domingo, 17 de outubro de 2010

A peleja de Júpiter e Saturno

E o zabumbeiro que morava numa estrela



Conheci um zabumbeiro
Que morava numa estrela
E que decidiu fazê-la
De terreiro forrozeiro
E lá o time primeiro
Do alto escalão do céu
Se juntou todo a granel
Pra dançar um bom forró
Beber, jogar dominó
E pra recitar cordel

Só tinha o alto comando
Do céu do nosso universo
Lá tava Plutão, disperso,
Com Vênus forrozeando;
Saturno tenso apostando,
No baralho, outro anel;
Urano cheio de mel
Cochilando num batente
E Júpiter prepotente
Cercado de xeleléu!

Uma farra de primeira
Num forró bom da mulesta
Dos que o salão empesta
De parelha dançadeira
Foi quando a bagaceira
Pela festa se expandiu
Que chega dá calafrio
De falar do ocorrido
Tamanho foi o muído
Que nesse instante se viu.

Júpiter por ser gigante
Se chegando no salão
Encostou-se em Plutão
E com seu jeito intratante
Tomou o seu par dançante
Chutando-lhe de coturno
E plutão todo soturno
Chorando um choro de orvalho
Foi na mesa do baralho
Chamar seu irmão Saturno!

E Saturno, valentão,
Inda perdendo no jogo
Levantou cuspindo fogo
Cheio das dores do irmão
E entrando no salão
De cara feia e bufando
Foi Júpiter empurrando
E o empurrado, valente,
Foi logo trincando os dentes
Com os seus punhos cerrando!

Tava feita à confusão,
Nesse balde de bravura
Júpiter foi na cintura
Desembainhando o facão.
Saturno de supetão
Mandou Plutão ir pro lado
E um anel amolado
Retirou do seu entorno
Dizendo: Seu grande corno
Hoje teu chifre é serrado!

Após ouvir este dito
Júpiter correu pra luta
Que do meio da disputa
Voava meteorito
E com o tamanho atrito
Desses dois corpos celestes
A lógica que reveste
As forças d’universo
Teve seu prumo transverso
De um leste pr’um oeste!

E pra dar melhor grandeza
Da amplitude da briga
Basta apenas qu’eu lhes diga
Que naquela afoiteza
Júpiter já sem defesa
Errou um soco e então
Saturno deu-lhe um doidão
Com tanta raiva em contexto
Que fez um ano bissexto
Fora de ocasião!

Quando a briga se acabou
Tava o mundo revirado
E o Zabumbeiro, coitado,
Computava o que restou
E o que ele encontrou
Foram restos de planetas
Um punhado de cometas
E Urano chêi de mel
Sem saber voltar pro céu
Caindo pelas banquetas!

Desse dia em diante
Os planetas intrigados
Se encontram separados
Num orbitar dissonante
E o zabumbeiro, emigrante,
Fez a mala, deu um nó
Deixou sua estrela só
Ao cantar dum pé-de-serra
E desceu aqui pra terra
Pra espalhar seu forró!

Timbaúba,16/10/2010

Um comentário:

Roserlei disse...

Minino Jessé ...POETA!

...o zabumbeiro que morava na estrela...a sua aula de geografia...o esbaldar dos planetas ...as órbitas traçadas e tão equidistantes... o forró na TERRA ..no chão...são a plenitude dessa sua sensbilidade.
Abraço.