela se apresenta
Nos visores do meu peito;
Um peito que se amarrota,
Porque ela nem me nota;
Mas também, nada é perfeito!

UPFB, 01/06/2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Incidental de desejo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Samboque do sonho


Quando o igual do dia-a-dia estiver te levando pra um situação tão banal quanto ver gente morta no jornal do meio-dia; quando a mesmice do “tudo igual” mostrar-se sanada e restabelecida e a pereba do sonho já não te proporcionar aquela coceirinha boa; quando todo o esforço do mundo parecer pouco e o futuro aparecer sorrindo da sua incapacidade de alterá-lo; quando o “é agora!” tiver seu lugar tomado pelo “e agora?”; quando qualquer tanto servir de encanto, mas o pranto cair por todo canto; enfim, quando o mundo alcançar o objetivo de podar a sua força:

Da pereba do seu sonho
Na unha tire o samboque
Não deixe o sonho curar-se
O mantenha sempre em choque
Que o sonho é todo o estoque
Da coceira que incomoda
Essa vida que acomoda
Por isso não se enfade
E coce bem à vontade
Que sonhar é mesmo foda!

João Pessoa, 26/05/2011.

sábado, 21 de maio de 2011

Dou um doce... - Áudio

Áudio das minhas glosas nesse mote arrombólico do poeta Wellington Vicente:



Você pode até falar
e fazer minha caveira
esquentando minha orelha
de tanto me difamar,
mas você perceberá
que seus tiros de festim
não vão te levar a um fim
e eu tou pagando pra ver:
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Da minha vida sumiste
como uma fugitiva
e usaste a prerrogativa
de ainda estar muito triste,
porém logo mais se vistes
nos braços de outro afim
usando esse arlequim
pra tentar me esquecer!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Mudaste como quem muda
de sutiã e calcinha
pensando ser nesta linha
que passa o trem da ajuda,
porém se alguém te estuda
vê que não é bem assim
e nem um Marcos Pasquim
irá te satisfazer
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

Pois nas noites de luar
mesmo que com outro estejas
notarás que o que desejas
é do meu beijo provar
mas só poderás beijar
a boca de um manequim
e verás o quanto é ruim
amar e não poder ter!
Dou um doce se você
um dia esquecer de mim!

João Pessoa, 27/03/2010.

Arrazoando sobre o que se vê por aí



Pouco importa o que aparenta
E o vestir menos ainda,
Porque isso é transitório
Com o tempo cai e finda
E a essência, infinita,
Mostra que pra ser bonita
Basta ter a alma linda!

João Pessoa, 21/05/2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Se não ligar eu nem ligo



Ele mente ao lhe dizer
“Amanhã cedo eu te ligo”
Ela mente ao responder
“Se não ligar eu nem ligo”
E passada essa peitica
Cada juízo pinica
Sem saber quem mais errou
Pois ele não lembra o nome
E ela ainda se consome
Porque ele não ligou!

Timbaúba, 04/04/2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quem me dera...

Mais um tanto de doidiça pra quem interessar possa:



Quem me dera, quem me dera
Eu não fosse em seu pensar
Esse monstro besta-fera
Que só quer lhe massacrar;
Quem me dera ela me visse
Sem ser como o povo disse
Mas do jeito que hoje sou;
Quem me dera, do que sinto,
Qu’ela enxergasse um quinto
Do querer que me encantou!

Quem me dera, quem me dera
Ela visse no meu peito
Não a sombria tapera
Mas um palácio perfeito;
Quem me dera, de repente,
Apagar completamente
Sua errônea impressão
E chumbar na sua mente
Qu’eu só quero apenasmente
Lhe doar meu coração!

Quem me dera, quem me dera
Ela vir me retirar
Dessa fila de espera
Dos que querem seu amar,
Estendendo sua mão
Resgatando esse cristão
Das profundas do querer
E aí, também pudera,
Quem me dera, quem me dera
Ser nós dois até morrer!

João Pessoa, 24/03/2011.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ave Moça



Ave Moça que pousou,
de que céu tu sois vivente;
que inventor te sonhou
e te fez tão reluzente;
e por que que te mandou
pra pousar na minha frente?

Ave Moça que chegou,
tão logo já me povoas,
mas bem sei que tu pousastes;
porém, dentro em breve, voas;
pois beleza como a tua
não se retêm as pessoas!

Sendo assim, quando tu fores
não guardarei arrelia
Ave Moça, serei grato
por ter vivido esse dia
e terei você pra sempre,
pois te farei poesia!

Timbaúba, 18/09/2010.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Taliquá tanajura



Eu admiro um sorriso,
Sem conseguir se conter,
Antever que vem o amor;
Assim como, bem dizer,
Faz, voando, a tanajura
Prevendo que vai chover!

Quando a chuva vem chegando
A Tanajura no chão
Abandona o formigueiro
E voa pr'a imensidão
Desenhando no seu vôo
Que é de chuva a estação!

Assim mesmo é o sorriso,
Mas não o riso vulgar.
Falo daquele sorriso
Que não dá pra controlar
E sai voando da alma
Quando o amor tá pra chegar!

João Pessoa, 05/05/2001.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um tiquinho de balela e 10 centavos de versos

Começo a ter medo dessa doidiça poética chamada inspiração. Ela as vezes atrapalha mais do que ajuda. O problema é que a poesia nasce do que o Poeta sente e o que ele sente não é necessariamente o que ele vive. Muitas vezes o que Poeta sente é simplesmente o que este gostaria de viver. E como bem colocou o grande Poeta Fernando Pessoa:

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, 18-9-1933


Pois é. No fim das contas; amando ou não, desiludido ou não, chorando ou não, sorrindo ou não; acaba falando mais alto essa doidiça poética: essa tal inspiração. E a minha poesia é um menino sem mãe correndo em cima do muro que separa a loucura da razão.




Eu quero a luz de um dia de sol, estando sozinho
Que o sol azeite a passagem do dia, quando eu não te ver ...

E se chover, que o cheiro da chuva entre de mansinho
Com a saudade que o cheiro de chuva me trás de você!

Melhor seria você do meu lado o tempo todinho,
Mas eu não quero você do meu lado sem ser teu querer!

João Pessoa, 02/05/2011.

domingo, 1 de maio de 2011

Tome, pode levar.



Agarre direito, que o prêmio é frágil
Não ponha no bolso, na bolsa ou na mala
Não deixe no carro, no quarto ou na sala
Não perca de vista que atrai mau presságio
Não mostre a ninguém, não arrisque um contágio
Que a perda é grande se o dito estragar
Por isso procure ao menos tentar
Enfim, por favor, me estenda à mão
Tás vendo isso aqui? É o meu coração
Que agora é teu. Tome, pode levar!

João Pessoa, 01/05/2011.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Num longo beijo roubado



Não sei se estava acordado
Não sei se fantasiei
Sei que um beijo delongado
Eu lembro que te roubei
E quando os olhos fechei
No teu céu eu me perdi
E quando os olhos abri
Me encontrei no paraíso
Do olhar e do sorriso
Que, me olhando e rindo, eu vi!

João Pessoa, 29/04/2011.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O causo do Feio

O causo de um feio, narrado em versos matutos:



Ela deu mole pra ele
Só garanto pruque vi
Ela linda cá mulesta
Ele um traste, um sapoti
Ela olhanu o tempo intêro
E eu dizenu: cumpanhêro
Tá olhanu e é pra ti!

Ela deu mole cá peste
E ele feio c’o estopô
Olhava e se aguniava
Era um tal: vô ou num vô?
Relutô, pensô, tremeu
Duvidô: será pra eu?
Demorô e ôto chegô!

Ela deu mole dimai
E ele o Cão numa visage
Perdeu prum cabra mais feio
Mai que têve mai corage
Lascânu a chance de ôro
De conseguir furá côro
Sem sê cuma catrevage!

João Pessoa, 26/04/2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Na bodega da Saudade



Da bodega da Saudade
Era o mais comum freguês
Ali todo fim de tarde
Estava ele outra vez
Encostado no balcão
Bebendo recordação
E beliscando um talvez.

Nos trinta dias do mês
Era ali fiel cliente
E sempre imerso em mudez
Só falava o pertinente
Mas seu olhar acendia
Quando a Saudade o servia
Outra lembrança aguardente!

Chegava inteiro, impecável
E começava a beber
E depois de umas lembranças
Entornadas com sofrer
Definhava de um tanto
Que voltava ao seu recanto
Sem ninguém lhe conhecer.

Até quando um certo dia
Ele não apareceu
Ninguém viu, ninguém mais via
Simplesmente escafedeu
Não mas pisou na bodega
E por onde ele trafega
Ninguém nunca esclareceu.

Mas se fala na cidade
Qu’ele hoje vive ausente
Da bodega da Saudade
Por um motivo expoente:
Dizem qu’ele hoje dança
No cabaré da esperança
De um dia amar novamente!

João Pessoa, 25/04/2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O coelho na lua



Se a lua tem um coelho,
Pelejei mas nunca vi
E se o amor é quem faz vê-lo
Desenhado bem ali
Eu só posso acreditar
Que mesmo pensando amar
O amor não conheci!

Mas se ali tem um coelho,
Como dizem por aí
E o amor é quem faz vê-lo
Vou mentir que não menti:
Como eu disse te amar
Se alguém me perguntar
Vou dizer que olhei e vi!

Timbaúba, 22/04/2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Se eu fosse um marimbondo



Ah, se eu fosse um marimbondo
Não queria nem saber
Eu mirava no teu peito
E ferroava você
Pra você sentir o ardor
Do ferrão do meu amor
E o fervor do meu querer!

Mas eu não sou marimbondo
Não alço vôo do chão
E esse querer que carrego
Não posso por num ferrão
Mas se eu fosse um maribondo
Era o meu amor expondo
E pondo em teu coração!

Timbaúba, 10/04/2011.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Estaca de Sabiá



Estaca de sabiá
Que delimita o cercado
Foi esse arame farpado
Que te fez silenciá
Ou não sois familiá
Dos passarinho cantante
Que não passa um só instante
Sem um canto sibilá?

Sois feita do sabiá
Do passarinho faguêro
Desse cantadô primêro
Daqui das zôna rurá
Ou sois pau de se cercá
Terreno de hômi rico?
Pra que que serve teu bico
Pro arame ou pro cantá?

Se sois pau de se cercá
Terreno de coroné
Esse teu nome não é
Motivo pra se honrá
E afiná, se teu finá
é tomá o bem comum
eu não vejo mal nenhum
no arame te enforcá

Mas me deixe só clamá
Se tu sois assim parente
Desses sabiá valente
Que se vê pruqui prulá
Se desate a gorjeá
No bico tore esse arame
A terra livre proclame
E ganhe o mundo a voá!

João Pessoa, 19/04/2011.

Gente vil



Gente vil que vive imersa
Dentro do seu próprio umbigo
Fechando os olhos pra o resto
Que não vive em seu abrigo
E fica escandalizada
Quando passa na calçada
Onde repousa um mendigo!

Gente besta da mulesta
Que respira ostentação
Que nunca desce do salto
E seu pé não toca o chão
Gente da mente pequena
De você eu tenho é pena
Pobre nauta da ilusão!

Pois um dia de repente
Descobres que és infeliz
E de repente te sentes
Com a vida por um triz
Ao notar por um segundo
Qu’esse NOSSO imenso mundo
Vai além do seu nariz!

Ao notar que o mendigo
Que dormia na calçada
Pra você ter sua vida
Teve a dele usurpada
E que pra você ter tudo
Aquele velho barbudo
Nunca que teve foi nada!

Gente vil que vive imersa
No ouro, na prata e cobre
Ao notar ser infeliz
Buscaras pousar de nobre
Fazendo filantropia
Pra enriquecer um dia
Tua alma triste e pobre!

Timbaúba, 27/02/2011.

domingo, 17 de abril de 2011

Babuleta Incolor



As vezes te ofendo inventando outro apodo
Porém na verdade – Oh, minha querida!
Reclamo: feiosa, autista ou metida
Porque o que sinto é lajedo com lodo
E s’eu te elogio esbagaço-me todo
Nas pedras escarpas do “se apaixonar”
Pois isso, querida, releve o falar
Do pobre medroso que foge do amor
Que pensa e não diz: “Babuleta Incolor”
Tu sois o encanto da beira do mar!

Tu sois borboleta de asa incolor
Que brilha na cor da fulô que pousar
Teu vôo de raro se perde no ar
Não há outro ser com tamanho torpor
Sabendo não ser o melhor caçador
Não sei se consigo te capturar
Por isso que evito teu jogo jogar
Porque você sendo espécime raro
S’eu perco esse jogo com custo tão caro
O IBAMA me prende na beira do mar!

Timbaúba, 11/01/2011.

sábado, 16 de abril de 2011

Soneto do Acaso



Na sequência de um “puta-que-pariu!”
Veio logo o dizer: que merda é essa!?
E não é que não era uma remessa
Das mentiras que um dia ela mentiu!

Numa carta que, ao tempo, escapuliu
Se escondendo atrás d’uma travessa
Cada letra pintava de promessa
As mentiras do amor que me iludiu!

Indaguei perturbado: Agora deu!
Quando a gente acredita que esqueceu
O acaso arquiteta essa piada?!

Pro inferno esse acaso irreverente!
Tava novo e agora novamente
Tou molhando com pranto uma risada!

João Pessoa, 14/04/2011.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rindo e voltando



É rima que sai sorrindo
É rima que vem chorando
Rima por amor surgindo
Rima por amor findando
Rima que se rima indo
Rima que rima voltando

Rima que rima voltando
Rima que se rima indo
Rima por amor findando
Rima por amor surgindo
É rima que vem chorando
É rima que sai sorrindo!

João Pessoa, 14/04/2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Timbaúba, Princesa Serrana III



À direita do rio das capivaras
A semente plantada germinou
Entre os morros a mais rica seara
Toda zona da mata norteou
Quando Deus lá de cima arquitetou
Cada traço do mundo e a natureza
Reservou-te o trono de princesa
E cercou-te de serras por inteira
Te habitando da gente mais guerreira
Dos teus trunfos, esplêndida grandeza!

Quem nasceu e cresceu no teu quintal
Só encontra razões pra te amar
Impossível alguém não se encantar
Com o verde do teu canavial;
A sabença do cidadão rural;
Tuas quartas e sábados de feira;
As igrejas, as praças, a rua inteira;
Pontilhão, estação e o trem passando
Carregado e ainda carregando
Mais um “mói” de menino na traseira!

Assim, sendo teu filho natural
É normal tanto amar tua ribeira
E morando tão longe ao teu curral
Mais ainda a saudade alvoroceira...
Ah, se eu fosse da cana queimadeira
Um alado e pequeno malunguinho
Eu voando tomava o teu caminho
E caia tranqüilo em teu regaço
Pra sentir, Timbaúba, o teu abraço
E o mormaço amoroso do teu ninho!

João Pessoa, 11/04/2011.

sábado, 9 de abril de 2011

A saudade passou arrebentando

Mote passado pela Mariana Teles:



Da janela eu vi passar na rua
Um andar igualzinho ao que amei.
Pra varanda corri e constatei
Que este vulto quebrara a meia-lua,
Adentrando o jardim que se situa
Na entrada do canto em que me ajeito.
Lá de cima gritei: vem que te aceito
Mas o vulto sumiu sequer me olhando;
A SAUDADE PASSOU ARREBENTANDO
O PORTÃO DE ENTRADA DO MEU PEITO!

João Pessoa, 05/04/2011.

terça-feira, 5 de abril de 2011

...E se? - Áudio

Ouça a seguir a declamação da poesia "...E se?":



E se a gente se encontrasse
Daqui a cinquenta anos
Ostentando os desenganos
Nas rugas de nossa face
E se a gente se olhasse
E se a gente ali se visse
Uma setentona “misse”
E um poeta aposentado
Será que todo passado
Pareceria tolice?

Ou será qu’eu sentiria (notaria)
Bem ali naquele instante
Que minha vida foi errante
Sem a tua companhia?
Será qu’eu perceberia
Que você não foi mais uma
Que passou como uma bruma
Nebulosa e envolvente.
Eu não sei, só sei somente
Que o presente é quem nos ruma...

E se a gente se topasse
Que diferença faria
Se o tempo não deixaria
Qu’eu contigo regressasse
A nossa história mudasse
Nossos erros resolvesse
E o nosso amor revivesse,
Mas só que o tempo não deixa
E é por isso que essa queixa
Nunca há de responder-se!

Afinal, somos humanos
Só Deus é onisciente
E o futuro é um delinquente
Que sempre foge dos planos
É muito cinquenta anos
Não tem como adivinhar
E eu prefiro não pensar
Pois se a gente se rever
Juro por Deus não saber
Como iria me portar!

Timbaúba, 19/01/2011.

sábado, 2 de abril de 2011

Soneto da Submissão

Dedicado a Manoel Costa Palma



Carrego nesse peito desvairado
O arado que Vovô nele deixou
Dizendo-me: a mulher é um ser sagrado
Alado encantamento que pousou;

Desceu de lá do céu e aqui chegou
Pra ser do bicho homem a nobreza
Porém o bicho homem a rebaixou
Por não saber lidar com essa grandeza!

E hoje quando vejo em todo canto
Mulheres aceitando sem espanto
O manto negro da submissão,

Pergunto pra Vovô discretamente:
Ninguém querendo, como pode a gente
Dar jeito nessa torta condição?!

João Pessoa, 02/04/2011.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Auto-retrato de um Poeta doido



Sou um doido matutando
Cá nos pensamentos meus
Se a Lua no céu brilhando
Não seria, contra os breus,
O candeeiro que Deus
Acende e bota no espaço
Pra jogar luz no terraço
Do olhar dos sonhadores;
Outros doidos torcedores
De um mundo menos devasso!

Sou um doido e ao mesmo passo
As estrelas, todas elas,
Assumem no seu regaço
A função da luz de velas;
Faiscando mais singelas,
Pontilhando o firmamento
Que alumia o pensamento
Desse doido que, a granel,
De noite admira o céu
Mergulhado em seu alento!

Sou um doido em tratamento
Pra ficar mais doido ainda,
Que a doidiça é um acalento:
Deixa a vida bem mais linda!
Minha poesia brinda
E bebe dessa doidiça
De ser doido, que se atiça
E viaja doidamente
Nos quase nada que a mente
Não enxerga por preguiça!

João Pessoa, 01/04/2011.