terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mote do Absurdo

(Mote de Zé Limeira, o poeta do absurdo)

Eu, caba homem, valente
E conhecido matador
Sei como imprimir a dor
No corpo de um vivente
Mas, meio que de repente,
Tua fulô sem espinho
Brotou bem no meu caminho
E como eu não sei amar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!

Já dormi engaiolado
Por desacatar doutor,
Meter bala em senador,
Dar bufete em delegado;
Mas hoje tou enlaçado
Na vida de passarinho,
Ganhei parelha no ninho,
E nesse amor de lascar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!

No meio desse escarcéu,
Minha fúria foi ferida
Por tua face bandida
Que me conduziu ao céu.
Tua beleza é cruel,
Pôs-me num redemoinho.
Mas sou forte, não definho
E sei como me vingar
NO DIA QU’EU ME ZANGAR
MATO VOCÊ DE CARINHO!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 29/12/2008

domingo, 28 de dezembro de 2008

Glosando a Saudade

(Mote de Ivanildo Vilanova e Zé Cardoso)

Hoje relembro um tempo passado
Pela janela chamada memória
- Como feliz foi a nossa história,
Como era bom ter você ao meu lado -
Ontem sonhei que tinha regressado
Pr’os áureos tempos da nossa amizade
Quando brotou o amor, na verdade
Nosso enlace era mais que evidente.
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE

Naquela noite a lua luzia
A faiscar raios de luz divina
Na caboclice daquela menina
Musa brejeira dessa poesia
Mas, porventura, chegara o dia
De despedir-me da minha beldade
Tendo meu peito partido à metade
Desd’esse instante me encontro doente
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE

Volta morena, vem para meus braços
Vem requentar esse meu sentimento
Trás teu feitio, essa forma de alento
Para as rimas que saem do meu traço
Pois sem você, de um ninguém, eu não passo
Corre o tempo e me vem à idade
Mas junto a ti volto à mocidade
Sinto que morte tem medo da gente
TENHA AMOR, QUEIRA BEM E FIQUE AUSENTE
PRA SABER QUANTO DÓI UMA SAUDADE

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 28/12/2008.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Pêiada de Fim de Ano - 2008

O ano ficou tão velho
Que agora está morrendo
Mas pelo bucho do tempo
Vem outro ano nascendo
Carregado de esperança
Pr’o pai, pra mãe, pra criança
Pra todos que estão vivendo

Se dois mil e oito foi
Um ano de eleição
Que o novo ano venha
Sem voto pr’esses ladrão
Sem toró na Catarina
E que só chova menina
No colo desse cristão!

Se no ano moribundo
Não acertei de primeira
Se perdi minha burrinha
Com a crise financeira
Nesse ano que se apruma
Vou erguer uma fortuna
Investindo em brincadeira!

Se nesse ano morrente
No cordel comprei ingresso
No ano subseqüente
Lapidarei o meu verso
Vou escrever tão bonito
Que vou me tornar um mito
Na terra pr’onde regresso!

Autor: Jessé Costa.
Timbaúba, 26/12/2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Flor da Pele

No meio de tantas rosas,
No roseiral mais bonito,
A borboleta mais bela
Flutua sobre o infinito
E de repente detecta
O cheiro doce do néctar,
Que seus anseios repele,
E dando beijos devora
Todo o amor que aflora
Dos poros da flor da pele!

Jessé Costa

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Arrendamento



O vento que te assanha
Vem e me acaricia
Aliviando a sanha
De não te ver neste dia
E quando em brisa se amansa
Derrama em mim a lembrança
Dos traços do teu sorriso
Do teu olhar penetrante
E do teu cheiro marcante
Que me acalanta o juízo

E eu te arrendei o meu peito
Lucrando em felicidade
Mas cuide dele direito
Já que plantaste saudade
Pois essa monocultura
Mata o solo em que apura
Se não for sempre regada
Com a água dos desejos
E adubada com beijos
Da lavradora amada!

(Jessé Costa)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Teu Frevo e Minha Capoeira

Pía mesmo pra Baiana
Que baixou no meu pensar
Feito lapada de cana
Fez meu gogó se amarrar
E eu lá de Pernambuco
Penso que fiquei maluco
Pois vejo meu caboclinho
Se jogar na capoeira
Dessa morena matreira
Que vem lá do pelourinho

E o terreiro do meu peito
Recebeu seu candomblé
Num sincretismo imperfeito
De divindades qualquer
Mas nem santo ou orixá
Não tem forças pra’rranhar
Andor tão diamantado
Que mistura a alegria
Da cultura da Bahia
Com um frevo apaixonado!


(Jessé Costa)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Prelúdio de um fim

Seus versos já não têm graça
As rimas estão morrendo
E seu cordel em desgraça
Aos poucos esmorecendo
Pois o amor com seu bote
Matou qualquer outro mote
Que ele andava escrevendo

(Jessé Costa)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Restituição

Pr’eu ter respeito do seu pai, do seu avô,
Devia ter ao menos fama de bom moço!
Por paquerar a princesinha linda flor
É bem capaz d’eu ir dormir no calabouço

E é mais fácil até ganhar na mega-sena,
Mesmo comprando o bilhete no fiado,
Ou andar nu com as coisas à vista plena
Sem ter ninguém pra me chamar de transviado!

Mas o que faço para ser levado a serio?
Ou pra você me acalentar em sua casa...
Me diga agora, porque todo esse mistério?
Se não me quer então porque vem me dar asa?


(Jessé Costa)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Feitio de Carolina

Tengo-tengo-lengo-tengo
Palpitou meu coração
Quando te vi no salão
(Que é essa nossa vida)
Dançando descontraída,
De sorrisos sedutores,
Um forró cheio de cores
De sabores e desejo
Que me fez num só lampejo
Derreter-me em amores

Ai ai ai ai ai ai ai
Qu’essa dor eu desconheço
Não foi queda, nem tropeço
E vem de dentro pra fora
Sai do peito e vai embora
Na forma de calafrio
Deixando cá um vazio
Que dói a todo o momento
Mas tem o medicamento
Nos traços do teu feitio!

(Jessé Costa)

domingo, 30 de novembro de 2008

O Farol e a Lua

No brilho de luz que emana
Daquele alvo farol
Mediando o arrebol
Que na noite se derrama
Uma lucidez exclama
Seu penhor e solidão
Guiando a navegação
Do desejo mais distante
Alteando um sonho infante
Que receia a escuridão

A luz girando girando
Marcando um traço profundo
Pelas nuanças do mundo
Que a noite vão-se minguando
E a lua somente olhando
Sem muito poder fazer
Queria apenas descer
Para beijar seu amante
Mas o farol relutante
Teme a lua esmorecer!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sem Ludíbrio

Como é fácil esbravejar
Nem precisa um ideal
Basta potência vocal
Um palanque pra trepar
E ter do que reclamar,
Que é o mais fácil de ter,
Mas pra algo acontecer
Repense sua peleja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!

Meu amigo zisquerdista,
Grande revolucionário
Repleto de ideário,
Eu só lhe dou uma pista.
Pra que a mudança exista
Agora vou lhe dizer:
Sai da frente da TV
Solte a coca-cola e a veja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!

Você que não tem partido
Que não é politiqueiro
Que dá duro o ano inteiro
Pra ser bom pai e marido
Nunca se dê por vencido
Pois pr’o mundo amanhecer
Um lugar bom de viver,
Em alerta sempre esteja!
Pra um bom futuro, seja
A mudança que quer ver!

(Jessé Costa)

domingo, 23 de novembro de 2008

Alegoria



Olha só, mas quem diria
Que ela então seria um dia
O tempero d'alegria
Num sarapatel de amor
Dando gosto a minha vida
Que passou a ser servida
Das vezes semi-nutrida
Pr’um deleite de sabor!

Um produto nacional
De beleza incidental
Um pecado capital
Dito num confessionário
Ela é fruto proibido
No éden bem escondido
Pra que não seja comido
Por um qualquer legionário

E depois de procurar
Por terra, por céu e mar
Eis que venho a encontrar
Caminhando a meu lado
Olha só, mas quem diria
Que ela então seria um dia
Rainha na fantasia
Do meu reino encantado

João Pessoa, 23/11/2008.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Circo de Um Real

Sou ladrão de mulher
Um palhaço José
De um circo qualquer
Na terra de ninguém
Sou o rei da risada
Avise a meninada
Hoje tem palhaçada
Hoje tem, hoje tem!

Olha a lona furada
Olha a arquibancada
Olha a tábua quebrada
E a ferrugem meu bem
O leão tá com fome
Mas já já ele come
Uns gatinhos sem nome
E sem dono também!

Chegue aqui Coité
Macaca chipanzé
Ande nesse tripé
E nessa bicicleta
Picadeiro na vista
Do herói trapezista
E que a corda resista
A manobra incorreta!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Timbaúba, Princesa Serrana II

Lá na feira da galinha
Transitam carros de mão
Cruzando o pontilhão
De um lado a outro da linha
E quando bate à tardinha
Por entre apitos lá vem
Sem esperar por ninguém
Rasgando a pele da rua
E uns meninos da lua
Pegam bigú sobre o trem

Se tá moendo a usina
E pressagio de fartura
Que a cidade fatura
Quando a colheita termina
E o suor que germina
Da pele do corta-cana
Vira Tum-tum, vira grana
Vira comida, cachaça
Vira dinheiro na praça
Que o comercio inflama

E o artesão manuseia
Com toda sua destreza
Os fios que dão a beleza
E um cochilo saneia
No seu tear forma a teia
Que do sono mata a sede
Bastando ter na parede
Um armador ou corrente
Dando a sustança inerente
Ao balançar d’uma rede

Já quando é carnaval
Os moleques endoidecem
Pois dos morros eles descem
Em um furdunço geral
E a meninada distal
Num pique se aproxima
Insultam a catirina
Puxam o rabo dos bois
Que rodando em “ais” e “ôis”
A liberdade termina!

E ante as águas do rio
Capibaribe Mirim
Por Pedras e catabim
Essa cidade emergiu
Lá dos Mocós se expandiu
Virou princesa serrana
Dos bois, das redes, da cana
Oh Timbaúba altaneira
Tu sois a musa primeira
Que o me peito proclama!

(Jessé Costa)

domingo, 16 de novembro de 2008

Cartas em Branco

(Do meu amor colorido)

As cartas que te mandei
Não foram compreendidas
E talvez nem sido lidas
Da forma que imaginei
Foram jogadas, eu sei
Desprezadas em um canto
Por ter apenas encanto
Apenas palavras ditas
Declarações sem escritas
Cheias de amor, entretanto!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bem dizer no Pé do altar

Quando tomei uma serena decisão
De namorar com uma menina de bem
Logo de cara não lembrei-me de ninguém
Mas me bateu uma ilustre solução
Fui à igreja mesmo não sendo cristão
Tendo a certeza de que lá encontraria
Uma cabôca que a mim completaria
E assim sentei dando de costas pro altar
Bati os olhos, espioso a espiar...
E vi você na fila da eucaristia!

Daí eu vi o brilho nos seus “oi” de moça
Quando cruzou os seus ‘óim’ no meu “oiá”
Então pensei: “Essa cabôca eu vou ganhar”
“Se não for minha quero que meu braço torça”
No fim da missa juntei coragem com força
E me cheguei nas suas oiça tão sublime
Disse: “Ser bonita assim deve ser crime”
“Pois a senhora já matou meu coração”
E tu me abriu em dentes um tal sorrisão
Que eu fiquei sem ter um verso que lhe rime

Foi um sopro de desmantelo o seu trejeito
Que me deixou de sentimento embriagado
Eita sorriso bem dado, bem amostrado
Eita cabôca, qu’eu até fiquei sem jeito
De lá pra cá eu te carrego no meu peito
E todo sábado refaço essa peleja
Só pra que toda carola na missa veja
Que hoje tendo você junto a meu lado
Sou um cristão fiel, de fé, apaixonado
Que senta na primeira fila da igreja

(Jessé Costa)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Revolução dos Contos

Roubei do príncipe seu alazão
Da Rapunzel sua trança comprida
Dei arrebite a Bela’dormecida
Branca de Neve? Furtei um anão!
Fada sem ter Varinha de condão
Capei a lâmpada de Aladim
Do Peter Pan seqüestrei a “Sinim”
Na Cinderela soldei o sapato
Tirei a bota do pé de um Gato
Fiz um final feliz sem ter o fim!

(Jessé Costa)

domingo, 26 de outubro de 2008

Réplica

(Complete o Verso)

Da beira do precipício
Senti o teu empurrão
Mas durante minha queda
Decidi bater a mão
E para total espanto
Surgiu ali meu encanto
Voei como um gavião!

Não foi como tu queria
Que tudo se sucedeu
E hoje lhe agradeço
A rasteira que me deu
Pois quando perto do chão
Voei como um gavião
E foi tu quem se...!

(Jessé Costa)

sábado, 25 de outubro de 2008

Jeito, Força e Potência

Beleza pura, da fina
Formato de luxo só
Sonata tocada em dó
Tibúm no vão, mar-menina
Caju numa silibrina
Daquelas bem aguardente
Que quando descem na gente
Se avermelha o olhar
E põe o cabra a pensar
De uma forma indecente

Um pensamento matreiro
Por trás d’um pé de Juá
Só vendo o céu desabar
A léguas desse terreiro
Pro anoitado certeiro
E minha malevolência
Findar sua resistência
Em um painel cabuloso
Pintado de gozo em gozo
Com jeito, força e potência

(Jessé Costa)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tempos de Crise

Cabedalmente falando
Não era muito vistoso
Inda por cima tinhoso
Nada do qu’ela queria
Mas quando num certo dia
Uma bolada levou
E de real enricou
Ficou bonito, o gatuno
O sonho do seu consumo
E ela assim se casou

Mas já passado algum tempo
Quando madama virou
O novo rico quebrou
E ficou pobre outra vez
E agora vejam vocês
Como se deu o final:
Visando não se dar mal
E ter que pedir esmola
Arrumou um love em DOLLAR
Trocando o amor REAL

(Jessé Costa)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Hoje

(amanhã nunca se sabe)

Hoje minha fé cansada
Desistiu de acreditar
Que no fim daquela estrada
Alguém há de me esperar
Minha vista esmorecida
Só enxerga a partida
E quatro palmos de chão
Onde os meus pés descalços
Vão servindo como calços
Pr’um rastro de solidão

(Jessé Costa)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Valimento

Vontade de dar um beijo
Vontade de te abraçar
E em teu ouvido falar
Uma tuia de gracejo
Pois, ou mato meu desejo
Ou ele vai me matar!
E se assim me definhar
Bem perto do paraíso
Nas covas do teu sorriso
Eu quero me enterrar

Taliquá um João de Barro
Que fecha a porta do ninho
Eu fico sem teu carinho
E meus sentimentos varro
Numa gafe sem pigarro
Compondo sem declamar
E se a morte me chegar
E me levar sem aviso
Nas covas do teu sorriso
Eu quero me enterrar

Já nas paragens da vida
Pelos caminhos do mundo
Falou-me um oriundo
De uma terra perdida
Que a natureza convida
A quem sabe lhe falar
Pra um grande amor plantar
E certo que enraízo
Nas covas do teu sorriso
Eu quero me enterrar!

(Jessé Costa)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Oitavas de Intenções

Sopapo de belezura
Um carnegão de lindura
Tutano da formosura
Enxame de perfeição
Doidiça da natureza
Retrato da Majesteza
Do meu Deus outra proeza
Pipoco de encantação!

Compasso do dançarino
Paixões de um eu menino
Um luminar celestino
Que desce na contramão
Um paquerar perigoso
Um agarrado gostoso
Suspiro que beira um gozo
O bom da fornicação!

O cupim da falsidade
Mestra em amorosidade
Doutora em felicidade
PHD em paixão
Naquele jardim florido
Sois um riacho corrido
Que dá o tom colorido
Do mundo na minha mão!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Onça Castanha










No alto do mundo eu via
Além do astro solar
Algo mais a irradiar
A luz que dá cor ao dia.
Daquele cume emergia
Uma beleza que assanha
De uma onça castanha
Vestindo pele de fêmea
E que se mostrava gêmea
D’um fulgor cheio de manha.

Mas com um olhar perdido
No infinito profundo
Tratava igual todo mundo
Congestionando o cupido;
Que num ato desmedido
Tomou sua decisão:
Justo aquele coração
Caberia ao improviso
Que da musa um sorriso
Gerasse por gratidão

E enquanto eu a olhava
No topo do universo
E escrevia este verso
Notei qu’ela me sorria
Com uma tal alegria
Que o momento parou
E o tempo desandou
Caindo fora da linha
Pois ela seria minha
Assim como dela eu sou!

João Pessoa, 01/10/2008.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Lobby Celestial

Fui falar com o cupido,
Pense numa confusão,
Tinha lá uma multidão
Explanando seus sentidos
Mas eu, sujeito metido,
Cheguei às oiças do anjo
Disse: “Meu amigo arcanjo
Me conquiste esta senhora
Que’u falo com Deus agora
E asas novas te arranjo”!

(Jessé Costa)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Cabaço

O “C” andando na frente
O “A” seguindo seus passos
E logo em subseqüente
O “B” rebocando o “AÇO”
Pra na justaposição
Danar-se a complicação
Lá vai embora um CABAÇO!

(Jessé Costa)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Recesso

Aproveitando que a UFPB arreganhou-me férias de uma semana, tirei um tempo pra me versar melhor na arte armorial encantatória da escrita. Nesses dias estou lendo um livro do Papa Berto I, da santíssima Igreja Católica Apostólica Sertaneja. O livro chama-se O ROMANCE DA BESTA FUBANA e eu aqui lhes deixo com um trecho desta históra singularmente nordestina:


“- Sou diplomado. Não tem coisa debaixo do sol que não esteja no meu conhecimento. Sei desde a ciência geométrica e o estudo do triângulo retângulo até os segredos das ciências ocultas. Conheço o Brasil nas quatro esquinas e já viajei de navio. Estive na guerra da Itália e sou capaz de vasculhar a terra dos estrangeiros igual eu ando nas ruas de Ingá do Bacamarte, na Paraíba do Norte, onde nasci. Me criei solto, pegando chuva, suor e sereno, e desde novinho aprendi a caçar o ganho para minha sobrevivência. Com doze anos, já estava no mundo. Não sou rico, mas tenho o almoço e o jantar e sei ganhar o meu sustento em qualquer seara. Já tive três oportunidades de fazer fortuna e desprezei todas elas. A última foi um ajuste de casamento que larguei de véspera para não deixar a minha vida de passarinho. Porque se tem uma coisa que eu prezo no mundo, é a liberdade que tenho para ir e voltar e fazer tudo que me der vontade. Carrego muitas saudades no peito e sempre deixo saudades por onde passo, porque saudade é a marca registrada do meu caminho, e quem quiser me achar, é só seguir nas pegadas dela. Ninguém até hoje foi capaz de esquecer minha presença, e eu acho muito natural que todo mundo que me conhece viva com meu nome na boca. Não sou orgulhoso, mas também acho que humildade demais não faz bem ao caráter de um cidadão decente, como eu sei que sou. Vivo bem a minha vida; aliás, para não faltar com a verdade, vivo da melhor maneira que seria possível a um cristão. E também acho que o mundo é muito pequeno para conter o passeio de um viajante da minha marca. Dê por certo que eu conheço tudo quanto é costume e sotaque, e até em língua estrangeira eu sou capaz de exprimir pensamento. Em Jeremoabo, uma cigana estabeleceu que rabo-de-saia é minha perdição; mas eu respondi que era meu prazer e cachaça. Sou safado e gosto de putarias. Na minha viola, tiro muita cantiga de sem-vergonhice e nunca respeitei barba de cantador. Pode avisar na cidade que estou disposto a enfrentar dois tipos de gente: cantador de viola e jogador de damas. Já levei uma facada e dois tiros, mas também pé de ouvido de cabra safado conhece bem o peso de minha munheca.”

(Romance da Besta Fubana, p.54)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Amanhã o Hoje Chega!

O sapateiro do Destino

Quando numa certa vez

Contou-me que seu freguês

Não batia bem do tino

Falou que era um menino

Fresquento e malamanhado

Com um Dom do encantado

E sintoma de invejoso

Que por ser um poderoso

Era muito do empolgado


E o barbeiro do Futuro

Disse que o antecipado

Embora mais recatado

E um tanto obscuro

Só aparenta ser duro

Mas é extremo feliz

Que em tudo é aprendiz

Pois anda num tempo à frente

Com o Destino da gente

Torcendo a ele o nariz

(Jessé Costa)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O casamento do Céu!

Na catedral via láctea
Da paróquia sideral
Um casório sem igual
Agitava o universo
E eu aqui lhes conto em verso
O que já ouvi falar
Que lá no pé do altar
Tava os planetas tudinho
E plutão, pequenininho,
Fazia papel de pajem,
Já Marte com Boiolagem
Trajando fraque encarnado
Era o mais avacalhado
Gritando “Quem me aterra!?”
Ouviu: “A mãe de quem berra!”
De Saturno e seus anel
E assim casou-se o céu
Com nosso planeta terra!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O Pierrot sem Ponteira

O tempo passa arrastado

Na falta do teu carinho

E eu andando sozinho

Sou pierrot dizimado

Vivendo um verbo passado

D’um dançador sem canção

Num porto de solidão

Pois pra quem queira ou não queira

Todo pião sem ponteira

Não faz poeira no chão


(Jessé Costa)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bem Pintado

Passarinho, meu amigo
Voe logo em prontidão
Atrás da minha paixão
Que se nega a meu abrigo.
E vejas bem o que digo:
Assim que a encontrar
Fales antes de cantar
Mas fale com muita sede
Qu’eu sou um pé de parede
Difícil de afofar

(Jessé Costa)

sábado, 13 de setembro de 2008

Timbaúba, Princesa Serrana!



Princesa derna de quando
Dentre essas serras nascestes
Aos pródigos que perdestes
Se acaso os vês regressando
Tu sois três morros brotando
Querendo lhes abraçar
Já esses canaviá
Te formam verdes paredes
E às rendas das tuas redes
Se rendeu o meu olhar!

Timbaúba, 13/09/2008.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Extraordinária Peleja Sertaneja

Já faz três dias que Zeca quebrou a cerca
E entocou-se pelas brenhas do sertão
Subiu no lombo do seu cavalo alazão
E decidiu entrar em guerra com a Seca
Deixou pra trás todo amor de Dona Têca
Para pelejar com essa tal mãe natureza
Pela caatinga se meteu com ligeireza
Bem prevenido com vestimenta de couro
Inda levou dois dentes e anel de ouro
Tudo que tinha nesta forma de riqueza

E não se sabe como deu-se essa batalha
Se teve briga ou se foi só conversação
Mas hoje a chuva na caatinga molha o chão
Com muito gosto e não como fogo de palha
E um viajante cuja fama se espalha
De inventar as mais fabulosas histórias
Disse que Zeca havia obtido a glória
Assim qu’a natureza deu uma recuada
Furando um bucho de nuvem na peixeirada,
Mas se afogou enquanto gritava “vitória”!

(Jessé Costa)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Querida, Vamos Voar!

- Querida, vamos voar!
- Para onde meu amado?
- Pra depois do alto-mar,
Donde o vento é soprado!

- Ora, isso é impossível,
Nós não sabemos voar!
- Pois saiba: tudo é plausível
Pra quem conseguiu amar...

- Inda assim, por que pleiteias
Em tentarmos tal proeza?
- É pra que mesmo as sereias
Admirem tua beleza!

(Jessé Costa)

domingo, 7 de setembro de 2008

Independência, já é ou já era?

Eu vi, pois estava lá!
Dom Pedro tava mamado
Subiu na caixa de som
Com o litroso do lado
Disse: “Puta que pariu,
Independência ao Brasil”
E caiu desacordado.

ai chegaram uns quatro baba-ovo, colocaram ele no banco de trás de um carro de boi e levaram o “chefe” da RAVE...




domingo, 31 de agosto de 2008

Brilho da Luz Solar



Na fraqueza, a derradeira;
No Amor, primeira pessoa.
O alento que vento soa
Como que fosse poeira.
Sois a onça feiticeira.
Semidéia de além-mar,
Que faz a terra brilhar.
Mulher, meu olhar suspeita
Qu'assim como a lua, és feita
Do brilho da luz solar!

Da fortaleza as paredes;
Do pescador os anzóis;
Da corda, os pontos de nós
Por onde se puxa a rede.
Sois água que mata a sede,
Que faz o açude sangrar.
Sois cheiro bom de cheirar.
Mulher,que'o mundo, deleita
Assim como a lua, és feita
Do brilho da luz solar!

Sois geradora da vida,
Do romantismo garboso
E do poema amoroso
Que um sentimento valida.
Sois um caminho de ida
Pra quem deseja chegar
No cerne do verbo amar.
Mulher, pelo Olimpo eleita,
Assim como a lua, és feita
Do brilho da luz solar!

Sois bela que amansa a fera,
Sois grito da Multidão,
A musa do artesão
Que esculturas pondera.
Sois chuva que se espera
Pr’um pé de planta florar.
Faz gosto de te gostar!
Mulher, em tudo perfeita,
Assim como a lua, és feita
Do brilho da luz solar!

João Pessoa, 31/08/2008.

domingo, 17 de agosto de 2008

Do chão as Nuvens



Certo dia um pobre cão abandonado
Perambulando solitário pela rua
Olhou pro céu e viu brilhar aquela lua
Que entre as nuvens governava seu reinado
E o pobre bicho; de tristeza, embriagado,
Soltou um uivo que soou em sustenido
E se prostrando ante o chão, desguarnecido,
Em um adeus olhou pro céu mais uma vez,
Fechou os olhos e deixou de ser freguês
Daquela vida que tornou-lhe um falecido

E esse cão dormiu um sono tão comprido
Que acordou-se transvertido em estrela
Que com a lua ilumina uma centelha
Das ditas noites que acalantam os vencidos.
Vendo que tudo que passou tinha valido
Hoje irradia alegria em ser um astro
E pr’outros cães é um suporte, um forte mastro
Pra quem se sente mais um lixo abandonado.
Paquera as nuvens e por elas é beijado
Num movimento para o qual se faz um lastro

João Pessoa, 17/08/2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

Varejo & Atacado

Quando a carência aperta o peito
É quando bate a falta de um ninho
De um chamego, um abraço, um carinho
Duma pareia que esquente seu leito
E sendo assim não importa os defeitos
Se o sentimento é bem graduado
Com coração que é bom de farejo
Só paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado


Certos momentos ficam na lembrança
Como um prêmio por uma vitória
Feito a cabocla que para e lhe olha
Com um sorriso que a raiva balança
E a piscadela na pista de dança
O bilhetinho recém rabiscado
De guardanapo, contendo o recado
Que se arremata na forma de beijo
Só paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado


E alguém me diga se estou perjurando
Ou se falei alguma babaquice
Pois esse mundo tá cheio de “missi”
E inda assim sai homem se pegando
Justo por isso tem mulher sobrando
E me ensinaram quando educado
Que estragar comida é pecado
E é por isso que como as que vejo
Pois paquerar pode ser no varejo
Mas pra amar tem que ser no atacado

(Jessé Costa)

sábado, 26 de julho de 2008

Num Aceno e até Já

Vim aqui me despedir
Num aceno e até já
Daqueles que por aqui
Vinham me prestigiar
Tou parando de escrever
Pr’outras coisas aprender
E na vida me aprumar

Dedicado à engenharia
Ficarei longe do fundo
Do poço e da mixaria
De um rumo sujismundo
E levo na minha rima
A lição que mais se estima:
Cada cabeça é um mundo!


Vou garantir meu futuro
Sem engrenagem virar
E assintoticamente
Vou deixar de escrevinhar
Lhes deixando abraços meus,
Não em forma de adeus
Pois um dia hei de voltar!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Devaneio Beijoso

Primeira vez no beijar
De uma moça prendada
Carrega o fantasiar
De uma áurea encantada
Mas quando vem salivado
Cheio de baba e molhado
Só desilude a coitada

Mas se o beijo é bem dado
Faz despertar a paixão
Derruba fácil a muralha
Que cerca o coração
E se quem dá o danado
For um sujeito safado
Precede fornicação

Pois beijo bom é esse
Que deixa a mente louca
Que faz se enrijecesse
A língua ao céu da boca
E começando inocente
Quase displicentemente
Se endoidece a cabocla

(Jessé Costa)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Prometório Eleitoreiro

Se eleito eu lhes prometo
Que proibirei que gansos
Dêem carreiras em meninos
Buxudos cheios de ranço
Eu prometo o fim da fome
Dez mulher pra cada hômi
E todos cornos amanso


Se eleito eu lhes prometo
Deixar pra trás a mania
De roubar o que é dos pobres
Pra só lhes dar alegria
Prometo prender bandidos
Menos os meus conhecidos
Pois senão me prenderia


Se eleito eu lhes prometo
Que ninguém mais se azucrina
Prometo muita fartura
Riqueza que não termina
Prometo por prometer
Pois quando me eleger
Lhes fôdo sem vaselina

(Jessé Costa)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fiel Respiradouro

Minha estrada é oblíqua e é estreita
Ladeada de espinhentas laranjeiras
E forrada por uma fina poeira
Dos prazeres que o coração deleita.
A seguindo vou mantendo a espreita
Dos espinhos o meu singular tesouro
Que é de cobre, é de prata, é de ouro
E moldado pelas mãos do pai divino.
Tenho dentro do peito um eu menino
Da alegria, fiel respiradouro!

(Jessé Costa)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A Aposta


Certa vez num rala-bucho
Tava eu mais Zé Mané
Procurando uma pareia
Pra dançar arrasta pé
E fizemu um apostado
De se rebolar pelado
Quem não pegasse mulé

.

Mais confiante que cego
Travessando avenida
Chamei pro mêi do terreiro
Uma madama metida
Mas levei um ré tão feio
Que botei o pé no freio
E virei pras raparigas

.

Tinha Odete, Penha e Têca
Profissionais de primeira
Mas que só de chegar perto
Já transmitiam coceira
E num lado escanteada
A recém iniciada
Maricleide Gemedeira

.

Olhei pr’um lado, pro outro
Zé Mané não avistei
Refleti comigo mesmo
“Essa aposta vencerei!”
E chegando em Maricleide
Disse: "-Minha bela Leide
Deixe ser seu grande rei!"

.

Gemedeira olhou pra eu
De sorriso abestalhado
E assim me respondeu:
"-São Dez reais o reinado
Mas como gostei d’ocê
Vamu ali qu’eu vou fazê
Algo para o seu agrado."

.

Me puxou pela munheca
Para o meio do salão
E nos foles do forró
Foi aquela confusão
Dois pra lá e dois pra cá
Colado sem desgrudá
Na quentura do baião!

.

Comecei a fervilhar
Com aquele esfregado
E nas oiças da morena
Sussurrei cafajestado:
"-O que sentes cutucar
Não é o meu celular
É o Junior empolgado!"

.

Maricleide me olhando
Com um sorriso de quenga
Disse: “-Gostei de você
Sujeito sem lenga-lenga
Agora vamos simbora
Que eu já não vejo à hora
Qu’essa noite se estenda."

.

Daí, fui com a morena
Pra meu sítio bacurau
E passamu a noite inteira
Namorando num curral
Numa pujança tamanha
Que Maricleide risonha
Não cobrou um só real.

.

Depois eu fiquei sabendo
Que Zé tava encarcerado
Pois foi pego no forró
Dançando todo pelado
Eita cabra sem critério
Levou a aposta a serio
E dormiu engaiolado!

.

João Pessoa, 09/07/2008.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Problemas Reto-Furiculares

Nas reuniões de gente
Onde tem conglomerados
Um sujeito bom de olho
Tira de primeiro olhado
Em duas situações
As seguintes conclusões
Pelo motivo explicado


Quando você vê um cabra
Andando de cú trancado
Com as pernas ajuntadas
Feito pato apressado
É porque o seu furico
Ou tá com barro no bico
Ou teve o lacre rasgado


Agora se ele vem
De andar arreganhado
Marcando quatro e quarenta
Do relógio, o ponteirado
É porque o pobrezinho
Ou já se cagou todinho
Ou tá de furico assado

(Jessé Costa)

domingo, 6 de julho de 2008

Viver

Viver
É possuir dentro do peito uma meta
Como sair pra passear de bicicleta
Quando começa não se pode mais parar
Senão no chão você vai se estabacar

Viver
Só por viver não vai te induzir a nada
Pois toda vida já veio predestinada
Só existir vai te tornar um Zé ninguém
E um cachorro já faz isso muito bem

Viver
É ter amor e no olhar um forte brilho
Sonhar com carros, com mulher e um belo filho
Querer ser rico e morar na beira mar
Na maresia e sem ninguém pra estressar

Viver
É ter motivos pra enfrentar um duro dia
Ver nas buzinas uma soar de melodia
Dar um sorriso quando alguém estira o dedo
Atravessar a avenida sem ter medo

Viver
É dar bom dia ao cobrador mal humorado
Respirar fundo quando for prejudicado
Acreditar que a honestidade é soberana
E trabalhar pra ter no banco uma grana

Viver
É escrever sua epopéia biográfica
Fazer poemas sobre o branco da afta
É ver a vida humilhar seu coração
E noutro dia lhe escrever uma canção

Viver
É simplesmente ver raiar outra aurora
Num feriado amanhecer com catapora
Ver gente linda e feliz num outdoor
E sentir dor sem ter ninguém pra sentir dó.


João Pessoa, 6 de julho de 2008


sábado, 5 de julho de 2008

A querença do Sol mais a Lua

A Lua alumia a noite
Com muita propriedade,
Alimenta o lusco-fusco
Cintilando a claridade;
Mas a lua se sozinha
Sem o Sol pela cozinha
Não brilhava de verdade!

Pois o Sol, astro maior
Pela Lua apaixonado
Vendo seu corpo celeste
Fica todo atrapalhado
E pra lhe dar alegria
Faz assim à noite e o dia
Dividindo seu reinado!

É o Sol que a luz empresta
Pra sua amada senhora
Caiar o breu do escuro
Da noitinha à aurora
E a Lua exibida
Reflete a luz recebida
Enquanto o Sol a namora!

João Pessoa, 05/07/2008.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Bloco dos Apaixonados



Tu estavas inda ontem na aresta
Que ladeia os lados do meu coração
Entre as bandas que divide da razão
A paixão, o pedacinho que lhe resta
Por motivos que o juízo não contesta
Tu caíste para o lado do amor
E meu peito que chorava um tango em dor
Fervilhou com o teu frevo sanfonado
E hoje canta, pula e dança embriagado
Consagrado, do teu bloco, o puxador!

João Pessoa 04/07/2008

Merecia um Pau!

Deu a bilora foi fía?
A gente mal se conhece
E tu vens com essa onda
Mas nem com toda pitomba
Eu caio na tua prece
Que fiel muito devoto
Tem pecado légua e meia
Que padre faz cara feia
E se nega a dar perdão


Mas nessa não caio não
Logo eu tu quer pegar?
Pois trate de procurar
Outro Zé Mané tapado
Que esse já foi criado
E nem nele mais confia


Quanto mais numa Maria
Bonita e inteligente
Que desaba em sua frente
Dizendo na flor do dia
“Affe hômi que quentura
Porque nós não se mistura
E esse fogo esfria”


(Depois de escutar isso Maria foi e deu pra outro. Já Zé? Continua tomando banhos demorosos)

(Jessé Costa)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Menino

Da infância eu lembro à quimera
Daqueles questionários de mocinha
Que quase toda menininha tinha
Só pra investigar o seu paquera
Lembro bem do caderno como era
Lá só cinco garotos respondiam
Dependendo do que escreveriam
Era ai que a menina apaixonava
E a todas amigas segredava
Doida pra ver como reagiriam


Onde é você me beijaria?
Na bochecha, na boca ou na testa?
Er’assim, uma pergunta era esta
E daí muito se extrairia
Mas pra nós isso era lesaria
Pois pirralho só pensa em bater bola
Ser o bom, maior o craque da escola
Dentre todos, o grande campeão
E num restava tempo pra paixão
Nem flertar com amigo de calçola


Pois menino não sabe como é bom
Ter nos braços do homem a mulher
Um menino nem sabe o que quer
Jovem fruta verdosa a meio tom
Ainda desconhece o belo som
Do gemido suave, melindroso
Do sussurro que beira ser um gozo
Desconhece o poder que a fêmea tem
O menino que jura ser alguém
Inda é um rabisco mal-formoso

(Jessé Costa)

sábado, 28 de junho de 2008

Mas Formigas não Amam!

Formigas deviam ter sentimentos
Pra discernirem da terra a beleza
E assim zelar pela natureza
Ao recolherem os seus alimentos
Mas esse inseto sem conhecimento
Que só existe para seu labor
Poupa a urtiga e destroça uma flor
Para nutrir-se de sua energia
Pois desconhece o poder que teria
Se a usasse em prol do amor

(Jessé da Costa)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ôh Baixinha Braba Faceira

(A Senhora do Anel de Ácido Inoxidável)

Numa noite de São João
Num resplandecer de lua
Minha boca mais a tua
Se juntaram sem sermão
A hora num lembro não
Mas a noite ia embora
E “euzin” mais a senhora
Com aquele agarramento
Fitamos cada momento
No menisco da aurora


O sol surgia acanhado
Por detrás de uma serra
Brilhando, luzindo a terra
E o nosso chamegado
Disso tou muito lembrado
Pôs a luz que te tocava
Teu rosto me desvendava
Mais lindo que flamboyant
Uma estrela da manhã
Que a mim encandeava


Foi assim o nosso enlace
Um encontro inesperado
Que me deixa arrepiado
E me faz perder a classe
Espero que o tempo passe
Pr’eu te ter de novo perto
Que nosso destino é certo
Logo mais nós se esbarra
Pra tu recair nas garras
Deste escrevedor esperto

(Jessé Costa)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

A Mecânica da Paixão

Ela é uma linda engenheira
Que pela mecânica da paixão
Pesquisou sua pós-graduação
Se especializou em ser matreira
Mas quando a felina feiticeira
Ainda formulava sua tese
Ao procurar uns cabra que se preze
Pra fazer dos reles mortais cobaia
Fez coisas que nem o diabo de saia
Não faria com um monte de fezes


Maltratou muito homem carioso
Esmagou a auto-estima dos metidos,
Garanhões com os seu egos feridos
Atrás dela como um grude remoso.
Empregava um jeito ardiloso
Que gerava as paixões mais derradeiras
Foi assim que a astuta engenheira
Desgraçando o próprio coração
Conquistou sua pós-graduação
Pra tornar-se uma doutora solteira

(Jessé Costa)

Toda Doutora em Paixão é Solteira

Ela é uma linda engenheira
Que pela mecânica da paixão
Pesquisou sua pós-graduação
Se especializou em ser matreira
Mas quando a felina feiticeira
Ainda formulava sua tese
Ao procurar uns cabra que se preze
Pra fazer dos reles mortais cobaia
Fez coisas que nem o diabo de saia
Não faria com um monte de fezes


Maltratou muito homem carinhoso
Esmagou a auto-estima dos metidos,
Garanhões com os seu egos feridos
Atrás dela como um grude remoso.
Empregava um jeito ardiloso
Que gerava as paixões mais derradeiras
Foi assim que a astuta engenheira
Desgraçando o próprio coração
Conquistou sua pós-graduação
Pra tornar-se uma doutora solteira

(Jessé Costa)

terça-feira, 17 de junho de 2008

O Supra Sumo do Cú do Pato

Tu quer mostrar que é bom?
Quer vir ponderar bravura?
Quer me ensinar o som
Dos dentes em quebradura?
Tu vens me jurar de morte?
Nunca brinques com a sorte
Que'u não gosto de frescura!


Eu vivo a vida sem rumo
e fui criado no mato
Sou feito do supra sumo
Do fundo do cú do pato
Eu sou é tampa de Crush
Pode vir de George Bush
De todo o jeito lhe mato!

(Jessé Costa)

Galope na Beira do Mar

Sonhei, tu surgia aflorando do ausente
Vestida de branco e clamando por mim
Num risco de sonho, voraz querubim
Voando sem asas toda displicente
Já eu ti lançava um olhar indecente
Dos que engravidam somente de olhar
Foi quando chegaste a me desnudar
Com toda volúpia, como furação
Depois tava nós dois rolando no chão
Fazendo galope na beira do mar

(Jessé Costa)

sábado, 14 de junho de 2008

Ao Inexorável, sua Inoxidável

A todo homem que se julga forte
E acha ser um macho inabalável
Reserva-se destino inevitável
De ter no coração um fundo corte
Pois este que abusa de sua sorte
Humilhando corações de outrem
Há de apaixonar-se por alguém
Que no seu jeito faz parede-meia
E é aí que a coisa fica feia
Pois pra madama ele é um ninguém

(Jessé Costa)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sertão dos Tempos Modernos

(Triste Fim do Jumento Lampião)

Lampião era um Jumento
Na caatinga conhecido
Trabalhador dos garrido
Que nunca teve um aumento
Mas não fazia tormento
Perante o seu patrão
Que com as rédeas na mão
Puxava o bicho na estrada
E a poeira levantada
Pelas brenhas do sertão


No lombo do mal amado
Ia preso um caçuá
Pros mangaio carregá
Das feiras pra o roçado
E na roça era o arado
Que lhe dava outra função
Descanso num tinha não
Trabalhava todo o dia
Quando sol ou se chovia,
Agruras da profissão


Mas numa fadada vez
Numa ida pra cidade
A vida só por maldade
Uma traquinagem fez
Agora vejam vocês
Com deu-se a ação
Seu dono na prestação
Apossou-se de um trator
Comprou moto, gerador
E sumiu com Lampião.

(Jessé Costa)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A Fantástica Estória do Dono de um Fusca

(censura: 18 anos)

Andei num fusca acabado
Que chamava Pouca-Tinta
De anos? Com mais de trinta!
Seus bancos tudo rasgado
O tanque no mêi furado
E sem ter lanterna atrás
Seu dono não lhe quis mais
Só pegava no empurrão
E eu comprei na prestação
Feliz com gosto de gás

Pr’os raparigais que ia
Lucrava do condenado
Mas seu motor já cansado
Fraquejava a bateria
Quando foi num belo dia
Que baixou-lhe um capeta
Com tranco, nem com chupeta
Pouca-Tinta num ligou
Desde lá não mais prestou
E eu fiquei só na punheta.

(Jessé Costa)

OBS.: Estória é uma narrativa de ficção; exposição romanceada de fatos puramente imaginários.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Assintoticamente Romântico

Essa sua timidez
Tua encabulação
É um dilema cortês
Com só uma solução
Os nossos lábios carentes
Tão assintoticamente
Nunca que se beijarão


O seu jeito de menina
Junto a sua criação
Diz que sem o casamento
Sem a nossa conjunção
Os nossos corpos ardentes
Tão assintoticamente
Nunca que se queimarão


Mas meu jeito Casanova
Don Juan cá do sertão
Vai te encher de desejo
De fazer fornicação
Vou te pôr efervescente
E assintoticamente
Vais estar em minha mão.

(Jessé Costa)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Congruência da Razão

Ele, uma letra grega importante
Preso num heráldico dicionário
Ela, um numeralzinho ordinário
Musa de cálculos irrelevantes
Deu-se um dia que um estudante
Quando testava uma prima equação
Pasmo, encontrando como solução
Mesmo depois que as contas refez
Via o TAU igualando-se ao seis
Pares numa congruente razão.
(Jessé Costa)

domingo, 8 de junho de 2008

Pescadora das Paixão

Coloquei todos os meus sentimentos
Numa garrafa velha e atarraxada
Arrolhei a bendita bem vedada
E joguei no mar do esquecimento
Não amar, era esse meu intento
Que fadou-se em ser um esforço em vão
Pois uma pescadora das paixão
Que achou minha garrafa boiando
Ao abri-la foi logo me ganhando
Me fisgou sem usar um só arpão

(Jessé Costa)

sábado, 7 de junho de 2008

Estrela Guia

Vivia a vida calado
Viver já era estressante
Já acordava abusado
Cum mundo era intratante
Tinha na face a feição
De quem chupou um limão
Pra manter todos distante

E foi sem jurisprudência
Que uma dama formosa
Minou minha resistência
E me deixou todo prosa
Com seu jeitinho rosado
Pintou meu peito caiado
Cantando e fazendo glosa

Se hoje escrevo rimado
É porque meu coração
Que outrora era blindado
Pra amorosidade, paixão
Agora bate corrido
Pulsando num sustenido
Que torna a vida canção

E é por essa razão
Que quando a mente vazia
Me esbarro c’a inspiração
Da faustosa estrela guia
Que brilha luzindo forte
Me indicando um norte
Pra escrever poesia!

(Jessé Costa)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Ao Trio, com Esmero


Lhes falo de três cabras de primeira
Que no interior foram criados
Em Timbaúba foram educados
Numa escola que era de freiras
Cresceram cercado de brincadeiras
Saudáveis, livres de alienação
E se tornaram quase que irmãos
Amigos que se quer sempre por perto
São: o Jessé, o Filipe e o Roberto
Um trio repleto de arrudeiação


O menino Roberto é o mais calado
Porém também é o mais presepeiro
Com seu jeito moleque sorrateiro
É o grude que mantém o trio pregado
É menino raquítico e engraçado
Que tem por ponto forte seu bordão
Dar uns gritinhos que não há cristão
Que escutando não dê gargalhada
É a peça que na base foi colada
Sem ele o trio não tem sustentação


O menino Filipe Apolinário
É o grande puxador de converseiro
(Ôh cabra pra falar o tempo inteiro)
Bem podia ser pastor missionário
Mas ele não nasceu pra ser vigário
Pro mundo veio com outra missão
Tem gosto por derrubar boi no chão
E derrubar matutinhas na cama
Medroso que no desmantelo exclama
- Tá bom, mais do que isso num vou não!


Já o que risca forte essas rimas
Que se relembra dessa amizade
É o que tem na sua mocidade
Lembranças que lhe quebram a rotina
Do trio eu sou a puta messalina
O grande arranjador de confusão
O que mais precisava dos irmãos
Dos puxões de orelha e regulagem.
-Amigos, lhes carrego como imagem
Gravada fundo no meu coração!

(Jessé Costa)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Rosinha, espinho de Amor.

Gostava, eu, de rosinha
Lhe tinha em meu coração
A filha do coronel
Manoel Antonio Romão
Homem brabo, vingativo
Que pra mim era motivo
Pra esconder essa paixão


Mas um certo dia deu-se
Que eu vinha laborando
Bem perto da igrejinha
Tangendo gado e cantando
Quando lá no fim da pista
(chega esfreguei a vista!)
Vinha Rosinha chorando.


Daí, saltei da minha mula
Corri em sua direção
Parei bem na sua frente
E disse de supetão:
- Ora pois moça rosinha
Por que estás tão tristinha?
O que lhe causa aflição?


Rosinha tomou um susto
Com a minha insolência
Confesso, fui meio bruto
Hoje tenho consciência
Mas na hora tive não
Tamanha era a emoção
Em olhar sua sofrência


Depois de se recompor
Rosinha me disse em fim:
- Saiba o que me causa dor,
O que me deixou assim
É ter destino fadado
Num casamento arranjado
Que papai impôs a mim.


- É com grande desventura
Que vou ter que me casar
Com o velho Chapadura
Pra meu papai agradar
Pois aquele é seu amigo
Homem rico e conhecido
Que seu sócio quer virar.


Quando ela me disse isso
Senti meu peito rachar
De raiva soltei um grito
Que não deu pra segurar
E tomando sua mão
Desprovi-me de razão
E me pus a lhe falar:


- Rosinha dos sonhos meus
A muito estou carregando
Um coração que é seu
E em meu peito está pulsando
E se eu te perder pra outro
Sou capaz de ficar louco
Acabo me estuporando!


- Tu sois a formosa espécie
Que eu quero em meu jardim
E rezo que uma abelha
Te traga um dia por fim
Que eu a ti sou só amores
Juro, não quero outras flores
Se eu ti tiver pra mim!


Rosinha escutando isso
Dobrou a sua emoção
Desvencilhou-se de mim
Secou o rosto com a mão
Disse: - Olhe meu querido
Não lhe quero deprimido
Mas não lhe tenho paixão


- Enquanto vinha chorando
Sonhava com um encantado
Vestido de linho branco
Montado em seu cavalo
Que deste triste penar
Viria me resgatar,
Me levar pro seu reinado!


- Você embora simpático
Tem por roupa um gibão
Montava em uma mula
E não tem educação
Seu reinado é resumido
A um roçado surtido
E uns quatro bois tungão!


- Desculpe pelo que digo
Mas estou sendo sincera
E ao vir me cortejar
O que mais você espera?
Pois sou muito bem prendada
Na França fui educada
E nasci pra ser quimera!


Foram essas as palavras
Que mataram minha paixão
Ali me senti um lixo
Que num vale um tostão
E vi o amor que eu tinha
Se acabar, feito farinha
Nas mesas cá do sertão


Mas pra falar a verdade
Nas contas que eu pondero
Inda gosto de Rosinha
Estou sendo bem sincero
Mas se eu for contar as fichas
É uma paixãozinha micha,
Uma faísca de esmero


Desse fato ocorrido
É disso que inda lembro
Mas vindo me perguntar
De cara eu já emendo
Que daquele dia então
Amarguro a solidão
E o amor eu não entendo!

(Jessé Costa)

domingo, 25 de maio de 2008

Inventor de Amor

Sois a peça completante,
Que me causa alegria
A metade da laranja
A palavra que me inia
Sois X difícil de achar
Sois equação singular
Sois fulô que me inebria.


E eis aqui uma vantagem
De estudar a engenharia,
Pois se tu não existisses
Eu logo lhe inventaria!

(Jessé Costa)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Nada Diga, Juro!

Nada

Nada mais que minha amada
Sois o meu conto de fada
O meu rumo na estrada
Uma polícia Federada
Que prendeu meu coração

Diga

Só queres ser minha amiga?
Saiba que isso me intriga!
Como finges que não liga?
Eu imploro que me diga
Se você me ama ou não!

Juro

Que meu sentimento é puro
Que a outra não procuro
Saia de cima do muro
Venha aqui que eu te juro
Dar-te amor e devoção!

(Jessé Costa)

Agradecimento

"Teu cordel é muito bom
Não tem ninguém que não gosta
Se alguém me contrariar
Vira motivo pra aposta
Tem ritmo e sintonia
Coesão muita harmonia
Obrigado Jessé Costa"


(Jorge Sales, www.jorgesales.com.br)


"Eita que me enche o peito
De emoção e alegria
Que um poeta de respeito
Me elogie, quem diria
Pois das letras tou distante
Já que sou um estudante
Da exata engenharia."


(Jessé Costa, arrepare.blogspot.com)

(Jessé Costa)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Conficção de amor



Neste mundo eu fiz muitas besteiras
Tentando me esconder da realidade
Me fiz moleque e sem maturidade
Achando ser a forma derradeira
De suprimir do mastro a bandeira
Que hasteada balançava aos ventos
Tentei censurar os meus sentimentos
Calar os gritos do meu coração
Mas se hoje perguntarem digo: não,
Viver sem a amar eu não agüento!

Agora, eu faço isso em pensamento
Lembrando dos momentos que passamos
Das coisas que juntos nos ensinamos
Das coisas que nunca compreendemos.
Naquele dia em que nos conhecemos
Eu via ali brotar em minha frente
A mais bonita e a mais reluzente
Das flores que o criador já fez
E que roubou a minha sensatez
Deixando-me esse coração demente.

É pena que ela já não me veja
Que não me queira mais em sua história
Que tenha feito de mim a escória
Me dito que não sou o que almeja
Talvez até correta ela esteja
Em humilhar um ser tão condenável
Mas eu, mantendo a face imutável
Aceito que assim seja sua vontade
Sem garantir-lhe a reciprocidade
Tomado por um amor inelutável!

João Pessoa, 20/05/2008.

sábado, 17 de maio de 2008

João de Barro

João de Barro é um passarinho
Um dos mais interessantes
Encantando os caminhantes
Com a construção do seu ninho
Cheio de esmero e carinho
Levanta seu domicílio
Sempre seguido do auxilio
De sua esposa altaneira
Exclusiva Companheira
Única mãe de seus filhos.


(Jessé Costa)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Morrência do dia

Debruçado na cancela
Vejo a mata verde oliva
E a paisagem me congela
Se tornando minha diva
Ouço um curió cantando
Tatupeba se enterrando
Tudo aquilo me altiva

É cheiro de manga rosa
Que embriaga meu olfato
Me vejo fazendo glosa
Enquanto deito no mato
Respirando aquele ar puro
De pés juntos eu procuro
Me livrar de meus sapatos.

Deitado, fico mirando
O acalentar das galinhas
O sol, agora, minguando
A tarde morre sozinha
E a lua sai feito bomba
Detrás dum pé de pitomba
Incendiando a noitinha.
(Jessé Costa)

domingo, 11 de maio de 2008

Felicidade, Madama Orgulhosa.

A felicidade é uma madama
Orgulhosa e metida à burguesa
E por ela todo homem clama
Pois reluz com tamanha clareza
Que espalhando seu brilho faceiro
Faz cair o mais feroz guerreiro
Quão calibre tem sua beleza


É sereia que canta suave
E enfeitiça pobres marinheiros
É a leveza do vôo da ave
Que embriaga o cancioneiro
É o segredo, sombrio e sagrado
Que até hoje não foi desvendado
Por nenhum grande aventureiro


Alquimistas procuram expressão
Que conduza a tamanha proeza
Já os sábios recorrem à razão
Também não encontrando certeza
E tomados pela desventura
Se recolhem a sua pequenura
Aflorando uma grave fraqueza


No obstante, o ignorante
Que nada grandioso almeja
Vai tocando sua vida adiante
Sorridente, tudo lhe graceja
É de fato feliz de verdade
Pois não caça a felicidade
Sendo assim ela que lhe corteja

(Jessé Costa)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Doença de Engenheiro

É tanto momento de inércia
E tanta Integral fechada
Circuitos, força magnética
Centróide, haste acelerada
Que de sair calculando
O cabra acaba ficando
Com a cabeça avacalhada


Se tem torque na bobina
Também tem que calcular
Mede embaixo, mede encima
E começa a integrar
E achando o baricentro
Joga tudo ali dentro
Para vê no que é que dá


Com uma série alternada
Sobre um eixo principal
E um binário na parada
Não há quem não passe mal
Mas nem doente se escapa
Que a doença que o solapa
É o cálculo renal...

(Jessé Costa)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Cantos e Contos

Em defesa do caráter
Do nordestino leal
A TV O NORTE parte
Com um projeto genial
Programa cantos e contos
Marcando infinitos pontos
Com a cultura regional


Nesse projeto porreta
Tem de um tudo misturado
Tal qual fica a paleta
De um pintor alucinado
Pintando com multicor
O que existe de valor
Nas brumas do nosso estado


Tem folclore? Tem senhor!
Tem folguedos do passado
Tem repente e cantador
De raciocínio afinado
E gente nova a mostrar
Que do seio popular
Sai talento amamentado

(Jessé Costa)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Como que não fosse nada

Nas curvas do pensamento
Sou inventor de ciências
Controlador desatento
Que já não tem paciência
Com os aviões do radar
E fica alí a voar
Nas asas da malevolência


Sou caçador de rolinha
Entrando de mato a dentro
Que duas balas só tinha
E quando volta do intento
Tem seis aves abatidas
Cinco de bala perdida
E outra de passamento


Dos traços da minha pena
Faço rimas afiadas
Tal qual faz o lavrador
Dando no chão com a enxada
Enche a terra de beleza
Hábil e sem sutileza
Como que não fosse nada

(Jessé Costa)

Sob Encomenda

Uma criança inocente
Que cresceu acreditando
Quando via um arco-íris
Já saia divulgando
Que de lá do outro lado
Tava chêi de ouro guardado
Somente lhe esperando


Pregava felicidade
Vivia sempre sorrindo
Não conhecia a maldade
Via o mundo todo lindo
E quando à tarde turva
Tomava banho de chuva
Só não perdia o domingo


Adulta que não cresceu
Não só na sua estatura
Continua uma menina
Uma princesinha pura
Que brilha sem falsidade
E desconhece a maldade
Não vê na vida uma agrura


(Jessé Costa)

domingo, 27 de abril de 2008

Acróstico

A dmiro a grandeza
R egional bem nordestina
R echeada de Beleza
E scrita com pena fina
P or homens analfabetos
A rrudeados de cultura
R edobrando suas agruras
E xpondo serem completos

(Jessé Costa)

sábado, 26 de abril de 2008

Versos Pabulosos

A dona sabedoria
Hoje veio a me dizer
Que o homem em sua vida
Passar no seu proceder
Por uma fase intrigante
Vergonhosa, causticante
Que eu vou lhes descrever


É quando na flor da idade
O cabra já não se agüenta
Perdendo a capacidade
Não controla, não sustenta
E quando vê mulheraço
Sente seu terceiro braço
Duro como o pau da venta


Nesse período tem gente
Que chegando na mulher
Já vai com o bilau na frente
Demonstrando o que quer
Sem fazer a menor sala
Feito cego com a bengala
Cutucando o que vier


Isso é lá propriedade
De homi muito tapado
Pois não importante a idade
O cabra bem preparado
Que quer faturar madama
Escuta o que ela explana
Fingindo não ser tarado


(Jessé Costa)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Vôo do Beija Flor

Eu gamei numa morena
Da pele cor de canela
E escrevi esse poema
Pra encantar a tal donzela
Ganhando assim seu amor
Tirando do peito a dor
Que é não ter o beijo dela


E foi num forró pegado
Que peguei em sua mão
Com meu jeito despojado
Puxei ela pru salão
E com voz de locutor
Lhe falei do meu amor
Tocando em seu coração


Daí pra frente ficamos
Dançando bem coladinhos
Às vezes beijos trocando
Às vezes só uns carinhos
Nisso eu já imaginava
No fim da noite nós tava
Fazendo uns barrigudinhos


Depois de já conquistada
De saciar meu desejo
Senti que o amor definhara
Dei-lhe um último beijo
Deixei-a ali com estava
Pois o sol já despontava
Me carregando em cortejo


Assim peguei minha estrada
Fui atrás do meu caminho
Ficou pra trás outra amada
Voei feito um passarinho
Tal qual faz um beija flor
Bati asas com fulgor
Pra desviar dos espinhos

(Jessé Costa)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Vai que é tua Taffarel!

Dou-le um cheiro no cangote
Uma lambida na zurelha
Passo a mão no seu pacote
E te ponho toda esguelha
Só num estranhe meu papel
Pois de tu só quero o mel
Que’u sou feito uma abelha


Que’u sou feito uma abelha
E de tu só quero o mel
Tire a pulga das zurelha
Num estranhe meu papel
Que'u vou te pegar pegando
Cum povo todo gritando
Vai que é tua Taffarel


E é com o povo gritando
Vai que é tua Taffarel
Que'u vou chegar abafando
E vou te Levar pra o céu,
Vou te deixar empolgada
Cum cabo da minha enxada
Com minha dança do créu

(Jessé Costa)

sábado, 19 de abril de 2008

Só pra Olhar

nas entrelinhas
(Jessé Costa)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Tu me Açobe o Facho

Se eu não estudasse engenharia, nega
Todo dia eu ia te ver
Pois nesse curso eu só me lasco, nega
Mal da pra sobreviver
Não vá pensando que eu me acho
Ou que tu não me açobe o facho
Do contrario, deixa eu te ver só..
Quero lhe beijar todinha, nega
E lhe amar sem sentir dó
Mas esse curso é coisa feia
Só passa estudante pêia
Ou quem vive pra aprender
Se eu não estudasse engenharia, nega
Todo dia eu ia te ver

(Jessé Costa)


(Livre adaptação da música ‘Até Mais Vê’ do Trio Virgulino)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Anjo

Descobri um brilho raro
Quando escapei da morte
Num acidente de carro
Posto que abusei da sorte
No fundo do coração
Segurando em minha mão
Minha priminha me olhando
Era o meu anjo falando:
Não quero lhe perder não!

(Jessé da Costa)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Minha frôr

Cheira mais que margarida
Dança mais que duas dela
Beija que nem rapariga
Mas vem dizer que é donzela
Como eu num sou tapado
Vou me fazer de capado
Pra tocar meu fogo nela

(Jessé Costa)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vantagens Competitivas

Hoje são muitas as firmas
Que cobiçam alcançar
Na avaliação do mercado
Seu lucro maximizar
Inovando em tecnologia
Investindo em cidadania
Para os fregueses ganhar


Custo de oportunidade
Nada mais decorre que
Em uma modalidade
O preço que pode ter
A escolha dum investimento
Com outros em detrimento
Que a empresa pode fazer


Vantagens competitivas
É um negócio almejado
Que distingue sua firma
Das demais de seu mercado
Ganhando assim compradores
Pros frutos dos seus labores
O que é lucro assegurado


Isso é um pouco que se vê
Em um assunto excitante
A economia da produção
Que dá base ao estudante
Pra quando o curso acabar
Seja a empresa em que entrar
Ser grande administrante

(Jessé Costa)

domingo, 6 de abril de 2008

Homem de Cunho Empírico

Extremamente genioso
Às vezes extrovertido
De humor misterioso
Por poucos compreendido
Você já sabe quem é?
O nome dele é Jessé
Sujeito muito aguerrido


Sei que sou meio suspeito
De homenagem prestar
A essa figura impoluta
Mas eu preciso contar
Que se eu sei o que sei
Foi porque dele herdei
E o resto eu fiz copiar


Cabra de fibra e valente
De coragem singular
Em Timbaúba onde nasceu
Ele se fez respeitar
Sempre falando com todos
Podia até ser famoso
Mas preferiu trabalhar


Homem de cunho empírico
De tentativa e acerto
Cresceu na vida suando
Passando por muito aperto
Mas hoje podia bem
Usufruir do que tem
Diminuir seu cabresto

(Jessé Costa)

sábado, 5 de abril de 2008

Barra Circular

Numa barra circular
Vinha um seu Zé apitando
Mulecada já sabia
O que estava alí chegando
Era o doce japonês
A procura do freguês
Cliente de tantos anos


No outro lado da rua
Vinha um pirralho raquito
Carregando a tira colo
Uma tábua de pirulito
Daqueles que na chupada
A chapa do camarada
Gruda dum jeito esquisito


Tinha outro sujeitinho
Empurrando uma carroça
E um pau de algodão doce
Gritando e fazendo troça:
-Por uma garrafa, você veja
De refrigerante ou cerveja
De um algodão você se apossa

(Jessé Costa)