sábado, 26 de dezembro de 2009

Dança ou dança

Sá Menina (Carolina) quando dança,
dança assim, assado e como ninguém;
seu corpo todo se bole e balança,
e o mundo bole-balança também...
Já s’eu não danço, se eu fico aquém,
s’eu não balanço pra lhe acompanhar
não vou deixar, inda assim, de dançar;
pois s’eu não danço, aí é que eu danço:
sentado e olhando, tal qual um boi manso,
a Sá Menina dançar c’outro par!

João Pessoa, 26/12/2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Faces do Feio

Ser feio não é desgraça!
Tem muito feio feliz
tem até feio que diz
que ser feio é que é graça!
Mas tem feio que disfarça
que chega a perder a calma.
Tem feio que até tem trauma
pela baixa formosura
pois excesso de feiúra
desconcerta até a alma!

João Pessoa, 07/12/2009.

Conhecimento Adquirido

O homem cresce e aprende
que não sabia de nada,
as poucos ele entende
a lição assimilada
e segue interrogando,
duvidando, observando,
estudando o obscuro,
afinando o pensamento,
gerando conhecimento
e melhorando o futuro!

Caminha na contramão
quem se nega a aprender,
quem gosta da escuridão
e aceita o que aparecer;
quem não pára pra pensar,
deixa a mente atrofiar
e no que ouve tem fé;
esse aí vive da sobra,
vira massa de manobra
e é levado na maré!

João Pessoa, 07/12/2009.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ode a Morena

Morena, os teus cabelos
rebeldes, mas delicados,
escorrem sobre teu rosto,
de traços bem desenhados;
tua pele em tom canela
desbanca qualquer branquela
e arrebanha apaixonados!

Morena, teu cheiro invade
e aflora o meu olfato;
perfuma minha vontade,
arrepia meu extrato
que só pensa em dar um bote
no cheiro do teu cangote;
mesmo sendo, assim, gaiato!

Morena, essas tuas coxas
são coisas de outro mundo;
O teu bumbum (nem te falo!)
é primeiro sem segundo;
teu corpo é todo pecado,
é caminho assegurado
pro deleite mais profundo!

Morena, esse teu olhar
somado com teu sorriso
são cento e cinqüenta gramas
a menos no meu juízo;
e desse jeito eu te juro:
bora ali num pé de muro
qu’eu te mostro o paraíso!

João Pessoa, 06/12/2009.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Instinto

Quero poder ser capaz
De ser pai também um dia
Ser herói da minha cria
Tal e qual foram meus pais
Aprender como se faz
Fazer minha vida em sua
Reclamar que o sono encrua
Trocar frauda, dar papinha,
Ensinar-lhe sem rodinha
E vê-lo ganhar a rua...

João Pessoa, 26/11/2009.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mariposa

Como ousas, Mariposa,
em pousar na minha alma?
Em abalar minha calma?
Em fazer tamanha cousa?

Não sabes que a alma humana
é terreno perigoso?
Não te arrisques num pouso
Numa alma tão tirana...


João Pessoa, 23/11/2009.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sorria!

Quando o tudo for tão pouco
E o detalhe tão robusto;
quando acordar for um susto
e o espelho parecer louco
lembra do sussurro rouco
que a tua pele ouriçava
lembra de quem te amava
de tudo que tu sentias
lembra de como sorrias
quando ele te abraçava

Lembra, mas não com tristeza;
procura aí teu alento
e encontrarás toda a força
pra findar esse tormento...

A vida é um ciclo tão breve
Pra se tornar tão pequena!
Não ache que após a cena
o ator entra de greve.
Triste é quem nunca se atreve,
quem cala na agonia.
É bom chorar algum dia,
isso ensina a aprender
E se a vida te bater
simplesmente lhe sorria!

João Pessoa, 22/11/2009.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Borracho

Enche o copo, por favor,
Preciso me embriagar
Quero matar essa dor
Antes dela me matar...
Não deixe o copo secar
Tal e qual meu coração
Murcho desde a audição
Da frase que o condenou
O som do “tudo acabou”
Endoidou minha razão...

Bebo e o copo é minha dor
Que parece não ter fim
A cada gole que eu dou
Alguém o enche pra mim
Mas não vai ser sempre assim
Vou todos copos secar
E a minha dor vai cessar
Num sorriso embriagado
Atônito, amarelado
Antes de enfim desmaiar...

João Pessoa, 20/11/2009.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Auto do Fim


Fiz o máximo que deu:
Inventei um outro eu,
Mas ainda nem assim...

FIM!

João Pessoa, 19/11/2009.

Pabulagem

Quem não tem aquele amigo
que se diz o pegador,
que desconhece o perigo,
mas jura ser o terror?
Diz que manda onde estiver,
que é o bonzão com mulher:
o grande conquistador!

Eu conheço um cara assim,
mas não vou nome citar,
só vou contar-lhes um causo
qu’eu pude presenciar:
um caso de pabulagem,
de contação de vantagem,
que se assucedeu num bar!

Nesse bar tinham três deusas,
umas tás de garçonetes,
das que vendem no balcão
de cachaça a grapettes.
Eram moças tão bonitas,
que ante mesmo às biritas,
eram elas as vedetes!

Pois pronto, foi nesse bar
(esse tal de espaço mundo)
qu’eu ouvi o Dom Juan
usar seu papo profundo...
Um colóquio tão cabeça
que nem qu’eu queira o esqueça
por um único segundo!

Primeiro vou explicar
como ele me contou:
- Cheguei no balcão do bar,
a primeira me olhou...
Eu pedi uma cerveja;
ela disse “assim seja”
e por mim se apaixonou...

- Pediu o meu telefone
segurando em minha mão,
piscou o olho pra mim
e eu pensando “por que não?”;
atendi ao seu pedido
e antes d’eu ter saído
já tinha uma ligação!

E emendando ele me disse
que já tava faturando
aquela Deusa do bar,
que a todos anda atentando.
Vôte, cara pabuloso!
Veio bancar o gostoso
e acabou foi se quebrando.

Pois eu tava no balcão
(ele não me conheceu)
e sem querer eu ouvi
como tudo aconteceu.
Eu não ia nem contar,
mas veio se pabular
e agora se fudeu!

Esse cara abestalhado
ficou por ali bestando
sem ninguém lhe atender
e ele em pé esperando;
olhando pra garçonete,
que só num deu-lhe um bufete
por que tava trabalhando!

Depois de tempos em pé,
encostado no balcão;
gritou por uma cerveja,
Esperou mais um verão,
e quando foi atendido
foi muito bem precedido
da falta de atenção!

A moça nem o olhou,
mas não foi indelicada.
Também nem se o quisera
sendo tão agraciada!
Porém notei que a bebida
que tinha sido servida
não tava muito gelada...
.
E o coitado ainda crente
de arrebatar a musa,
pra tentar puxar assunto,
endireitou sua blusa;
fez cara de Zé ruela,
pediu dois copos a ela
que o despachou obtusa...

Daí eu olhei pra trás:
Lá ia ele bufando,
com uma cerveja quente
e dois copos lhe sobrando!
Só o vi no outro dia,
cheio de prosa e folia;
da noite se pabulando!

Pois toma seu mentiroso!
Tu pensa que engana a quem?
Todo metido a gostoso
Só por que nada em vintém?
Leva-se um belo de um toco
Inda esquece-se do troco
Da tua nota de cem...

João Pessoa, 18/11/2009.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lua Minguada

A lua ficou opaca.

Ela não mais quer brilhar

e o breu que tomou o ar,

durante a noite me ataca.
Sem luz não vejo a estaca

no final da minha estrada

e assim rumar para o nada

tornar-se-á minha sina,
procurando em cada esquina
por outra musa aluada!


Sem lua a noite é a morte

na foice da solidão,

sem lua as marés não são

mais que uma onda mais forte!

Pra mim a lua era o norte,

na bússola do viver,

que vai seguir sem pra quê

até que surja outra lua

que o breu da noite destrua

e faça a vida valer!


João Pessoa, 16/11/2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Amor Morto

Triste dia aquele que nascia!
Pobre homem, perdido imerso em dor,
despedindo-se ali do seu amor;
qu’entre os vivos mais nada respondia.
O casal, que outrora só sorria,
teve um fim prematuro: a morte inglória!
E a quem fica não resta escapatória
que não seja chorar a grande ausência
e ter fé de que em outra existência
o amor retomará sua história!

João Pessoa, 08/11/2009.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dança

Posso até muito ensaiar
Mas quando tomo teu lado
De corpo e rosto colado,
Não consigo acertar

Meus pés me desobedecem
E meus ouvidos se esquecem
De a música escutar...

O meu corpo ouriçado
Fica todo arrepiado
Na tua respiração

Já minh’alma sem cadência
Sai cometendo a insolência
De não seguir a canção...

Sem saber te conduzir
Eu erro sem nem sentir
E tu finges não notar...

Enquanto em teu “ouvidor”
Eu te falo: Minha Flor,
Não compares meu amor
Com o quanto sei dançar!

João Pessoa, 03/11/2009.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra confessar viadagem

Papito, meu pai querido
Meu progenitor, meu rei
Não se ponha aborrecido
Mas confesso que sou gay
E foi seu brother Paulão,
O Zezão, Chicão, Tonhão;
Com eles qu’eu confirmei!

João Pessoa, 26/10/2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Série “Sob Medida...”

...Pra bebo bom

Cascos pra dois engradados
Eu tomei que nem senti
Aqueles litros virados
Acho que eu que bebi
E tou bonzim, zero bala
Só tou meio ruim da fala
Mas foi algo qu’eu comi!

João Pessoa, 26/10/2009.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra Mulher Interesseira

Você me disse que sou
Gostosinho pra chuchu
Só porque estou tomando
Uísque com Redbull
Mas ele é falsificado
E eu estou desempregado
Devendo meu próprio cú!

João Pessoa, ... 2008

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra dar Fora em Mulher Feia

Mamãe que me passou talco
E limpou a minha bunda
Sempre me alertou: Cuidado
Com mulheres sujismundas
Pois quando o cabra se atraca
A má fama lhe ataca
E a reputação afunda!

João Pessoa, ... 2008

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Série "Sod Medida..."

...Pra Marcar Território

De ti gosto até mais
Que dum frevo bem tocado
Pra ti guardar sou capaz
De dar tapa em delegado
Sou valente brigador
E mexeu com meu amor
Ou sai morto ou aleijado!

João Pessoa, ... 2008

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra Sussurrar no Ouvido

Sois nuança da aurora
Que alegra o sol nascer
Um encanto enfeitiçado
Que me fez endoidecer
E lhe peço que me ame
Pra qu’eu feito origami
Te dobre com meu prazer!

João Pessoa, ... 2008

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sortilégio

Feitiço da Mulher da Noite



Quem é ela que flutua
Pelas calçadas da rua,
Sedutora e seminua
Aliciando os olhares?
Quem é que assim se insinua
Numa noite nua e crua,
Sob a luz fraca da lua,
Pelos cabarés e bares?

Há de ser uma visão?
Oásis da tentação?
Será a maça de Adão
Que incita o pecado?
Ou um anjo displicente?
De Deus, um teste latente!
Deusa em forma de gente,
Ao olhar embriagado!

O garçom me elucidou
Que a dama que passou
É o que se famigerou
Mulher da vida e da rua;
Porém ela é mais que isso,
Há de haver nela um feitiço
Qu’arrepiou meu toitiço
E fez de minh’alma sua!

Assim, vou de bar em bar,
Vou bebendo a esperar
Ver noutra noite, a passar,
Aquela mulher perdida;
Pois só vou me sossegar
Depois que me declarar.
Eu preciso lhe contar
Que é dela a minha vida!

João Pessoa, 21/09/2009.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Distância

à Ewerton e Érica, separados pelo atlântico.

Tendo em suas mãos um globo
Tentou medir a distância.
Um palmo de sua mão,
Era essa a impedância!
Mas que significância
Pode haver nessa extensão?
Foi quando pousou sua mão
Sobre o peito, outrora calmo,
E descobriu que num palmo
Cabia seu coração!

Tendo em suas mãos um mapa
Concentrou sua atenção
Naquele país adonde
Fora morar sua paixão.
Tinha com isso a ilusão
De sentir mais uma vez
O cheiro de sua tez
Brotar da rosa-dos-ventos
Sem ver que seus pensamentos
Já não tinham sensatez!

Mas o tempo escorre aos poucos
Quase sem velocidade
Na ampulheta da vida
Dando-lhes vivacidade
E quando se reencontrarem
Choverá felicidade!
O todo terá mais vida!
Bem mais que meras metades!
E dentre noites seguidas
Matarão suas saudades!

O céu cravado de estrelas
Entre as nuvens sorrirá
Os calafrios da noite
Em brisa os abrasará
E um sol de amor nascerá
Auroreando com vida
A insônia mal dormida
Dum amor itinerante
Que regressa ao quadrante
De onde fez a partida!

João Pessoa, 10/09/2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Versão Universitária

Já são pra lá de dez anos
Qu’eu só dou gasto e estudo
Sei que não tava nos planos
Qu’eu estudasse isso tudo
Mas o seu consentimento
Foi um grande investimento
Qu’em lucro vai se tornar...
Painho não fique louco,
Pois agora resta pouco
Pr’eu conseguir me formar!

Foi por tanto estudar
Que dei os passos que dei
Pra quem sabe melhorar
O futuro que terei;
O futuro meu e seu,
Onde tudo que me deu
Vou lhe dar um tanto mais
Mas até que eu me forme
Peço pra que se conforme
C’um “Feliz dia dos pais!”

João Pessoa, 07/08/2009.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Velha Radiola

(A Manoel Costa Palma)

O chiado de um vinil
Na radiola a rodar
Oscilando empenado
Jogando notas no ar
Traz-me a recordação
De um tempo em que então
Vovô me contava histórias
Com o seu falar cantado
E seu timbre aveludado
Contando fatos e glórias

Pois n’antiga residência
Onde fez sua morada
Tinha para seus vinis
Uma área reservada
Er’um quarto recuado
Com seu nível rebaixado
Tendo ares de porão
De onde se escutava,
Sempre qu’ele ali estava,
O som de uma canção

Er’aquele seu porão
De paredes mal pintadas
Repleto de prateleiras
Com caixas de som queimadas
Tinha fios por tod’os lados;
Aparelhos desmontados,
Pra seus consertos exatos,
E gambiarras ousadas;
Já debaixo das escadas
Tinha caixas e sapatos!

E tardes corriam soltas
Naquele quarto abastado
De tranqueiras e vinis
Por tudo quanto era lado
Era ali o seu lugar
Onde se punha a escutar
De Vicente Celestino
Ao grande Noite Ilustrada
O sucesso da parada
Dos seus tempos de menino!

Porém a idade veio
E com ela uma senhora
Que responde por Alzheimer
Chegou sem nem marcar hora
E fez de vovô cliente
Sem este ser condizente
Afetando sua lembrança
Sem dar direito a defesa
Mas para sua surpresa
Encontrou uma relutância!

Pois em meio aos exemplares
De vinis ultrapassados
Cantava-se às milhares
Recordações do passado
Que agora a memória,
De vovô, já tão simplória
Tornava embaraçadas
Mas que o som da radiola
Disparava qual pistola
Como lembranças cantadas!

E assim vovô não cede
A esta doença inglória
Armado com seus vinis,
Ouvindo sua história
Na vitrola do viver
E não queiram me dizer
Que tudo aquilo é entulho
Pois já deixo o aviso
Que, quando assim for preciso,
Vou os herdar com orgulho!

Todavia hoje em dia,
Sendo-lhes bastante franco,
Raramente tenho visto
Aqueles cabelos brancos...
Não tenho visto vovô
Então o que me restou
Foi esta recordação
Que do meu cerne decola
Ao ouvir da radiola
Uma saudosa canção...

João Pessoa, 03/08/2009.

sábado, 1 de agosto de 2009

Brado "Inrretumbante"!

Num mundo modo padrão
Nasceu com vida e perfeito
Mas uma paraplegia
Proveu-lhe de um defeito
Tornando o jovem infante
Usuário cadeirante
Antes de ser homem feito

Ficara preso à cadeira
Uma peça essencial
Instrumento incorporado
Como uma parte vital
Ao seu corpo limitado
Mas não ficara fadado
A viver na escuridão
Pois tinha dentro do peito
Num passo mais que perfeito
Um valente coração!

Adaptou sua vida
A nova realidade
Sem se deixar abater
Rejeitou a piedade
E com a cabeç’erguida
Deu uma nova partida
N’aventura do viver
Pra dentre desilusões
Descobrir limitações
Que teria que vencer

Consagrou-se vencedor
Numa luta desigual
Pra ir de casa à esquina
Entre a guia e o degrau
Montado em sua cadeira
Derrotou a buraqueira
D’uma calçada minada
Pra depois de lá chegar
Por três horas esperar
Uma “Van” adaptada!

Esta é só uma batalha
De tantas que já travou
Todavia é evidente
Que nem em todas ganhou
Pois este mundo padrão
Sem rampas e corrimão
É uma grande armadilha
Que para a deficiência
Transforma uma residência
N’uma verdadeira ilha

Mas não é só neste caso
Que o nosso mundo é hostil
Também vale pra o cego,
O muletante, o senil
E o imperfeito auditivo;
Todos eles têm motivo
Pr’as ruas não freqüentar,
Pois estas são um espaço
Que demanda por um passo
Que nem todos podem dar!

Sendo assim o qu’acontece
É que muitos se ocultam
E ainda estando vivos
As suas vidas sepultam
Imersos na escuridão
Sem despertar atenção
De uma gente egoísta
Que tem a saúde plena
Mas não move uma pena
Pra que isso não persista!

João Pessoa, 31/07/2009.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Poesia da Merda

Eu sinto dentro de mim
Qu’esse caso acaba agora
Que pra ela é o fim
Que ela quer ir embora
De mim está saturada
Não quer mais minha morada
Forçando sua partida
E sentado na privada
Vou defecar minha amada
A minha merda querida!

Mas depois de evacuá-la
Levantarei devagar
Pra à derradeira fitá-la
Na bacia a flutuar
Com seu glamour e elegância
Grande em tamanho, sustância
E exuberância fecal
Depois darei a descarga
Triste como quem amarga
Perder um órgão vital!

É assim qu’eu me apaixono
E me frustro todo dia
Sentado aqui neste trono
Vaso, privada ou bacia
Sendo fadado a perder
Algo que eu fiz crescer
E’m meu cerne cultivei,
Pra de forma obtusa
Depois transformar em musa
Esta merda que caguei!

João Pessoa, 22/07/2009.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Confraria dos Desiludidos I

(Poesia sem Fim)

Joaquim se apaixonou
Por uma nuvem do céu
Que de forma afeminada
Vestia-se com um véu
Mas veio uma ventania
E na andança do dia
Esse amor foi pro “bedel”

Tereza gamou num poste
Que brilhava mais que a lua
E religiosamente
Paquerava a luz sua
Mas um dia a luz queimou
E o escuro se apossou
Do seu amor e da rua!

Carlito amava sua sombra
E ela o correspondia
Que pra onde ia Carlito
Sua sombra o seguia
Mas esse amor s'acabou
Pois Carlito s'empregou,
Vira a noite e dorme o dia!

A paixão de Maristela
Era seu próprio nariz
Sempre olhando sua ponta
Não beijava por um triz
E deste jeito a pimpolha
Ficou pra sempre zarolha
Solitária e infeliz!

João Pessoa, 27/05/2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Engenharia

Como é bela a engenharia
Como é linda essa ciência
Que aumenta a inteligência
Daquele que a desafia
Quem nesse meio se cria
Só mastigando equação
Desenvolve aptidão
Pra escapar de dilema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

Nada é incompreensível
Aos olhos dum engenheiro
Desmonta e monta ligeiro
Por increça que parível
Se queimar, troca o fusível
Se esquentar, baixa a pressão
Se vazar, faz vedação
Se travar, troca o sistema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

Com uma calculadora
Que já sabe até falar
Só lhes falta inventar
Uma invenção inventora
Não há melhor professora
Nas artes da inovação
Do que essa profissão
Que encara qualquer tema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

João Pessoa, 06/07/2009.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pei-bufo!

Sei que posso parecer
um playboy sem conteúdo,
sei também que não sou tudo
que um homem pode ser,
mas se tu me conhecer
vais mudar o teu conceito
pois vou arrancar do peito
o verso mais encantado
pra deixar bem retratado
que somos um par perfeito!

E se acaso eu me perder
entre as rimas de um verso,
simplesmente eu lhe peço
para me compreender,
pois tão perto de você
não da pra me concentrar
e se meu peito parar
tão perto do paraíso
NAS COVAS DO TEU SORRISO
EU QUERO ME ENTERRAR!

João Pessoa, 30/06/2009.

domingo, 28 de junho de 2009

Sorrisos de vida

(Sinceridad’escancarada)


Imagem: http://www.flickr.com/photos/harryfirmo

O sorrir da criança travessa
A dureza do dia atravessa;
Num alívio pra dor, é compressa
Pra que vida não se esmoreça
E a idéia então surge à cabeça
Numa estória que um senil inventa
Pra manter a criança atenta
Pra encantar o moleque danado
Vai o idoso deixando de lado
Velhas dores que a idade apresenta!

A alegria de uma criança
Tem poder de rejuvenescer
Tem a força de fazer nascer
Pro futuro uma nova esperança
E enquanto uma ruga avança
A somar numerais à idade
A quem ache a felicidade
Na sinceridad’escancarada
Que transborda em cada risada
De quem nem sabe o qu’é falsidade!

João Pessoa, 28/06/2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pés de Saco Plástico

(nas margens do capibaribe-mirim)

Já tantos palmos mais raso
e tanto mais poluído
lá se encontram vis dejetos
a cada metro escorrido
e no curso transiente
é suja a água corrente
onde não há um vivente
que não tenha sucumbido!

É triste, porém é fato
e a tendência é piorar;
pois na cobiça do homem,
sedento por enricar,
vem a plantação de cana
o milho, a uva e a banana
pra na irrigação da gana
as suas águas sugar!

Já na mata ciliar,
sua vida marginal,
o retrato da porqueira
é evidência cabal
de que o homem tava errado
ao ter se configurado
como sendo ser dotado
de caráter racional!

João Pessoa, 26/06/2009.

sábado, 20 de junho de 2009

Dizer Matuto

Um caboclo amatutado
De feitio mirabolante
Andarilho itinerante
Viajante calejado
Me deixou ababacado
Numa linda confissão
Que juntou uma multidão
De ouvidos escutantes
Escutando o viajante
Dizer a todo pulmão:

Achei o complementar
Do meu conjunto universo
Para o mote achei um verso
Que faz meus olhos brilhar
Ela faz vida jorrar
Da minha alma lascada
E nas curvas dessa estrada
Diz um refrão que eu canto:
QUEM É FELIZ DO MEU TANTO
NÃO TEM INVEJA DE NADA.

E eu ali escutando
Não me botei invejoso!
Do contrário, vaidoso
Com um sorriso estufando
Pois ele estava rimando
A canção apaixonada
Qu’eu compus pra minha amada
Provando sem “entretanto”:
QUEM É FELIZ DO MEU TANTO
NÃO TEM INVEJA DE NADA!

João Pessoa, 20/06/2009.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Jeito Carolina



Amo teus olhos puxados
Que quando nos teus sorrisos
Ficam quase que fechados
Formando riscos precisos

Amo teu jeito pequena
De ser grande em pensamento
Amo tua voz serena
Traçando um bom argumento

Amo teu jeito apressada
De querer resolver tudo
Amo teu jeito ocupada
De dizer: Deixa, eu lhe ajudo!

Amo teu jeito mulher
Amo teu jeito menina
Amo teu jeito de ser
Simplesmente Carolina!

João Pessoa, 12/06/2009.

sábado, 6 de junho de 2009

Concorrência Desleal

(Céu VS Inferno)

Vim na sua casa para lhe falar
Que na pisada que as coisas vão
Não leva tempo pra o mundo acabar
Com tanta falta de regulação.
É necessária uma intervenção
Pois o inferno está quase lotado,
Enquanto o céu cada vez mais parado
Criando teia de aranha nos cantos;
Já faz cem anos que não sobe um santo
E há dois segundos desceu um tarado!

Ora, compadre, tu é o culpado
Se teu salão está entregue as traças
Pois se teu clube tem dez mandamentos
Na minha liga a entrada é de graça
Se no teu céu a bebida é o vinho
No meu inferno a birita é cachaça
Já foi-se a época da castidade
O povo quer fogo e não só fumaça;
E eu abro vaga a qualquer qualidade:
D’advogado às menores desgraças!

João Pessoa, 06/06/2009.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Intento



Escolha ser vírgula ou ponto final
Escolha ser fonte ou receptor
Escolha entre o tiro e o beija-flor
Escolha a bandeira do bem ou do mal
Pratique o excesso ou o essencial
Não atire a pedra se deseja a paz
Não ande pra frente pensando no atrás
Não julgue possível mudar o escolhido
Pois há um futuro diverso escondido
Em cada escolha que a gente faz...

João Pessoa, 02/06/2009.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Arritmia



Coração abandonado,
Quando ainda estava amando,
Embora siga pulsando,
Perde o significado;
Bate para o lado errado,
Erra o tempo de bater;
Sem ter mais nenhum "por que"
Para garganta suspende-se
E "talqualmente” o apêndice
Vai servir só pra doer...

É um órgão enganado,
Batendo bem na goela,
Que, de tanto lembrar Dela,
Fica sobrecarregado;
Esquenta o peito rasgado,
Esfria a palma da mão,
Embaça toda a visão
Numa lágrima insistente
E não há quem se sustente
Quando tomba o coração!

Timbaúba, 01/06/2009.

domingo, 31 de maio de 2009

No Popular

Cá na terra onde nasci
Prostituta chama quenga,
Virgindade é cabaço,
Discurso é lenga-lenga,
Desconhecido é boyzinho,
Medo é se cagar todinho
E discussão é arenga!

Timbaúba, 30/05/2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Falência

- A bolsa quebrou
E o dólar subiu;
- Sua firma fechou,
Seu sócio sumiu!

-O prazo acabou;
- Não se preveniu;
- E o banco deixou
Seu cofre vazio!

- Em casa chegou;
- O cão lhe estranhou
Quando, a porta, abriu!

- Sua fonte secou;
- E a mulher que amou
Com outro fugiu...

- Sua casa caiu;
- E o que lhe sobrou
A água levou
Na chuva de Abril...

- Sem nada ficou;
- Mas não deu um piu;
- Apenas mudou
Pra beira do rio!

- Na lama atolou;
- E não mais saiu...

- Então se matou!

-Mas se alguém notou
Não sabe, não viu!

João Pessoa, 21/05/2009.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Crise do Divino

(Um Causo Nordestino)


De repente escureceu
As vinte pra o meio dia
E tudo ficou no breu
(No mundo nada luzia)
Pois o sol esmoreceu
Falhando sua bateria

E passada a garantia
Deus pediu um orçamento
Pra autorizada do “dia”
Que lhe cobrou pelo intento,
Numa grande revelia,
O seguinte pagamento:

De Saturno um anel
E quatro corpos celestes
E das divisões do céu
Pediu metade do leste
E ainda descontento
Dez mil arrobas de vento
E a sombra do Everest.

Mas Deus disse: “Tá cá peste,
Tá cá gota, esse menino,
Desse jeito tu me quebras!
Tenha senso, tenha tino
Que cá crise mundial
S’eu gastar mais um real
Deixo até de ser divino!”

Prosseguida a peleja
No vão da negociação
Deus já tava desistindo;
Foi quando da escuridão
Veio uma voz Severina
Daquelas bem nordestinas
Propondo uma solução!

E num é que era Biuzin
Lá do alto do Cruzeiro
Que tava ouvindo a pendenga
E como um bom futriqueiro
Cutucador de buraco
Decidiu dar seu pitaco
Para o nosso criador

Disse: meu santo Senhor
Se o sol está quebrado
Se o breu tomou o mundo
E o dinheiro está contado
não se ponha aperreado
Pois eu tenho uma saída

Arranje um grande balaio
Que seja extenso em volume
Depois atole ali dentro
Pra mais de mil vaga-lume
E faça que ele se aprume
No eixo do vão solar
Para a terra alumiar
Até que o sol se arrume

E Deus disse: eita Biuzin
Que idéia genial
Uma solução tão simples
Pr’um problema mundial
Que na tua inteligência
Vai me livrar da falência
E me manter divinal

Já como agradecimento
Por tanta sagacidade
Beba da minha bondade
Não se acanhe e tenha fé
Diga-me o que você quer:
Ser rico, belo, famoso,
Poderoso? O que quiser!
Mas biuzin disse: Divino,
Como já sou nordestino
O resto é bicho de pé...

João Pessoa, 11/05/2009.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cinco

Já se foram cinco meses
Que juntamos nossos mundos;
Doze milhões novecentos
E sessenta mil segundos
Passados tão velozmente
Quanto a estrela cadente
Que voa no breu profundo

Foram cinco meses rasos
Com recorde mundial
E Cento e cinqüenta luas
De brilho tão magistral
Construindo a cada dia
Cinco meses de magia
Contra tudo que é real

Para meus cinco sentidos
Foram cinco meses latos
Onde apurei a visão,
Meu paladar, meu olfato;
Aprendi a te escutar,
Mas não vou te enganar
Que gostei mesmo do tato!

Ah! Cinco meses contados
Para cada operação
Sorrisos multiplicados
Somada nossa paixão
E a Tristeza ou aflição
Quase toda dividida
Ou então subtraída
Do nosso “um só coração”

Foram cinco meses simples
De noites enluaradas
Onde cinco pingos d’água
Anunciam chuvarada
E estejas preparada
Que uma coisa é certeira
Passamos só a porteira,
Começa agora a estrada!

João Pessoa, 05/05/2009.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Evolução

Fui criança, menino apaixonado
Pelos olhos mais lindos de minha Rua!
Ora, pois! Eu queria ser a lua,
Mas no amor não gerava um só olhado.
Lembro que nos folguedos do passado,
Por eu ser tão franzino e pequeno,
Nunca fui um retrato de moreno,
Muito menos polícia ou capitão,
Nem tão pouco fui rei, nem fui ladrão;
Era apenas um pobre no sereno...

Hoje em dia, pra amar e ser amado
Sou moreno, careca e cabeludo
Sou galego, ladrão; sou rei, sou tudo;
Desde que eu esteja do seu lado!
Junto a ti sou um arame farpado
Protegendo a divina criação
Sou toró despencando no sertão
Sou um beijo no escuro, bem roubado,
Sou bilhete de amor improvisado
Viajando no bar de mão em mão!

João Pessoa, 23/04/2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Amarração

(Pois na briga do mar com a praia, quem se lasca é o caranguejo)

Tempo traz tempo e chuva traz vento;
Tudo na vida quer tempo e medida;
Antes cautela que arrependimento;
Coisa cedida, ou tá podre ou moída.

Primeira pancada é que mata a cobra,
Aconselha a raposa e morre a galinha,
Banana madura não fica no cacho,
Agulha sem fundo não arrasta linha.

De boa intenção o inferno está cheio,
No ano inteiro enriquece o banqueiro,
Asno que tem fome a manjedoura come,
Já dos descuidados comem os rendeiros.

Tolo é o cão que acha osso e não rói;
Contra esperteza, esperteza e meia;
Cave o poço antes de sentir sede
E só divida a esposa alheia.

Irmão de barqueiro não paga a passagem,
Visita e pescada em três dias enfada,
O Leite da vaca não mata o bezerro,
Cajueiro doce é que leva pedrada.

Bem mais vale sê-lo do que parecê-lo,
Mais vale ter graça que ser engraçado,
Janelas fechadas são olhos de cego
E livros fechados não fazem letrados.

Formiga e babão tem em todo lugar,
Na necessidade se prova a amizade ,
Na seda mais fina é que a mancha se apega,
Nem toda mentira acoberta a verdade.

Melhor ser fanhoso a não ter o nariz,
Nunca se esqueça de desconfiar,
O carro não anda adiante dos bois
E o jogo só finda ao juiz apitar!

João Pessoa, 21/04/2009.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Chinelo de Couro

Nas tiras de couro da minha chinela
Calcei a saudade da bela morena
E em cada passada recordo à pequena
Sorrindo a tornar minha vida mais bela

Calcei a saudade no couro castanho
Da onça menina da cor do pecado
Da onça mulher de trejeito risonho
Da onça marrom d’olhar esverdeado

Do couro da bela retirei as tiras
Que prendem meus pés nessa velha chinela
Matei minha onça num tiro sem mira
E ando morrendo de saudade dela

João Pessoa, 17/04/2009

sábado, 11 de abril de 2009

Uma Questão da Saudade

Nas Terras de um Sentimento Lato



A saudade emburacou
E ergueu assentamento
Chegou-se de mala e cuia
Confiscou meu pensamento
E alegou legalidade
Na improdutividade
Do meu lato sentimento

E tendo tentado tudo
Pra findar essa invasão
Apelei pro advogado
Do escritório da razão
Falei desse assentamento
Da invasão no sentimento
e pedi reintegração

Contei da separação
Nos caminhos da lonjura
Falei do tempo que corre
Agravando a conjuntura
Disse qu’este é o motivo
De estar improdutivo
Meu amor, minha loucura

E o doutor disse: Se acalme
Não precisa exaltação
Esse caso tem saída
Sem muita complicação
Volte pra perto d’amada
Faça lá sua morada
Que a saudade é expulsada
Pelo usucapião...

Timbaúba, 10/04/2009.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Já fui Herói certa vez



Eu que nunca fui herói
E nem tão pouco valente
Vi-me num sonho de ação
Salvando-te dum vilão,
“Sem vergonho” delinqüente.

Eu, ali, trincando os dentes;
Empunhava a baladeira;
Botava a pedra no meio;
Esticava a bicha inteira
e soltava a cipoada:

Eita pedra bem mirada!
Eita tiro da moléstia!
Que o ladrão caiu no chão
Defecado e sem ação
Pru riba da própria réstia.

E eu, herói do calcário,
Era então bem abraçado
Por ti, um livre canário,
Que num ato inesperado
Tascou-me um beijo avexado
Sabor de agradecimento;

Foi quando, nesse momento,
Me senti acometido
Por um gosto esquisito
Que nunca havia sentido

E então me veio a razão:
Acordei de supetão
Beijando o palmo de chão
Adonde eu tinha dormido!

Timbaúba, 09/04/2009.

sábado, 4 de abril de 2009

Lua Enamorada

Com quem?
Com quem será?
Com quem será que a lua vai casar?
Louro, moreno, careca ou cabeludo;
Rei, ladrão, polícia ou capitão?
Estrelinha do meu coração!!

Olha a lua esbanjando claridade
Esborrando um brilho fluorescente
Brilha atrás dum amor, um expoente
Que flameje na mesma intensidade.
Mas, cansada, ela perde a faculdade
De brilhar e, assim, se escurece;
É então que o sol vem e aparece
Atirando 10 mil quilos de luz
E, assim, dia e noite se conduz
Num encontro que nunca acontece!

Muda a Lua pelo amor proibido,
Sentimento bem platonificado,
Todo peito tem um desse guardado
Num cuvico entocado e escondido.
É incompleto quem não tenha sofrido
Por gostar de alguém que não lhe quis;
Fui um padre que amava a meretriz
Fui juiz que amava a condenada
E Entre o dia e a noite enluarada
O arrebol delineia a bissetriz!

João Pessoa, 03/04/2009.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Escusa

Amor, ainda era cedo;
Mas já não lembro à hora,
Só lembro que senti medo
Quando me mandaste embora.
Lembro como fosse agora;
Você não me abraçou,
Teu olhar mal me olhou
E eu me senti morrendo
Ao ver que estava perdendo
A musa que me encantou...

Fica amor, fica comigo!
Perdoa o mal que te fiz,
Pois em ti eu tenho abrigo,
És tudo que sempre quis.
Com você eu sou feliz,
Sem você nada tem graça.
Fala o que queres qu’eu faça,
Que faço o que quer que for,
Pra restaurar o amor
Que de ti não mais transpassa!

João Pessoa, 28/03/2009.

sábado, 28 de março de 2009

João Paraíba e a Rua da Areia

Queria fazer amor
Mas não achava pareia
E assim João Paraíba
Cansou de afinar a pêia
Descabelando o palhaço
E pra quebrar seu cabaço
Correu pra Rua da Areia

E assim que chegou à rua
João viu cada visagem
Que olhando pros valentes
Quase lhe faltou coragem
Mas por tanta precisão
Prosseguiu sua procissão
Pela Barão da Passagem

Por aqueles casarões
Encontrava-se de um tudo
Dentre putas e ladrões
Tinha andrajos e veludo
Por onde a noite seguia
Na etílica alegria
Do furor mais cabeludo

Quando então nosso João
Foi desgarrando o receio
Olhou sua mão direita
E a coragem então lhe veio
Foi quando entrou numa casa
E pensou, queimando em brasa:
- Hoje eu vou mamar num seio!

Pois Ficha no jukebox
De um bar da luz vermelha
Entornou uma lapada
Prumode esquentar a orelha
E fitando rosto a rosto
Procurou um tira-gosto
Pra flambar sua centelha

Mas dentro daquela casa
Só tinha o último apelo
Só tinha um dragão de asa
Um resto de desmantelo
Mas ‘cabra’ bebo não foge
E João meio São Jorge
Já cogitava detê-lo!

A mais feia das mais feias
Perto dela era bela
Com os peitos na barriga
E a barriga na canela
Tinha tanta tatuagem
Que até malassombragem
Corria com medo dela

Quando João, aguardentado
Chamou a bicha pra mesa
Contou-lhe que era cabaço
Perguntou: tudo beleza?
E a tinhosa disse: Homi,
Hoje acabo tua fome
Com a minha sobremesa...

Foram então pra um quartinho
Que ficava atrás do bar
João se tremendo todinho
E ela pra lhe acalmar
Dizia sem embaraço:
Você é o quinto cabaço
Qu’essa noite eu vou tirar

Já no ventre da alcova
Do bordel raparigueiro
A quenga tirou a roupa
Com o charme d’um pedreiro
E no fio dessa visão
O brinquedo de João
Mostrou quem chega primeiro

Daí pra frente, confesso,
Não vi como aconteceu
No enganchado das cochas
Foi aquele “benzadeu”
E no mêi dessa procela
Enquanto João tava nela
Um cabaço se perdeu...

Finalizado o serviço,
Pagamento efetuado,
João saiu do cortiço
De sorriso abestalhado
Dizendo: Oh! Rua da areia
As casas que te ladeia
É lugar abençoado!

João Pessoa, Março de 2009.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Transversão

Hoje te vi
Tão diferente
Que um bem-te-vi
Cantou contente...

O Triste olhar
Dos olhos seus
Foi sem chorar,
Nem disse adeus;
E sem aviso
Fez-se um sorriso
Que florescia
Noutra existência:
Na veemência
Da alegria!

A luz solar
Brilhou mais forte,
E o seu andar
Criava um norte.
Nada de dor,
Toda de amor;
Quando sorria,
Em claridade,
Felicidade
Dela emergia!

Cabelo ao vento
Passo preciso
Num tempo lento
Já sem juízo
Que quase para
E se escancara
Pr’essa mulher,
A qual não chora
E hoje aflora
Meu “bem me quer”!

João Pessoa, 19/03/2009.

sábado, 14 de março de 2009

Cortinar do Picadeiro



O teu circo s'expandiu
Quando a lona foi trocada;
E você não mais sorriu
Na graça mais engraçada,
Deixou-me sem serventia
- Palhaço, sem alegria,
Chorando na palhaçada!

Mas hoje, enxugando a vista
Vou dar a volta por cima
Vou me tornar trapezista
Que no alto se sublima;
Nunca mais vou ser palhaço,
Vou ser um homem de aço
Brilhando em sua retina

E quando você me ver
Quem vai chorar é você
Quando eu fechar a cortina!

João Pessoa, 12/03/2009.

domingo, 1 de março de 2009

Desabafo Budegueiro

O matuto entorna mais uma dose de cachaça, com os olhos marejados de lágrimas saudosas; se levanta da cadeira cai-não-cai, com certa dificuldade etílica; olha pra o dono da budega, volta o olhar para seus companheiros de porre e desata a falar. Discursando sem ser ouvido ele então desabafa:


Quando a fome se tornou assolação
E no açude só restou água barrenta
Eu passei a perna em riba da jumenta
E parti atrás de uma solução,
Fui embora deixando meu coração
C’a morena que chorava de desgosto;
Mas jurei voltar, enxugando seu rosto,
E na porta eu talhei com a peixeira:
“Se a saudade aqui hasteou a bandeira
Dentro em breve o amor retoma o seu posto”!

Na cidade não achei outra opção
E tornei-me o que chamam de bóia-fria;
Na labuta tendo a largura do dia.
Minha vida era dar carga a treminhão;
Cortar cana virou minha profissão;
Na precisão isso foi a mim imposto,
Mas lembrar de Rosa me deixa disposto;
E assim, digo aos amantes desolados:
“Que a saudade, como um baú de guardados,
Guarda o amor; acrescentando cheiro e gosto”!

Todo mês eu mando um trocadinho a Rosa
E também mando dizer que estou voltando
Assim que meu Deus jogar chuva, pintando
O marrom de verde e o pau d’arco de rosa;
Mas no ‘enquanto’ vivo a vida desgostosa,
Onde nunca um sorriso é exposto;
Inda aviso aos que me querem ver deposto
E aos que, a morena, ficam atentando:
“Me aguardem, dentro em breve estou voltando
E o cacete vai cantar com todo gosto”!

Autor: Jessé Costa
Timbaúba, 28/02/2009.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Extrato I

A tua pele ao sol tem cor de mel,
Sorriso igual ao teu não há no mundo
E o teu olhar castanho é oriundo
D’abóbada onde adormece o céu;
O teu cabelo escorre como um véu
Guardando da ribalta um infante rosto,
Na osfresia o teu cheiro tem gosto
E a tua boca esconde um firmamento
Onde um palavrear, no tempo ao vento,
Navalha o dia que morre deposto.

E como não te amar em demasia
Se o quadro que pintaste no meu peito
Tem o traço mais firme e perfeito,
Pintado nas cores da fantasia.
Amar-te eu já queria e não sabia;
Sonhar-te era algo rotineiro
E te encontrar, o ato derradeiro
Que culminou num sentimento lato,
Extrapolando o meu melhor extrato,
Na forma do amor mais altaneiro!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 20/02/2009.



GLOSSÁRIO


  • Abóbada - teto arqueado;
  • Osfresia - faculdade de sentir facilmente os cheiros;
  • Ribalta - série de luzes que ficam ao pé do palco e que iluminam a cena.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jeitinho Nacional

Quem não tem pião brinca com carrapeta
Quem não ger’um filho educa um cachorro
Quem não vê montanha escala um morro
Quem não tem dinheiro se mete em mutreta
Quem não tem mulher tem que entrar na punheta,
Mas há quem prefira dizer “masturbar”,
Quem não tem pai rico vai ter que estudar
Se não estudar vai morrer na pobreza
Quem tem precisão fala com gentileza
Quem é abastado diz: vá se lascar!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 18/02/2009.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Espelho de Luna



Com tantos milhões de anos
Como pode ser tão nova;
Ter tantas faces e planos
E quatro fases de prova,
Que a lunação renova
Por ser do sol a aluna
No mar guiando a escuna,
Encantando os pescadores
Com seus raios refletores
Que vem do espelho de Luna?!

Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 12/02/2009.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um Pé de carambola

(em memória da minha avó Maria de Lourdes)


De fronte a antiga casa
Onde cresceu o menino
A luz do sol matutino
Tocava sua copa rasa;
Fazia no verde a brasa;
Despertava a passarada,
Que saia em revoada
Pra mais um dia tão duro;
E o pé, de sombra e ar puro,
Fincava-se na calçada

É verde a recordação
Da planta cheia de vida
Frondosa e toda florida
No tempo da floração,
Era quase um batalhão
Repleta de soldadinho;
Lá tudo que é passarinho
Repousava em segurança,
Onde nem felino alcança
E nem bala de chumbinho.

Pois era um pé encantado
Com flores tom violeta
Que o vôo da borboleta
Tornava mais destacado;
Já o seu fruto estrelado,
Verde-amarelo [a nação],
Formava a constelação
D’estrelas de carambola;
E adocicava a beiçola,
A vista e o coração!

Mas de fronte a antiga casa
Onde cresceu o menino
Para total desatino
Hoje o sol a rua abrasa
A vida não tem mais asa,
O concreto a emoldurou,
E o progresso levantou
Uma cinzenta gaiola
Onde um pé de carambola,
Ali, nunca mais florou!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 08/02/2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Soneto do Poeta em Luto

Assim morre um amor e nasce um verso,
na grama sobre a cova, esverdeada;
um verde musgo, frio e em terra imerso
é cobertor cobrindo minha amada.

A rima é triste, pobre e nublada;
a métrica enlutada compreende
que ontem muito fui, hoje mais nada;
a inspiração não mais me surpreende.

Ao custo que escrevo esse soneto
me sinto a folha d’árvore caída
que ainda vive, mas já não tem vida.

Em teu sepulcro, hoje lhe prometo
que nunca irei chorar por teu sorriso
e logo encontro a ti no paraíso.

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 23/01/2009.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meu rio chorou esgoto!



Com sua água afiada
Pelas pedras de amolar,
Desces terroso, a cortar
A cidade enviesada;
E lá herdeiros do nada
Com suas redes de arrasto
Acham apenas um vasto
Rastro de poluição;
Tendo, no rio, a visão
De um destino nefasto.

Jazes tristonho e calado;
Sem atenção despertar,
Sem ter ninguém pra chorar,
Sem ter um advogado;
E assim foste condenado
A carregar a nojeira
De uma gente ribeira,
Um povo vil que te afoga;
Pede fartura, mas joga
Míngua pela tua beira!

Onde morreu tua vida?
Onde enterraram teus peixes?
Hoje só restam os feixes
De água “esgotenecida”;
E a criança sofrida
Dentre os entulhos se banha
Na correnteza castanha
Por onde escoa teu fim...
Capibaribe-mirim,
Em teu perder ninguém ganha!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 19/01/2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Eu vi os Seios da Lua no Decote do Horizonte

- Um mote de Antônio Telha -

Corre um mundo de cana
Pelos dois lados da pista,
Pra onde se vai à vista
A noite seguirá plana;
Nesta paisagem caiana
Que é pintada na fronte
- Por entre o rio e a ponte,
Na displicência só sua -
EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE

Um vento frio, sereneiro,
Sobe a ladeira do Borge*
E ali um treminhão foge
De um fim açucareiro.
Nega varrendo o terreiro,
Uma cadeira defronte;
A santa, o jarro, a fonte;
Galinha, porco, perua
E EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE

Estrelas prenhas de luz,
Nuvens tom de cinza forte,
O cheiro da mata-norte
Que o mel de engenho produz;
E a noite assim se conduz,
Subindo e descendo o monte,
Caiando a beira da fonte
Pra nega se banhar nua
E EU VI OS SEIOS DA LUA
NO DECOTE DO HORIZONTE

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 18/01/2009



*Ladeira do Borge é uma das ladeiras que dão acesso a cidade de Timbaúba

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Puta



Seu cabelo impermeável,
Por fumar perdeu o baço
E a tatuagem no braço
- Com um nome mal borrado -
Delata um caso antigo
De um amor bandoleiro,
Que talvez fosse o primeiro
Por ela experimentado!

Os dentes qu’inda lhe restam
Mastigam grande bravura;
Tetas já pela cintura
E seu órgão, antes ledo,
Hoje é um malfazejo
Esbanjando infecção.
Quem ali passá-la mão
Chorará perdendo o dedo!

Mas essa pobre mulher
Que nunca aprendeu a ler
Precisa sobreviver...
Não medindo o que faz,
Procura pelos tarados
Nas portas dos cabarés
E pr’essas baixas ralés
Se vende por dez reais!

João Pessoa, 12/01/2009.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nas Pegadas de Limeira

(Baseado nos versos do poeta Zé Limeira)

Nas pegadas de Limeira
"No vergel da ventania"
Vi um sapo numa jia
Um matuto na rameira
Dom Pedro com caganeira
No sertão de Bogotá
Vi um gato ensaboá
O sovaco em pleno rí
"Tanto faz daqui prali
Como dali pracolá"

"Feliz da mesa que tem
Costela de guaiamum"
Vendo três, entrego um
Eu não abro nem pr’um trem
Presidente disse amém
Em plena mesa de bar
Depois foi furufunfar
Com a filha do prefeito
Napoleão foi eleito
Pr’um cabaré governar!

"É da tampa pipocá"
No fogo de sete gatos
Já tou ensinando aos ratos,
Com camisinha trepá
Pruqui-pruli-proculá
Nas andanças do caminho
Jesus disse bem baixinho
Pra madalena escutá:
"No dia que eu me zangá
Mato você de carinho!"

Autor: Jessé Costa.

João Pessoa, 07/01/2009

Quem é a mulher do Cão?

- Um causo timbaubense -

Doralice é uma moça
Que de moça não tem nada;
Faz na cama, no banheiro,
No terreiro e na escada.
Da fruta prova de cacho,
Come tudo que é macho,
Bem dizer, vive pelada!

E Dôra se apaixonou
Por conhecido ladrão,
Que o povo famigerou
Pelo apelido de “Cão”,
Matador por profissão
Que já era emansebado
Com outro couro furado;
Pia mesmo a confusão!

Quando a nega do cachorro
Dava uma vacilada,
Dôra subia no morro
Só pra dar uma pimbada,
Mas de tanta cachorrada
O boato se espalhou
E a outra escutou;
Tava a briga arrumada!

Deu-se, no lavrar do tempo,
O encontro inesperado
E formou-se o contratempo...
A mulher do procurado,
Já de dedos apontados
No mêi da cara de Dôra,
Disse: Sua traidora,
Vou lhe dar o meu recado!

“Sou bafo da espoleta,
Nunca perdi uma briga
E não vai ser uma preta,
Do bucho chêi de lombriga,
Que vai quebrar minha viga!
Eu sou a mulher de cão!”
E Dôra disse: E então,
E eu num sou a rapariga?!


Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 08/01/2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Encantamento

Cultivar um encanto é perigoso;
Quanto mais um encanto de desejo,
Que se encanta nos traços de um beijo
E termina no canto de um gozo
- Um suspiro faceiro e melindroso;
Que alteia a bandeira do furor,
Hasteada no pátio do fervor -
Pra virar do avesso os sentidos;
Entre gozos, suspiros e gemidos...
Dando vida a um quadro de amor!

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 20/12/2008

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Só entre Nós e o Povo de Mocós!

Tu vens dizer que tá apaixonado
Por um vistoso e fogoso rapaz
Que é viril e robusto demais
E te dá colo nos dias nublados?
Pois vou dizendo, seu novo viado,
Que não me importo com contras e prós
E nem tão pouco o que fazem a sós
Mas desde já fique assossegado
QU’ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS

Moça bonita se acalme e repita
Como perdeste tua mocitude
E quem é mesmo José do alaúde
E onde fica sua palafita
Mas vá rezando pra santa bendita
Que o rapaz sobreviva ao após,
Pra que da bala seja mais veloz,
Pois o teu pai sendo o delegado
ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS

Seu candidato não fique avexado
Conte, daí, donde o dinheiro sai
Pra pagar besta gritando “louvai”
E contratar cabo eleitorado.
Esse dinheiro é roubado ou lavado?
Ou foi doado por um albatroz?
E teu partido é o dos teus avós?
Se desembuche que o voto é ganhado
E ESSE SEGREDO SERÁ BEM GUARDADO
SÓ ENTRE NÓS E O POVO DE MOCÓS

Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 06/01/2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Confabulação

Amantes que não assentam
No “til” suas discussões
Na praia que se acalentam
Avistam seus corações
Atolar em atropelos
No manguezal das paixões

Autor: Jessé Costa
João Pessoa, 05/01/2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Anelar do Tempo



O nosso tempo é medido
No pulsar do coração;
Às vezes passa corrido
E às vezes não passa, não!

Por estar longe de ti
O meu peito mal badala
E o relógio vai, não vai...
O dia dobra de escala

Quanto maior a distância
Que estás da minha mão,
Maior é a impedância,
Maior a dilatação!

Agora, se acaso estás
Dentre a cerca dos meus braços
O tempo se alvoroça
O sol apressa seus passos

Pois contigo ao meu lado
Sofro d’uma arritmia
Que só de piscar os olhos
Vôte! Já se foi um dia...

Autor: Jessé Costa.
João Pessoa, 01/01/2009