terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meu verso & a força da mata-norte



Meu verso tem a pujança
Do mais forte burro-mulo
Tem a leveza do pulo
E a beleza da dança
De um caboclo de lança
Defendendo o seu reisado
O meu verso é compassado
No baque do caboclinho
E tal cavalo marinho
O meu verso é encantado!

Meu verso tem o sabor
Que tem o caldo da cana
É doce se for caiana
E é aguado se não for
É verso de cantador
Mas não do que faz repente
É um verso diferente
Rimado em maracatu
Verso de mestre Salu
Nosso maior expoente!

É um verso com a trama
Das redes de Timbaúba
É verso que não derruba
Nem ofende, nem faz drama
Apenasmente exclama
Pra que o Brasil repense
Pois meu povo é quem mais vence
E merece mais estande.
Ah, se meu verso for grande
É por ser mata-nortense!

Que sendo desse torrão
Ele tem razão de ser
Pois nasce do massapê
E mal saindo do chão
Corre em meio à plantação
Passa um tempo no curral
Comendo capim com sal
Ganha peso, fica forte
S’enleva na mata-norte
E vira um canavial!
.
Um canavial verdinho
Que de tempos é queimado
Fazendo qu'esse versado
Se transforme em malunguinho
Que voa sem ter caminho
Que no vento se levita
E longe se precipita
Desenhando onde cai
Toda beleza que "hai"
Nessa mata tão bonita!

Timbaúba, 27/12/2010.

3 comentários:

Roberto disse...

Esse dai me faz lembrar timbaúba, com um pouco de infância.
bonito mesmo!

Poeta Rivaldo Meneses disse...

Sou paraibano, mais moro em Jaboatão PE.
Sei a beleza que é o caboclo de lança.
Também sei apreciar a boa poesia!
Parabéns poeta! Feliz Ano Novo!

Faíscas de Poesia disse...

Poeta! Sou do interior do estado de Pernambuco, melhor dizendo de Tabira. Amante da poesia e prosa, e também da Cultura Popular Nordestina. Navego por entre seus versos e admiradora de seu trabalho. Parabéns, poeta! Continue brilhando em nosso meio!